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Wednesday, 9 October 2013

A Face de Deus: Podemos Vê-la?


Não podemos contemplar toda a beleza e glória da face de Deus; nossos olhos, embora estejam entre as maravilhas da criação, não são capazes ver a face de Deus, infinitamente mais radiante que o sol. A nossa compreensão, embora suficientemente grande para elaborar os mais complexos cálculos e desenvolver incríveis idéias, é limitada na compreensão do ser de Deus. Podemos tomar conhecimento de atributos divinos, porém, não compreendê-los, nem mesmo um só deles, em sua infinitude, profundidade, largura e altura.

O profeta Isaías registrou que viu “o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono” (Isaías 6.1). Porém o profeta não dá qualquer descrição visual do Senhor, exceto que “as abas de suas vestes enchiam o templo” (Isaías 6.1), mas registrou que também viu Serafins (ordem de anjos) que  tinham seis asas: com duas voavam por cima do trono, mas com duas cobriam os pés, e com duas cobriam o rosto. Até os anjos que jamais pecaram, em reverência, cobrem os olhos diante da santidade de Deus.

Isaías viu um pouquinho da infinita glória de Deus; pois em sua visão o Senhor estava em um templo; entretanto não há templo que possa conter Deus; conforme Salomão orou a Deus na inauguração do Templo de Jerusalém, que era mero símbolo da invisível, mas real, presença de Deus; o rei Salomão disse: “nem os céus e até os céu dos céus te podem conter” (1 Reis 8.27).

O apóstolo João também teve uma visão da glória de Deus (Apocalipse 4-5). João registrou que viu “armado no céu um trono, e, no trono, alguém alguém sentado” (Apocalipse 4.2). Embora João mencione ter visto “a mão direita daquele que estava sentado no trono”, sua mão foi mencionada somente para se referir ao livro (Apocalipse 5.2) que estava para ser entregue por Aquele que estava sentado no trono ao Cordeiro, Jesus Cristo (Apocalipse 5.6-7). O livro entregue significa a revelação e a certeza do cumprimento do decreto redentivo de Deus.

Entretanto, quando João descreve quem está assentado no trono, ele assim o faz: (Ele) “é semelhante, no aspecto, a pedra de jaspe e de sardônio”. João não viu a Deus, nem a face de Deus, ele viu um pouco da glória de Deus.

Muito tempo antes de João e Isaías, o profeta Moisés pediu a Deus para ver a sua glória. Deus respondeu a Moisés dizendo que lhe mostraria a sua bondade e misericórdia; mas a sua face não seria vista; pois Deus disse : “homem nenhum verá a minha face e viverá” (Êxodo 33.17-23). Entretanto, quando Moisés descia do Monte Sinai, após Deus haver falado com ele, o povo viu que a pele do seus rosto trazia um brilho, um reflexo da glória de Deus (Êxodo 34.29-35).

Não temos olhos que possam ver a radiante glória da face de Deus; mas podemos ouvir a sua voz, que embora poderosa, mais que o estrondo dos trovões, quando os pecadores desafiam a sua justiça; ela também soa suave como uma leve brisa quando, anunciando a sua misericórdia e perdão, e chamando os pecadores ao arrependimento dos pecados e fé em Jesus Cristo.

Sim, além da limitação ou natural incapacidade de nossos olhos para contemplar a glória da face de Deus; nossos pecados nos impedem de contemplar a face de Deus; porque os nossos pecados nos distanciaram completamente de Deus, e da sua glória: “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3.23).

Os nossos pecados nos fizeram morrer para Deus (nos tornamos espiritualmente mortos), ou seja, ficamos completamente desinteressados no único e verdadeiro Deus, desinteressados nos seus verdadeiros atributos, que são como espectros de Sua glória: Deus é (O) Espírito, em si e por si infinito em seu ser, glória, bem-aventurança e perfeição; todo - suficiente, eterno, imutável, insondável, onipresente, infinito em poder, sabedoria, santidade, justiça, misericórdia e clemência, longânimo e cheio de bondade e verdade (Catecismo Maior de Westminster). Mesmo tendo conhecimento de alguns atributos divinos, não temos nenhuma compulsão natural para adorá-lo.

Os nossos pecados nos fizeram espiritualmente cegos, não reconhecemos a glória de Deus nem na Criação. Somos capazes de contemplar os céus, a terra e as maravilhas que a enchem, e não tributar a Deus “a glória devida ao seu nome” (Salmos 96.8).

O pecado, de tal modo, corrompeu o nosso ser que não queremos conhecer e contemplar a glória de Deus; na melhor das hipóteses, se houver um mínimo de interesse, consciente ou inconscientemente, deixamos isto para os últimos momentos da vida, ou para depois da morte. Preferimos as glórias passageiras deste mundo.

Nossa condição de pecadores distorce qualquer noção de Deus; não podemos vê-lo, imaginá-lo e nem conhecê-lo, como Ele realmente é; e assim criamos os nossos ídolos. E, aos que querem e adoram a Deus, Ele proíbe que se faça qualquer tentativa de representá-lo através de imagens. Qualquer tentativa de imaginar Deus somente cria um ídolo.

Não podemos ver a Deus, ou ver a face de Deus. Isto porém não significa que não possamos conhecer e ter comunhão com Ele. Este conhecimento e comunhão acontece pelo ouvir a voz de Deus, e isto, como já mencionado, é possível porque Deus falou aos homens, pelos profetas, e finalmente através de Jesus Cristo (Hebreus 1.1-3); e o que Deus falou está registrado nas Escrituras Sagradas. Porém, assim como somos mortos e cegos para Deus, também somos surdos. Entretanto, Deus, e Ele somente, tem o poder de nos fazer ouvir a sua voz, abrir os olhos para contemplar a sua glória, e reviver para eterna comunhão com Ele.

Entretanto, aprouve a Deus que vissemos sua face na face do próximo, para testemunho da sua gloriosa existência. Toda a criação proclama a existência de Deus (Salmos 19.1), e o homem é a evidência final e conclusiva da grandiosidade do Criador (Salmos 8.1-6). O homem é a cópia de Deus na natureza, a coroa da Criação (Gênesis 1.27). Quis Deus que homem fosse sua imagem ou reflexo, para que ao ver o seu próximo, o homem visse a Deus, além, antes ou acima. Infelizmente, hoje, muitos olham para traz do homem e somente vêem a figura de um macaco, quando deveriam ver somente a poderosa mão de Deus.

Sendo o homem a imagem e semelhança de Deus, devemos entender que Deus é gente, ou seja, um ser pessoal. Como o homem é único no meio de toda a Criação, Deus é uma pessoa absolutamente única, não há quem seja igual a Ele. Os homens e também os anjos têem semelhanças com Deus, mas não são iguais a Ele. Deus é um ser absolutamente único, especialmente em eternidade, infinitude, e imutabilidade. Os homens e os anjos tiveram um começo, foram criados por Deus; Deus é Eterno. Aos homens e aos anjos, Deus deu poderes e habilidades admiráveis, incomparáveis com o restante da Criação, mas somente Deus é infinito em sabedoria e poder (Onisciente e Onipotente). Homens e anjos são mutáveis, para o bem ou para o mal; somente Deus é imutável em todos os seus santos atributos.

Devemos ver a face de Deus no próximo também para respeitá-lo e amá-lo como criatura de Deus, a criatura que é a imagem e semelhança do Criador. Devemos ver a face de Deus no próximo para que sejamos lembrados e estimulados a ser agentes de Deus no âmbito da Criação, mais parecidos com Deus, especialmente no relacionamento com o próximo.

Quis Deus que, mesmo após nos tornarmos pecadores, víssemos sua face nos famintos, sedentos,forasteiros, nús, enfermos e presos (Mateus 25.31-46) para que, enquanto peregrinamos neste mundo transtornado pelo pecado, sejamos movidos pela divina compaixão e socorressemos uns aos outros.

Jacó viu a face de seu irmão Esaú como se fosse a face de Deus (Gênesis 33.10), para que não somente temesse as consequências de seus pecados contra Esaú, mas para que se arrependesse de seus pecados contra Esaú, para confiar no poder de Deus para mudar o coração do homem, e, enfim, para que confiasse no perdão divino (Gênesis 33.1-11).

Ver a face de Deus no próximo ou reconhecer o próximo como criado à imagem e semelhança de Deus deveria nos levar diretamente a admitir nossos pecados (contra o próximo e contra Deus), e à busca do perdão. Qual será o futuro próximo desta geração que nega o divino Criador, e assemelha o homem ao macado ao invés de reconhecê-lo como a semelhança de Deus?

Podemos ver a Deus na face de Jesus Cristo; e somente na face de Jesus Cristo podemos ver a verdadeira face de Deus, não entretanto, na face física de Jesus, senão nas suas expressões, infalivelmente em todas as expressões de Jesus, isto é, suas atitudes, palavras e obras.  As Escrituras Sagradas, nos dão um completo e perfeito retrato de Jesus Cristo. É através das Escrituras que vemos a face de Jesus Cristo, e, na face de Jesus Cristo, a face Deus (2 Coríntios 4.3-6).

O que é impossível aos nossos olhos foi feito possível em Jesus Cristo. Em Jesus Cristo nós vemos a glória da face Deus de um modo que nem o primeiro homem e a primeira mulher chegaram a ver, antes que houvessem  pecado.

Jacó (que significa trapaceiro), após o encontro com Deus em uma aparência humana (uma alusão profética Jesus Cristo) teve o seu nome mudado para Israel (que significa príncipe com Deus). Após este encontro (Gênesis 32.22-32) Jacó disse: Vi a Deus face a face, e a minha vida foi salva (Gênesis 33.30).

Se vemos a face de Deus no próximo, mediante a lei de Deus gravada em nossa alma e sob influência do Espírito Santo, reconhecemos que somos pecadores e que precisamos de perdão; quando vemos a face de Deus na face de Jesus Cristo somos salvos.

Alguns viram um pouquinho da glória de Deus. Entretanto, “ninguém jamais viu a Deus; (contudo) o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou” (João 1.18).

Quem vê a face de Deus em Jesus Cristo é salvo porque, além de ver a absoluta justiça de Deus, vê o infinito amor de Deus, a incompreensível misericórdia de Deus.

Precisamos de Jesus Cristo para ver Deus como Ele realmente é, e para que sejamos salvos. Somente em Cristo Jesus podemos ver e entender como se relacionam a justiça e o amor de Deus em relação a nós pecadores, trangressores da ;ei de Deus.

Jesus Cristo é o unigênito e eterno Filho de Deus que se encarnou (João 1.1-3,14), para ser levantado ou entregue na cruz por causa dos nossos pecados, perante a justiça de Deus, para que, nÊle crendo, sejamos salvos, recebendo o dom da vida eterna  (João 1.29; 3.13-17). Crer em Jesus Cristo é ver nÊle a face de Deus.

Sem Jesus Cristo, sem uma crescente apreciação por Jesus Cristo, somos seduzidos pelas mais diversas idolatrias. Crendo em Jesus Cristo, vendo nÊle a face de Deus, somos plena e continuamente satisfeitos no conhecimento, e crescemos na comunhão com Deus.

Conclusão, por que não vemos a face de Deus? Em parte porque não podemos, em parte porque não queremos. Queremos ser independentes e iguais a Deus; o que não podemos; e não queremos ser  a imagem e semelhança de Deus; o que, e para o que fomos criados; e esta é a essência do pecado.

Por que queremos ver a Deus com os olhos que não podem contemplar o sol? Por que queremos compreender Deus com a mente que não compreende o universo? Por que permitimos que a limitada, mutável e contraditória ciência humana defina Deus para nós, negando-lhe o atributo de Criador?

Não podemos ver a face de Deus como somente Deus pode ver, como Jesus Cristo, o Filho, vê a face do Pai. Mas podemos ver Deus revelado em Jesus Cristo. Jesus Cristo é a única revelação de Deus que é, ao mesmo tempo, exata para com Deus e compreensível para conosco. Em Jesus Cristo, e somente nÊle, conhecemos a Deus verdadeiramente, e somos imediatamente salvos, entrando em uma eterna relação de amor com Deus.

Conheça a Jesus Cristo, e você conhecerá a Deus, e saberá que está salvo.

2 comments:

  1. Bem aventurados os limpos de coraçao porque verao a Deus Mateus 5:8.
    Os remidos os servirao e contemplarão a sua face Apoc 22: 3 e 4
    Haveremos de vê-lo como ele é. 1joao 3: 1 e 2
    Deus falava com Adao e Eva face a face no Éden
    (...) O homem na condiçao de pecador é que nao verá a face de Deus.

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  2. Bem aventurados os limpos de coraçao porque verao a Deus Mateus 5:8.
    Os remidos os servirao e contemplarão a sua face Apoc 22: 3 e 4
    Haveremos de vê-lo como ele é. 1joao 3: 1 e 2
    Deus falava com Adao e Eva face a face no Éden
    (...) O homem na condiçao de pecador é que nao verá a face de Deus.

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