Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fide, Solus Christus, Soli Deo Gloria

Wednesday, 27 December 2017

Qual é o Nosso Pecado?

Esta é a pergunta que Deus, de antemão, disse a Jeremias que o povo de Judá faria ao profeta (Jeremias 16.10). A pergunta haveria de surgir no contexto da pregação do profeta Jeremias, chamando a nação de Judá ao arrependimento, em face do juízo de Deus que estava para vir sobre a nação; ou seja, o ataque, destruição, exílio e cativeiro de Judá, sob o poder do Império Babilônico.

Desde a separação do Reino de Israel em dois reinos, Israel e Judá, ambos iniciaram uma trajetória de decadência. Com o rompimento de Israel na Aliança com Deus, aliança feita por meio do patriarca Abraão, e ratificada pela mediação do profeta Moisés e do rei Davi, Israel rapidamente se apostatou. O rompimento com a Aliança nos termos mediados por Moisés e Davi foi imediato e declarado. O rei de Israel, Jeroboão, não era da descendência de Davi; e, temendo um possível retorno e união de Israel com Judá, Jeroboão, reintroduziu a ideia de culto a Deus por meio da imagem do “bezerro de ouro”, promoveu outras formas de idolatria, além de estabelecer sacerdotes que não eram da tribo de Levi (1 Reis 12.25-31), tudo isso, em desprezo à Aliança ratificada com a nação de Israel por meio de Moisés.

Apesar de ter reintroduzida e estimulada pelo próprio rei Salomão que, em sua velhice, praticou e promoveu idolatria (1 Reis 11.1-8), a apostasia de Judá foi mais lenta e sutil. Ao contrário de Israel, Judá manteve a sucessão real da descendência de Davi, o culto centralizado no Templo edificado em Jerusalém, e o ministério sacerdotal na tribo de Levi, conforme a Lei de Deus para Israel, comunicada por meio de Moisés.

O Reino de Israel caiu (e jamais se ergueu novamente) sob a invasão e domínio do Império Assírio (726 aC). Era em face da pregação de Jeremias, chamando Judá ao arrependimento e advertindo sobre a iminência do juízo de Deus, semelhante ao que veio sobre IsraeI, que Judá perguntava:

“Por que nos ameaça o Senhor com todo este grande mal? Qual é a nossa iniquidade, qual é o nosso pecado, que cometemos contra o Senhor nosso Deus?” (Jeremias 16.17)

A aparente melhor situação de Judá, desde a separação de Israel, não foi suficiente para conter o processo de apostasia, que era alarmante nos dias do profeta Jeremias, ao ponto do povo perguntar: qual é o nosso pecado?

De modo diferente de Israel, Judá não havia formal e declaradamente rompido com Deus. Algumas ordenanças de Deus foram preservadas, como as já citadas sucessão davidica no trono real de Judá, a preservação do culto no Templo (conforme as determinações gerais de Moisés e Davi) e a exclusividade sacerdotal da tribo levítica.

Não houve um rompimento formal e declarado de Judá contra a Palavra de Deus, em sua forma escrita, também chamada Lei. Além de presidir o culto, os sacerdotes levitas mantinham a incumbência de ensinar a Lei ao povo.

Judá até experimentou algumas reformas, como nos dias dos reis Ezequias e Josias (este também contemporâneo do próprio profeta Jeremias). Entretanto, Judá persistiu na rota da apostasia, e apostasia tal que, em resposta à pregação de Jeremias, a nação levianamente perguntava: “Por que nos ameaça o Senhor com todo este mal?…qual é o nosso pecado...?

Já temos usado a palavra apostasia diversas vezes, seu significado comum em português é “afastamento ou abandono da fé”. Entretanto, o seu significado original, no grego, especialmente no Novo Testamento grego é muito útil; seu signicado é “abandono”, “rebelião”. Uma variação da palavra significa “separação” ou “divórcio” (Mateus 5.31; 19.7).

O apóstolo Paulo escreveu a Timóteo: “...nos últimos tempos, muitos se apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios” (1 Timóteo 4.1). Portanto, apostasia significa afastamento, abandono da fé, e separação de Deus.

Deus chamou e enviou o profeta Jeremias para anunciar o pesado juízo que estava para cair sobre a nação de Judá (a ser executado pelo Império Babilônico); a causa do juízo foi declarada: “...por causa de toda a malícia deles; pois me deixaram a mim, e queimaram incenso a deuses estranhos...” (Jeremias 1.16).

Conforme o livro do profeta Jeremias, duas principais forças contribuíram para levar Judá à apostasia ou separação de Deus: o poder sedutor do pecado e o estímulo da falsa profecia.

Pelo poder sedutor pelo pecado, Judá abandonou a Deus. O pecado é a única causa de nossa separação de Deus. Não obstante a sua invisibilidade, Deus nos criou para nos relacionarmos com Ele; embora esta seja uma relação de servo e seu Senhor, súdito e seu Rei, esta é também uma relação entre o filho e seu Pai.

Em se tratando de relacionamento, o conceito de Aliança é muito importante; pois, entre dois seres pessoais, ou há uma aliança ou não há relacionamento. Por esta razão, após a criação do homem, Deus faz com ele (e sua descendência) uma aliança – a Aliança da Criação; e, após a quebra da Aliança e relacionamento (da parte do homem), para restaurar o relacionamento Deus faz a Aliança da Redenção.

Os Dez Mandamentos (Êxodo 20.1-19), anunciados por meio de Moisés, em uma posterior revelação da Aliança da Redenção, são parte essencial da Lei que deveria nortear o relacionamento da nação de Israel com Deus. Estes Dez Mandamentos, que são próprio coração da Lei, se resumem no dever natural de amarmos a Deus e ao próximo (Mateus 22.36-40), e revelam os princípios básicos desta nossa singular relação com Deus:
  • Os quatro primeiros mandamentos indicam como servimos e adoramos a Deus diretamente;
  • Os seis últimos mandamentos indicam como adoramos e servimos a Deus na relação com o próximo (os outros servos, súditos e filhos de Deus, como nós também somos).

Deus se revelou a Israel e Judá como o seu único Deus, o seu Criador, Provedor e Redentor. Portanto, Deus não pode ser honrado entre outros (falsos) deuses, e não pode ser reduzido a uma (ou qualquer que seja) imagem da criação; o seu nome é o “Senhor”, e sua Lei não pode ser quebrada, sem que haja quebra da relação e Aliança com Deus.

Não é possível separar verdadeiro culto (ao verdadeiro Deus) da obediência à Lei de Deus (lei que revela princípios básicos do nosso relacionamento com Deus). Da mesma forma não é possível separar idolatria de desobediência à Lei de Deus. A deliberada desobediência à Lei de Deus é uma negação de Deus, o que é também idolatria; pois a negação de Deus cria um vácuo que certamente será ocupado por algum ídolo (falso deus).

Não podemos servir a Deus diretamente (cultuá-lo), ignorando os quatro primeiros princípios (mandamentos); nem podemos servir a Deus indiretamente, sem cumprir os seis últimos, que norteam nosso relacionamento com o próximo. E ainda que observássemos rigorosamente os quatro primeiros mandamentos, descumprindo somente um dos seis últimos, não cultuaríamos a Deus fiel e verdadeiramente; pois estaríamos em falta com outros servos, súditos e filhos de Deus.

Quem, de forma deliberada e contumaz, sem arrependimento desobedece a Lei de Deus (ou qualquer um dos Dez Mandamentos) cultua, serve, agrada, ou oferece sacrifício a falsos deuses, mesmo que insista em referir-se a Deus, como fazia o povo de Judá, dizendo, o “Senhor, nosso Deus” (Jeremias 16.17). Afinal, cada transgressão da Lei de Deus é uma oferta agradável a um falso deus, por mais oculto que ele pareça.

Não são “adoradores de Baal” somente os que declaradamente cultuam a Baal, mas também aqueles dizem que cultuam ao Senhor, mas apresentam ou oferecem ao Senhor o que agrada a Baal, embora o Senhor odeie tal oferta.

Baal ou qualquer outro deus, enfim, Satanás dissimuladamente aceita qualquer oferta (embora deseje, de fato e ao final, nossa própria vida e gerações). Deus, ao contrário, não aceita ser adorado entre outros deuses, não aceita ser adorado por meio imagens, não admite o uso impróprio de seu santo nome, e ainda requer um dia na semana para culto o congregacional de seus adoradores (Êxodo 20.1-11); e, além disso, não aceita o culto de desebedientes ao pais, dos violentos adúlteros etc (Êxodo 20.12-17).

Os Dez Mandamentos constituem uma regra simples e objetiva sobre “como servir e adorar a Deus”, não é correto, nem proveitoso considerar idolatria somente a quebra dos dois primeiros mandamentos. A quebra persistente de qualquer um Dez Mandamentos é idolatria, porque é falta quanto ao modo de servir e adorar a Deus, é oferecer (trazer de volta ou perante) Deus, o Criador, Provedor e Redentor do seu povo, o que ele despreza ou odeia.

Nossa adoração a Deus começa com o quatro primeiros mandamentos e se consuma nos outros seis; é por causa desta unidade entre os Dez Mandamentos que a Palavra de Deus nos adverte:

“... Tem, porventura, o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça a sua palavra? Eis que o obedecer é melhor que sacrificar...” (1 Samuel 15.22-23)

“Ouvi a palavra do Senhor, vós príncipes de Sodoma... não posso suportar iniquidade associada ao ajuntamento solene...” (Isaías 1.10-17)

“Se, pois, ao trazeres a tua oferta ao altar, ali te lembrares que teu irmão tem alguma contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconcilar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta” (Mateus 5.23-24)

“Rogo-vós, pois irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culta reacional. E, não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. (Romanos 12.1-2).

Embora Jeremias condenasse o culto a ídolos em Judá, especialmente o culto a Baal, não era somente esta forma direta e declarada de idolatria que o profeta combatia; ele também denunciava o furto, o homicídio, o juramento falso e o adultério (Jeremias 7.9-10) como formas indiretas e disfarçadas de idolatria; pois assim fazendo, ignorando a vontade e a Lei de Deus na prática diária, cultuavam a Baal (com ou sem a menção de seu nome), e praticavam ou “ofereciam” perante Deus o que Ele detesta ou abomina, com ódio consumidor.

O segredo do poder sedutor do pecado está no fato de ser sempre uma idolatria, uma prática em que há dois lados interessados: o ídolo (falso deus) que deseja receber, atrair para si, o serviço e culto que pertencem somente a Deus, e o pecador que deseja cultuar, oferecer o que agrada ao seu ídolo.

Em geral protestantes ou evangélicos sente-se “vacinados” contra idolatria; contudo, o apóstolo João escreveu aos crentes, seus leitores: “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos” (1 João 5.21). A idolatria não é uma condição da qual os crentes já estejam absolutamente livres, mas um aspecto comum a todo pecado, contra o qual precisamos lutar.

Como um ídolo (falso deus) pode ser tão destrutivo e maligno? A idolatria é muito flexível, e se adapta a qualquer pecador, e a qualquer fase de um pecador. Ela pode assumir a forma mais cruel, de modo a levar o pecador a matar seu “concorrente” (Gênesis 4.8), e até mesmo a sacrificar o próprio filho (Jeremias 7.31). A idolatria pode assumir a forma da riqueza (Colossenses 3.5), ou até mesmo da piedade religiosa (Mateus 6.1-4). E, o ídolo pode até ter a aparência de uma fera, mas pode também ter o rosto e postura de um homem influente, ou a face e o corpo e uma atraente mulher; entretanto, um ídolo é sempre um falso deus, na verdade um disfarce do falso deus, e este é, enfim, o “deus deste século” (2 Coríntios 4.4), Satanás, sempre em busca do culto devido somente a Deus (Mateus 4.1-11).

A idolatria é grave, seus praticantes jamais herdarão o reino de Deus (1 Corítios 6.9-10; Efésios 5.5; Apocalipse 21.8; 22.15). Entretanto, “o sangue de Cristo nos purifica de todo pecado” (1 Corítios 6.9-10; 1 João 1.5-9).

Além do poder sedutor do pecado, que prevalece da mútua atração entre o ídolo e o pecador, outro poder contribui definitivamente para a apostasia de um indivíduo, igreja ou nação, o estímulo da falsa profecia, que por sua vez, também está ligada à idolatria:

“Os sacerdotes não disseram: onde está o Senhor? E os que tratavam da lei não me conheceram, os pastores prevaricaram contra mim, os profetas profetizam por Baal...” (Jeremias 2.8)

Embora profecia, pregação e ensino, não signifiquem exatamente a mesma coisa, têm algo muito significativo em comum: são meios de comunicação da Palavra de Deus; portanto, à falsa profecia juntam-se também a falsa ou pretensa pregação ou ensino da Palavra de Deus.

O grande obstáculo de Jeremias eram os falsos profetas (pregadores e mestres) e todos os que os apoiavam e acolhiam as suas palavras. Por isso, Deus fez de Jeremias um profeta particularmente “duro”, no melhor sentido da expressão, tanto em sua palavra quanto em seu caráter (Jeremias 1.18-19).  

A falsa profecia é um poderoso instrumento para promover apostasia e idolatria, ela realmente faz o que o seu adjetivo indica, ela engana:

“... tanto o profeta como o sacerdote usam de falsidade. Curam superficialmente a ferida do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz.” (Jeremias 6.13-14)

A falsa profecia toca (agrada, sensibiliza) o coração pecador; e ao fazê-lo, na verdade ela fortalece (endurece) o coração do ouvinte contra a Palavra de Deus. A falsa profecia dá impressão de que Deus está falando e de que nós estamos ouvindo-o. A falsa profecia insiste em que vêm da parte do Senhor; embora ela se choque com o que Deus realmente falou, e já “está escrito”.

A falsa profecia aponta para nosso sucesso, prosperidade e satisfação pessoal (já realizados ou ainda desejados), dando-nos a impressão de que não estamos no curso uma apostasia. A falsa profecia próspera entre os que são seduzidos e enganados pelo pecado.

De modo diferente da pregação do profeta Jeremias, a falsa profecia não provoca a pergunta: “qual é o nosso pecado?” Ao contrário, ela reforça a ideia de que Deus não pode ser tão severo, ou de que nossos pecados sejam tão graves. Em termos práticos, a falsa pregação ignora ou minimiza a importância da Lei de Deus, e o valor do “sangue do Cordeiro”, o altíssimo preço do nosso perdão redenção e reconsiliação com Deus.

Assim como Israel e Judá que foram salvos para serem “povo de propriedade exclusiva de Deus... reino de sacerdotes e nação santa” (Êxodo 19.5-6), e como tais, também tipo da eterna e universal Igreja de Deus, fundada em Jesus Cristo (1Pedro 2.1-10), em todo o tempo, o povo de Deus é chamado a lutar incansavelmente contra o pecado e  a falsa pregação; pois o pecado nos atrai, e a falsa profecia nos empurra para apostasia, o abandono da Aliança com Deus.

É impossível resistir quando a força sedutora do pecado nos atrai e o poder da pregação infiel nos empurra para descida íngrime da apostasia. A descida da apostasia (individual ou congregacional) é íngrime, é difícil não descer, e quase impossível subir de volta.

Alguém regenerado, nascido do Espírito, está inseparavelmente unido a Deus, não volta atrás, não perde a salvação; porém não podemos aplicar ou transferir isto para uma Igreja, nação ou família. Igrejas, nações e famílias podem, e de fato, têm se apostatado, apartado de Deus. Além disso, o conhecimento puramente teórico (mesmo que seja preciso) da doutrina da salvação não resiste à convicção do pecado (1 João 1.5-2.6). Afinal, “... todo aquele que é nacido de Deus não vive na prática do pecado... (1 João 3.7-10).

A Igreja contemporânea, de modo geral, experimenta um momento muito parecido com a igreja de Judá, nos dias do profeta Jeremias. Como nos dias de Jeremias, há intensa atividade religiosa, inclusive confusão; entretanto, formalmente, há entre muitas nações uma Igreja que professa a fé em Jesus Cristo.

Porém, à semelhança da igreja em Judá, próximo ao momento em que veio o repentino juízo de Deus que entregou Judá nas mãos do Império Bablilônico,  há na Igreja hoje, especialmente no ocidente (e o Brasil não é exceção) um crescente desprezo à Lei de Deus e ao “precioso sangue de Jesus Cristo”. Tal desprezo se manifesta, parte, no estilo de vida dos crentes que é incompatível com a Lei do amor a Deus e ao próximo, e com o preço da redenção. O culto vai perdendo sua principal característica de reunião em que Deus fala e os crentes respondem com oração e obediência, para ganhar a formas de entretenimento. Desonestidade, violência e imoralidade sexual se multiplicam. Divórcios acontecem na igreja, sem tristeza ou arrependimento; e recasamentos são celebrados, como se fosse o primeiro, que jamais poderia ser desfeito, senão pela morte de um dos cônjuges (Mateus 19.4-6).

O crescente desprezo à Lei de Deus e ao “precioso sangue de Jesus Cristo” também se manifesta na generalizada preocupação com o crescimento da igreja. Com este objetivo, a pregação (fora e dentro da igreja) ignora a presença e gravidade do pecado e na ausência de disciplina. Como uma árvore, a igreja quer ser grande, não faz limpeza, poda. O resultado de tal atitude é que se tornará como uma “figueira sem fruto”, sujeita à condenação e juízo ( Mateus 21.18-19). Uma igreja somente cresce saudável e é mantida frutífera mediante a limpeza (poda) da fiel pregação da Palavra de Deus e exercício da disciplina cristã.


Qual é o nosso pecado? Infidelidade a Deus, desprezo à Aliança e ao relacionamento com Deus, apostasia e idolatria, causados pela sedução do pecado e falta de exposição à fiel pregação da Palavra de Deus. Qual a única atitude que pode nos livrar (a nós e nossas próximas gerações) da apostasia e seu pertinente juízo? Arrependimento, volta imediata a Deus. Precisamos urgentemente voltar a ouvir somente a Palavra de Deus (rejeitar os falsos profetas e suas palavras lisonjeiras e aduladoras), renunciar e entrar em luta contra o pecado, confiando no sangue de Cristo Jesus, derramado na cruz por causa dos nossos pecados, e no poder do Espírito Santo, também derramado sobre nós, para nossa santificação.

Thursday, 18 May 2017

A Hora do Brasil

Como acontece em estados, cidades, favelas e até em presídios no Brasil, onde criminosos estão em guerra; também alguns dos mais poderosos empresários e vários políticos brasileiros, unidos pelo assalto aos cofres públicos, estão em guerra, "atirando" uns contra os outros. Foi a ação eficaz de delegados, procuradores públicos e juízes (especialmente um) contra esta criminalidade rampante que deflagrou esta guerra.

Além de atirarem uns contra os outros, outra tática destas "facções" e indivíduos envolvidos no crime do "colarinho branco" é incitar a opinião pública e suas "armas" contra os agentes da justiça. Eles contam com a desinformação ou com a má informação do povo, e com a ingenuidade e paixão idolátrica de não poucos.

O presente momento requer prudência, sobriedade e responsabilidade. Que nossas palavras e ações sirvam como encorajamento aos que, mesmo imperfeitamente, não maliciosamente (pois como dizem, "errar é humano") buscam e promovem a justiça, ao invés de fortalecer os que intencional e conscientemente promovem a injustiça.

Que, neste crítico contexto, não apoiemos aqueles políticos que estratégica e momentaneamente aparentam ou prometem atenção a um particular interesse nosso. Que não acolhamos a falsa ideia de que, para salvar a economia, devemos dar uma chance para os corruptos.

Que além de palavras e atitudes sábias, oremos a Deus, pedindo que a justiça triunfe, e a misericórdia seja abundante, que os criminosos (independentemente da cara, cor, partido ou religião) sejam encarcerados, e os pobres e doentes sejam socorridos.

Que grande oportunidade para cada brasileiro considerar que somente é "feliz a nação cujo Deus é o Senhor..."! (Salmos 33.12)

Saturday, 26 November 2016

Salvação é pela Graça, através da Fé

“Porque pela graça sois salvos, mediante a fé...” (Efésios 2.8)

Parte 1 – A Natureza da Salvação

Um inegável um grande otimismo caracterizou a segunda metade do século XX, especialmente à medida em que nos distanciávamos dos anos marcados pela Segunda Guerra Mundial. Além, disso, depois de um período de embate, a utopia socialista parecia caminhar para uma cooperação com o pragmatismo capitalista, para finalmente criar o sonhado mundo justo e próspero.

O otimismo durou somente até o começo do século XXI; e, agora, estamos testemunhando uma rápida e crescente onda de pessimismo mundial. Talvez,  o principal e definitivo marco desta mudança seja o acontecimento amplamente conhecido como o “September 11”. Além disso, a repetição freqüente de outros atos terroristas, as “guerras e rumores de guerras” apoiadas e patrocinadas por potências miliatres em lados opostos, a desilusão da União Européia, o empobrecimento dos países já pobres e a necessidade dos ricos protegerem suas economias que agravam problemas relativos ao comércio, migração e até de raça, agravam o temor de dias piores.

Pode ser que agora, neste mais sombrio “clima” mundial, mais pessoas estejam dispostas a considerar que o ser humano precisa de salvação, tanto social quanto individualmente; uma vez que os mais recentes “caminhos” propostos pela inteligência humana para alcançar a justiça, paz e prosperidade falharam.

Não obstante as esperanças que o contínuo, embora contraditório, progresso científico mantém, da verbosidade filosófica, e do empenho das artes por reavivar o sonho; a exposta decepção da religião e o inegável fracasso da política, de qualquer esfera e viés ideológico, reforçam as incertezas de um futuro melhor para a humanidade.

Neste contexto, devemos manter a confiança e, aproveitando o oportuno momento, comunicar a mais característica revelação das Escrituras Sagradas: a salvação vem de Deus (Salmos 62; Jonas 2.9), somente em Deus há esperança para os povos,e  para cada pessoa individualmente.

A Carta de Paulo ao Romanos nos dá um conhecimento preciso e completo a respeito desta salvação que vem de Deus. Entretanto, como preparação para tratar da “salvação que vem de Deus”, ainda bem no começo da carta, Paulo afirma que pela simples observação da criação em geral o homem adquire um conhecimento de Deus, suficiente para levá-lo a honrar a Deus, e lhe ser agradecido (Romanos 1.18-22). Por mais desconhecido ou misterioso que seja Deus, estando o homem tão completamente envolvido pela glória de Deus, manifesta na criação (Salmos 19.1), não há necessidade de que o homem veja e nem ouça a Deus, para honrá-lo e lhe ser agradecido.

Entretanto, a reação normal do homem é ignorar e suprimir todo conhecimento de Deus, possível através da observação da natureza. A indiferença ou recusa quanto ao conhecimento do Deus invisível acentua ou agrava o distanciamento entre o Criador e a criatura, que interpreta o seu abandono como se significasse a inexistência de Deus.

Excluindo Deus de seu universo, o homem desenvolve raciocínios inconsistentes e afeições desordenadas, incompatíveis com o propósito elevado para o qual foi criado; o que é incompatível até com a própria natureza e inteligência humana. Tal alienação de Deus, faz do homem um idólatra, um cultuador ou apreciador de coisas inúteis e até vis, e, cultuá-las como deveria apreciar e adorar somente a Deus. Não reconhecendo um Deus que antecede e é maior que toda a criação, qualquer objeto do maior respeito e devoção, ocupará na mente e coração do homem a posição que somente pertence a Deus; tal obeto será o seu deus. Um ídolo é um indevido substituto de Deus, e, por mais apreciável e desejável que seja, é indigno de ser o principal objeto da devoção do homem. Todo ídolo, se já não é em si mesmo, torna-se inútil ou vil.

A Carta de Tiago (4.1-10) indica que afeições indevidas e desejos descontrolados, efeitos da inimizade (ausência de amor) para com Deus, são as principais causas de contendas e guerras.

Ignorando o Criador Invisível, tanto o indivíduo quanto a sociedade idólatras revelam sua irracionalidade e falta de sentido ou propósito, pelo estabelecimento de padrões e “práticas inconvenientes” (Romanos 1.24-31). Provavelmente, mais do que nos dias do Apóstolo Paulo, hoje é extremamente apropriada a sua afirmação: “Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos” (Romanos 1.22).

O Apóstolo Paulo, sua Carta ao Romanos, ainda argumenta que a humanidade tem conhecimento de um decreto divino contra os que vivem de acordo com os mencionados padrões e “práticas inconvenientes”, desenvolvidos à revelia de Deus – eles são  passíveis de morte (Romanos 1.32).

Entretanto, antes, e como fundamento da sentença de morte, acima citada, está outro conhecimento, que também todo homem tem: o conhecimento de uma Lei que é contrária aos mencionados padrões e “práticas incovenientes”, adotados ou estabelecidos pelo homem, em parte, resultantes da sua recusa em reconhecer a existência de Deus, e sua responsabilidade perante o Criador.

Esta Lei pode estar em forma escrita como foi dada, uma vez à nação de Israel, por meio do profeta Moisés, ou simplesmente inscrita na consciência de cada indivíduo (Romanos 2.12-24), independentemente da cultura ou religião; embora a cultura e a religião possam influenciar no apreço ou descaso para com a Lei. Com muita propriedade, esta Lei é freqüentemente chamada de Lei de Deus.

Esta Lei é atemporal e universal (nunca se torna inadequada, não muda e não é relativa), começa com a afirmação da propriedade e dignidade do culto exclusivo a Deus, e é complementada pela declaração dos deveres do ser humano para com seus semelhantes (Exodo 20.1-17); o seu resumo é o dever do homem de amar a Deus na totalidade do seu ser, e ao seu próximo como a si mesmo (Mateus 22.34-40).

Assim como o conhecimento da Lei de Deus, o conhecimento da sentença de Deus ou sentença de morte contra os que transgridem a Lei, para alguns, é um conhecimento objetivo, que vem de fora, para outros é mais subjetivo, interno, intuitivo. E seja este conhecimento objetivo, como nos Dez Mandamentos (Exodo 20.1-17), ou subjetivo como na consciência que aprova ou desaprova determinados pensamentos, palavras e atitudes (Romanos 2.15), por mais que tentemos suprimí-lo, ele persiste, e o receio de um tribunal divino pode surgir intermitentemente na alma mais incrédula.

É de acordo com a Lei que Deus julga as obras dos homens (Romanos 2.6-11), qualificando-as como boas ou más, justas ou injustas, sujeitas a recompensa ou penalidade. Entretanto, toda a humanidade, contituída dos que Paulo exemplifica com os judeus (os que conhecem a Lei de Deus na forma escrita, nos “oráculos de Deus” (Romanos 3.2), como os que são chamados gentios, ou gregos, (os que conhecem a Lei simplesmente inscrita em suas consciências), todos são pecadores, transgressores (1 João 3.4) da Lei (Romanos 3.9-20, 23). Não há homem ou mulher capaz de cumprir a Lei, sem transgredí-la, em qualquer sentido, nível, ou momento.

É pelo conhecimento da Lei, esteja ela escrita em um livro, ou simplesmente na consciência humana, que vem também “o conhecimento do pecado” (Romanos 3.20). E, sendo todos, homens e mulheres, naturalmente transgressores da Lei (pecadores); a maior utilidade da Lei, não é, ao contrário do que muitos pensam, nos motivar ou ajudar a sermos justos, mas, nos trazer a uma atitude de arrependimento perante Deus, por nossa natural inconformidade e transgressão da Lei (Romanos 2.4-5).

Já vimos que a penalidade contra as chamadas práticas irracionais e inconvenientes (pecado ou transgressão da Lei), é a morte; e esta significa principalmente separação de Deus (Isaías 59.2; Romanos 3.23). Não é a invisibilidade de Deus que nos impede de conhecer e nos relacionar com Deus, mas os nossos padrões irracionais e práticas inconvenientes, o pecado ou injustiça, a transgressão da Lei eterna e universal, a Lei de Deus.

O pecado causa a morte; e esta morte é o tipo de separação de Deus que, ainda não estando consumada, se agrava na medida em que, separado de Deus, o homem persiste em viver como se Deus não existisse, não reconhecendo que tem responsabilidades perante Deus, e ignorando a sua Lei. Embora esta morte ou separação de Deus, em um processo contínuo de causa e efeito (morte causa pecado, pecado causa morte) tenda ao agravamento, ao ponto de se tornar até irreversível, ainda há salvação para o ser humano.

Entretanto, a esperança e salvação do homem, como indivíduo ou sociedade, dependem, não somente do reconhecimento da necessidade e vontade de mudar, reformar ou transformar, nem principalmente de um projeto de educação (como também muita gente pensa). Fundamentalmente, a redenção da humanidade começa com o arrependimento (Romanos 2.3-5), arrependimento de um conceito e estilo de vida que ignoram Deus.

Sim, “a salvação do homem vem de Deus”; é pela graça de Deus; e é mediante a fé que o homem é salvo, seja judeu ou grego, isto é, não importa a religião ou cultura (Romanos 3.21-26). A salvação vem de Deus porque é Ele quem misericordiosamente chama a humanidade ao arrependimento de suas más obras e injustiça; e, atender este chamado é uma atitude de fé; pois é ouvir a mensagem do Deus Invisível.

Esta mensagem de Deus, o cerne das Escrituras Sagradas, intermediadas da parte de Deus pelos Profetas e Apóstolos, é também denominada o “Evangelho” (boa-nova); é através dele que Deus chama todos os pecadores ao arrependimento. A boa notícia do Evangelho é que há salvação para a humanidade, do profundo e crescente abismo do distanciamento ou separação de Deus.

Há salvação do estado de morte ou separação de Deus a que o homem está sentenciado por causa de seus padões e práticas injustas; e não é através de obras (empenho em fazer o bem, por viver de modo justo) que o ser humano é justificado perante Deus, mas pela fé em Deus (Romanos 3.27-31).

Esta é a boa notícia em que consiste o Evangelho: há salvação para a humanidade; e, por mais difícil (impossível) que ela pareça; ela é de graça, mediante a fé, somente. Não depende de fazer o que não podemos fazer separados de Deus, ser justos; não depende de pagar o que não podemos pagar, nossas ofensas contra Deus e contra o próximo.

A boa notícia do Evangelho é que, embora transgressor da Lei, pecador, injusto, o homem pode ser justificado. Isto é, o homem pode ser perdoado de todas as suas injustiças, e ser reconciliado com Deus, por meio da fé em Jesus Cristo, o nosso Salvador (Romans 3.21-22).


Para quem não se convence pelas obras de Deus na criação; mas, quer ver (a Deus) para crer; o impasse permanece; não podemos ver a Deus. Entretanto, no Evangelho, Deus fala com o homem, chamando-o ao relacionamento consigo, o Eterno e Invisível Criador e Salvador. Ouça o que Deus fala no Evangelho.

Sunday, 17 July 2016

O que É mais Difícil: Fazer um Jumento Falar, ou um Religioso Ouvir a Deus?

Lendo a Bíblia, no livro chamado Números (capítulos 22-24), o quarto livro da primeira parte da Bíblia, parte conhecida como o Antigo Testamento, deparamo-nos com a intrigante história do profeta Balaão; e com o estranho milagre de uma jumenta que falou.

Sim, este é um milagre estranho; porque, na Bíblia, os milagres têm um certo padrão. Em geral, eles consistem em criar, intensificar ou fazer cessar fenômenos naturais; há alguns poucos casos em que milagres causaram enfermidades, a grande maioria é de cura, e também alguns raros casos de ressurreição de mortos. Em geral, os milagres da Bíblia geram efeitos expectados, seja com temor, ou com esperança; por mais impossíveis que pareçam, ele têm uma certa racionalidade.

Papagaios, e algumas outras espécies de aves próximas daqueles, possuem uma impressionante habilidade de imitar a voz humana, repetindo palavras e expressões idiomáticas. Alguns cães parecem tentar acompanhar o canto de uma música. Porém, um jumento falar, e argumentar de forma perspicaz, isso é demais!

O meio mais comum de Deus se comunicar foi através de profetas, antes de comunicar por Jesus Cristo (Hebreus 1.1-2). Outras vezes se comunicou através de anjos (Lucas 1.26-27); ou, simplesmente, por uma "voz vinda do céu" (Mateus 13.17).

No livro de Gênesis, capítulo 3, lemos sobre o diálogo que a serpente teve com a mulher; porém, em Apocalipse 12.9, lemos que o “grande dragão (é) a antiga Serpente, que se chama diabo e Satanás”. Ainda assim, uma jumenta falando, é um relato bastante curioso, chega parecer lendário.

Por mais espetacular e estranho que seja, longe mim duvidar que aquela jumenta tenha falado, claro, somente naquele momento. Afinal, como disse Jesus: "para Deus tudo é possível", até fazer “entrar um rico no reino de Deus” (Mateus 19.24-26). Certa vez, para demonstrar sua autoridade divina para perdoar pecados, Jesus curou um paralítico, que passou a andar imediatamente (Mateus 9.1-8).

Deus é o Criador de um universo de "ilimitada" variedade, um mundo de impressionantes surpresas. “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos” (Salmos 19.1); porém, o homem se recusa a glorificar a Deus, e lhe dar graças (Romanos 1.21); e mais, “não há quem entenda, não há quem busque a Deus” (Romanos 3.11). Então, um milagre pode, ao menos por algum instante, fazer com que o homem pare e pense em Deus. Além disso, fazer um jumento falar diante de um líder religioso é algo especialmente sugestivo, instrutivo, apropriado e marcante.

Quem é Balaão? Muitos cristãos, hoje, tendem a "santificar" os judeus (israelitas), e "demonizar" os demais povos. Assim, Balaão é tido, por muitos, somente como um odioso inimigo dos interesses de Israel, e até indigno de qualquer tipo de comparação com o povo de Israel, ou com personagens história de Israel.

Entretanto, não deveríamos ignorar que Balaão é um descendente de Noé, com quem Deus fizera um Pacto de Salvação, após o Dilúvio. Nos dias de Abraão, não somente os povos cananitas, descendentes de Cam, filho de Noé, mas igualmente os povos jafetitas e semitas, também descendentes de Noé, estavam todos corrompidos. E, destes últimos, os semitas, também descende Abraão, pai da nação de Israel, e provavelmente o próprio Balaão. Havia muito tempo, as nações, de modo geral, haviam se afastado da fé, e desprezado a Aliança que Deus fizera com Noé, e suas gerações.

Portanto, devemos pensar em Balaão como um líder religioso, um profeta, entre um povo que tinha uma remota conexão com a fé do patriarca Noé, e com Aliança Salvadora que Deus fizera com Noé, e sua descendência.

Como foram vários corrompidos reis, profetas e sacerdotes na história de Israel, como pastores corrompidos, em igrejas deformadas no âmbito da cristandade, assim era Balaão no seu tempo; ele era um líder religioso projetado, e até temido, muito além de sua base, ao norte da Mesopotâmia, no mundo de então. Balaão era respeitado inclusive na distante terra de Canaã, lugar de uma multifacetada religião apóstata, nascida onde e quando morrera a fé legada por Noé aos seus descendentes.

No período entre Abraão e Moisés, outros dois líderes se destacaram, e de forma mais positiva que Balaão: o misterioso Melquisedeque que Abraão conheceu, também chamado "sacerdote do Deus Altíssimo, e que é um dos mais expressivos tipo de Jesus Cristo; e Jetro, um sacerdote de Midiã, sogro de Moises, mostrou-se um prudente conselheiro.

Balaão, entretanto, era possivelmente também um sacerdote, inegavelmente era um profeta, um influente líder religioso, típico de uma geração em decadência espiritual, moral e cultural.

Quando a nação de Israel, não por seus méritos, mas conforme o eterno propósito de Deus e sua infinita misericórdia, após sua libertação do cativeiro no Egito, e ao final de quarenta nos de peregrinação no deserto, começa a conquista da terra de Canaã, aparece Balaão.

Esse homem não era completamente ignorante sobre Deus. Ele mesmo considerava-se um homem com "olhos abertos", “que ouve os ditos de Deus” e que tinha “a visão do Todo-Poderoso” (Números 24.3-4). Ele sabia que como profeta deveria comunicar fielmente a Palavra de Deus (Números 22.18). Entretanto, Balaão era ao mesmo tempo um homem moldado para (e pela) busca da fama e poder. Ele conhecia e desejava a fama e o poder, mais do que servir a Deus. Como sua fama e poder foram obtidos por meio da religião, ele enganava, não somente aos outros, mas também a si mesmo com um falso zelo de profeta – uma falsa declaração da responsalidade de comunicar a verdade, a palavra (pensamento, propósito e vontade revelados) de Deus.

Deus conhecia o coração de Balaão, sabia que era um "marqueteiro" da fé, que trocaria (ou adaptaria) a verdade, a palavra de Deus, por um discurso que lhe trouxesse mais reconhecimento, ganho ou lucro.

Aparentemente, de acordo com a narrativa, Deus intervém, e, de alguma maneira, muda a rotina do religioso "poderoso" (Números 22.6), para falar diretamente ao tal profeta, e através dele. Deus ordena a Balaão que vá, e comunique fielmente o que ouvir, da parte de Deus. Balaão vai, mas, pensando que fará o que costumava fazer, um discurso agradável ao interessado, e receber um pagamento compensador.

Por longo tempo, Deus deixou Balaão enganar multidões que não se importavam em serem enganadas (que por várias gerações haviam abandonado a Aliança de Salvação feita por Deus com Noé e suas gerações), ao ponto de que esse profeta se tornasse conhecido internacionalmente. Porém, agora haveria de ser diferente; por isso, Deus enviou o seu Anjo, não um anjo qualquer, mas, o Anjo do Senhor, o seu Filho Eterno, o Redentor dos homens, Jesus Cristo, antes de sua encarnação.

Balaão, não no princípio, mas depois, viu Jesus Cristo, "com uma espada na mão". Teria sido somente deste modo que o profeta Balaão, pessoal e intimamente, experimentou a palavra de Deus, como uma "espada opositora", e jamais como o "pão” espiritual, pelo qual o homem vive (Mateus 4.4)? Teria Balaão visto Jesus somente com uma espada na mão, e não o teria conhecido como o “pão vivo que desceu do céu”, para dar vida ao pecador, reconciliando-o com Deus (João 46.35, 41, 47-51)? Irônico e contraditório, especialmente tratando-se de um profeta? Triste? Sim, mas infelizmente possível.

Por fim, impedido por Deus de enganar, naquela ocasião, Balaão falou a verdade, comunicou fielmente a palavra de Deus, e, o mais importante, comunicou o próprio Evangelho, referindo-se de modo simbólico à vitoria final de Jesus Cristo sobre os inimigos de Deus e da humanidade, da verdade, justiça e paz (Números 24.17); pois Jesus em sua obra redentiva é o propósito e cerne da Profecia (Apocalipse 19.10).

Entretanto, antes do profeta, foi a sua jumenta que viu o Anjo do Senhor, desviou-se, empacou, e foi espancada pelo profeta. Porém, “O Senhor fêz a jumenta falar” (Números 22.28), e falou a verdade, com justiça e sabedoria. O Apóstolo Pedro referiu-se a este fato, como se segue: “... Balaão, filho de Beor, que amou o prêmio da injustiça, porém, recebeu castigo da sua transgressão, a saber, um mudo animal de carga, falando com voz humana, refreou a insensatez do profeta” (2 Pedro 2.15-16).

Deus fez uma jumenta falar; contudo, e ainda mais extraordinário, Deus fez um religioso, um profeta corrupto, primeiro ouvir a Deus, e depois falar a verdade diante dos homens; e, isto sim, é mais difícil do que um jumento falar.

Este relato incomum, miraculoso e estranho deveria nos impressionar profundamente, pois este é, ainda que limitadamente, uma capacidade, função e objetivo de um milagre. É razoável que Deus, não para responder um arrogante desafio humano, mas, mediante sua soberana vontade e sabedoria, e condescendência, por causa da dúvida de um humilde pecador, às vezes faça sua palavra acompanhada de algum milagre. É por isso que na sua palavra escrita (as Sagradas Escrituras) encontramos registros de alguns milagres.

Entretanto, a jumenta falar não deveria nos causar mais admiração do que a nossa capacidade de ignorar a justiça de Deus, e de desprezar a palavra de Deus, mesmo sendo ativamente religiosos. Sendo do tipo religioso, ou não, precisamos algum dia pedir Deus, com humildade, sinceridade e intensidade: "Desvenda os meus olhos, para que eu comtemple as maravilhas da tua lei (palavra)"; e, "... Ajuda-me em minha falta de fé" (Marcos 9.24).

Precisamos também, sair da sombra dos religiosos poderosos (já mortos ou ainda vivos), saber que não precisamos de intermediários entre nós e Deus, exceto de Jesus Cristo que é Deus:
1.    Em carne, ou encarnado – para ser acessível a nós, ou identificar-se conosco, redentivamente;
2.    Na História – para ser distinto de qualquer mito religioso;
3.    Crucificado – para quitar nossa dívida perante a perfeita justiça divina;
4.    Ressurreto – para ser reconhecido e distinguido como o único Salvador;
5.    Entronizado nos céus – para subordinar todos os poderes, e levar à plena realização a sua obra redentiva;
6.    Havendo enviado o seu Espírito – para não nos deixar agora sozinhos;

7.    E que voltará – para por fim na Terra a injustiça, sofrimento e morte.

Thursday, 11 February 2016

Tem Certeza de que Você É Livre?

Nós que vivemos em modernas democracias, nos julgamos pessoas livres. Cristãos, especialmente Evangélicos, também se gloriam de sua fé libertadora. Porém, será que somos livres, de fato?

Geralmente pensamos que escravos são pessoas pobres e tristes, de passado ou lugares remotos. Até podemos concordar em que há pessoas mais felizes do que outras, que, em geral, pessoas que vivem no chamado primeiro mundo são mais felizes que as que vivem no terceiro, que pessoas ricas e saudáveis são mais felizes que as pobres e doentes, e aquelas que vivem em lugares quentes e claros são mais felizes que as que vivem em lugares frios e escuros.

Apesar do Brasil não ser um país do primeiro mundo, os brasileiros são considerados e se consideram felizes, suas praias, suas festas, especialmente o Carnaval, são amostras desta felicidade. Por isso, os brasileiros também se sentem livres. Porém, nem todo escravo é infeliz.

Na verdade, preferimos a escravidão, desde que sejamos felizes; nos acomodados à escravidão e abrimos mão da liberdade, se o custo desta for alguma tristeza. A pior forma de escravidão é a enganada e passiva, quando trocamos a liberdade por alguma forma de felicidade, satisfação; como é por exemplo a escravidão ao álcool e às drogas.

Entretanto, existem formas mais sutís de escravidão, que aparentemente não trazem consequências tão devastadoras quanto a dependência do ácool e das drogas.

Pensemos na dependência dos modernos ídolos e shows da era mais rica e próspera da humanidade, apesar da miséria que assola várias regiões. Miséria que os habitantes do primeiro mundo ou os moradores das áreas nobres das cidades somente vêem como parte de algum show de TV, ou, poderiam ver, se passassem por ruas de alguma área abandonada na cidade, ou entrassem em algumas verdadeiras favelas, nunca nos ricos shopping centers.

Pare e pense em quanto você gasta para viver feliz: quanto custa o seu “smart phone” e o plano que você paga para desfrutá-lo? Quanto custa o pacote de TV por assinatura, e quanto a mais, você se quiser ver o jogo entre o Barcelona e Real Madri? Quanto custa o sapato, a bolsa, calça ou camisa de suas marcas preferidas?

Estamos pagando um altíssimo preço pela nossa felicidade, estamos gastando toda a nossa renda comprando as coisas que nos trazem felicidade. Além de comprometer toda a nossa renda, estamos pagando juros altíssimos para garantir nossa felicidade. Passamos a vida inteira pagando juros da casa ou apatamento, do carro, da TV, computador, tablet e similares. Pagamos juros de cartão de crédito para comprar alguma roupa de marca, ou aquela camisa com o número e o nome do nosso ídolo (deus) do futebol.

A idolatria desta moderna Babilônia (cidade ou sociedade) em que vivemos nos custa muito caro, nos faz vender nossa liberdade, a nós mesmos, para “comprar felicidades”. Idolatramos artistas, desportistas e nomes ou grifes; por isso, ao final de cada mês voluntariamente teremos trazido ao “altar” dos nossos ídolos grande parte do nosso salário, além do sacrifício ou consagração de nosso futuro (e de nossos filhos) na forma de juros e débitos.

Consideremos a presente situação do Brasil; o país está em meio a maior crise política, econômica, moral, social e de saúde pública, em toda a sua história. Isto acontece pouco depois de uma Copa do Mundo de futebol que deixou várias suntuosas arenas esportivas que que contrastam com grande calamidade vista nas reuas, especialmente em hospitais e escolas. Apesar disso, o recente Carnaval foi um sucesso, e os Jogos Olípicos estão se aproximando, debaixo de todos os holofotes.

Como povo e como indivíduos devemos tomar uma atitude, se percebemos que que nosso barco ou navio está indo de encontro a um iceberg, temos que fazê-lo parar, e mudar de direção. Não podemos continuar descansando no barco ou festejando no transatlântico.

Ainda que não estivéssemos vendo algum sério obstáculo à frente, deveríamos considerar que ele pode estar escondido, e que, se batermos nele, certamente afundaremos.
Pense, se não está na hora de “parar a festa”, o “culto dos nossos ídolos”, encarar, assumir a tristeza que isto vai causar, mas lutar (primeiro contra nossa própria natureza) para alcançar a nossa liberdade.

Não está na hora de parar de comprar os “produtos de nome”, os alimentos processados (mais gostosos e práticos, e mais caros e danosos à nossa saúde)? Que tal dizer não às roupas cujas marcas custam dezenas de vezes mais que o produto em si, e cancelar a TV por assinatura?

Como povo, não passou da hora de mostrar aos nossos líderes que não nos distraímos com “pão e circo”, e que fazemos questão de que eles prestem contas dos serviços para os quais foram eleitos ou designados?

É melhor, se necessário for, ser um triste liberto que um escravo alegre. É melhor ser um pobre livre que um rico escravo; um pobre livre faz melhor uso e investimento de seus parcos recursos que um rico escravo. Um triste pobre livre se enriquece; enquanto o alegre rico escravo se empobrece.




Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente, sereis meus discípulos e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.  Responderam-lhe: Somos descendência de Abraão, e nunca servimos a ninguém; como dizes tu: Sereis livres? Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado.  Ora, o servo não fica para sempre em casa; o Filho fica para sempre.  Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente, sereis livres.  (João 8.31-36)

 E, como aconteceu nos dias de Noé, assim será também nos dias do Filho do Homem. Comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e veio o dilúvio e consumiu a todos. Como também da mesma maneira aconteceu nos dias de Ló: comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavame edificavam. Mas, no dia em que Ló saiu de Sodoma, choveu do céu fogo e enxofre, consumindo a todos. (Lucas 17.26-29)

“Senti as vossas misérias, e lamentai, e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso gozo, em tristeza.  Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará. (Tiago 4.9-10)

 “Os que semeiam em lágrimas segarão com alegria. Aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará, sem dúvida, com alegria, trazendo consigo os seus molhos. (Salmos 126.5-6)