Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fide, Solus Christus, Soli Deo Gloria

Monday, 23 April 2012

Mensagem a um Crente Ansioso por Reforma

 
Sua mensagem me causa um forte e contraditório sentimento; por um lado a grande alegria de no meio de multidões de cristãos ter encontrado mais alguém que tem cuidados semelhantes àqueles que procuro expressar através website, blog e facebook; por outro lado a profunda tristeza de, a cada dia, constatar que o diclínio das igrejas continua se agravando de forma generalizada, em muitos lugares.

Este contraditório sentimento já me acompanha por anos, ele me vem seguindo no exercício do ministério, no pastorado da igreja e no convívio com os crentes em geral. Ele não me foi trazido pela sua mensagem, mas certamente aguçado e reforçado por ela.

Contudo,  entre esta grande alegria e profunda tristeza, devo lhe dizer, que no meu coração há também uma poderosa e incontida esperança que cresce dia a dia; e esta esperança é obra do Espirito Santo, através do diligente estudo das Escrituras Sagradas que, acima de tudo, me levam a cada dia conhecer um pouco mais da infinita glória do nosso Salvador, o Senhor Jesus Cristo, e conhecer cada dia, um pouco mais, da grandeza da obra salvadora que Deus, por milênios, vem realizando através Jesus Cristo, seu eterno e unigênito Filho.

Veja como é gloriosa a Igreja no céu que nunca diminui, mas sempre cresce como uma inumerável multidão (Ap 7.9-17). Quanto a Igreja na terra, como está sempre sob o ataque do império das trevas, em alguns tempos e lugares ela se enfraquece e diminui, e às vezes quase desaparece. Porém, este aparente enfraquecimento e diminuição, na verdade, é somente uma poda soberanamente administrada por Deus para cortar de sua Igreja os ramos que nela estão, mas não lhe pertencem, e limpar os ramos que estão frutificando para que produzam mais (Jo 15.1-8).

Quando vejo a fiel igreja diminuindo e, aquí e acolá, crentes fiéis e meio solitários como você se manifestando, vejo se cumprindo o que Deus já antecipou nas Escrituras. Como, desde o princípio da obra da Redenção, o povo (igreja) de Deus é ameaçado com perseguições, atacado por falsos ensinos e atraído por práticas perniciosas, alguns, às vezes muitos, são seduzidos e se apostatam da fé. Porém, Deus fortalece alguns fiéis pregadores e crentes que chamam toda a igreja ao arrependimento e volta, de todo o coração para Deus. Porém, a apostasia continua crescendo, o fiel remanescente, cada vez, mais isolado e manginalizado na igreja decadente. Isto aconteceu na história, da Queda ao estabelecimento de Israel, em Israel e por fim em seu remanescente Judá. O Novo Testamento antecipou que o mesmo aconteceria na história da Igreja da Nova Aliança. As Igrejas apóstatas existem hoje em todo o mundo, algumas são poderosas financeiramente e influentes política e socialmente; elas competem, perseguem e ridicularizam a fiel Igreja do Senhor, promovendo no mundo o escândalo, confusão, rejeição e suspeita contra o puro Evangelho de Jesus Cristo.

Lembre-se da mensagem de Deus ao profeta Isaías, no dia da comissão deste profeta (Isaías 6.1-13). Após simbolizar a purificação dos pecados de Isaías por uma brasa do altar que tocou os lábios do profeta, Deus convocou o seu servo para pregar ao seu povo já cego, surdo e endurecido pela apostasia. Quando o profeta perguntou até quando ele deveria pregar sem ver arrependimento e conversão, Deus lhe respondeu: “até que as cidades fiquem sem habitantes, as casas fiquem sem moradores, e a terra seja de todo assolada ...” (Isaías 6.11).

Deus compara este juízo sobre Israel (seu povo na Antiga Aliança) como algo mais radical que uma poda, era uma derrubada da árvore, para ser deixado somente o seu toco, contudo, indicando que o toco seria uma “santa semente” (Isaías 6.13). Assim, Deus anunciou o reavivamento da Igreja, que depois de longo declínio, pareceria morta, mas renasceria como vigor, o que efetivamente aconteceu e continua acontecendo na história da redenção.

Para finalizar, quero lembrar a você a mensagem do (não famoso) profeta Hanani ao rei Asa que confiava mais no que seus olhos podiam ver do que na Palavra de Deus; o profeta disse ao rei: “quanto ao Senhor, seus olhos passam por todo a terra, para mostrar-se forte para com aqueles cujo coração é totalmente dele” (2 Cronicas 16.9). Como quem ama ao Senhor e sua Igreja, que deseja ver a noiva (Igreja) do Senhor pura e fiel, consagre seu coração totalmente ao Senhor, e outros, não importa se muitos ou poucos, cujos corações também pertencem totalmente ao Senhor se aproximarão de você. É assim que igrejas são reformadas, avivadas ou reedificadas das cinzas, até o dia da volta do Senhor Jesus.

Muito obrigado por sua mensagem que reforçou meus sentimentos de alegria e tristeza, segundo o Espirito Santo, e pela Igreja de Deus. Muito obrigado por sua mensagem que deu ensejo a mais uma grande manifestação da esperança que igualmente vêm do Espirito Santo que em nós habita.

Friday, 20 April 2012

Quem Está Conquistando Quem: A Igreja ou o Mundo?

Se quisermos uma boa definição de “mundo”, conforme o uso que fazemos da palavra neste ensaio, basta contrastar a palavra “mundo” com a palavra “igreja”. Então, “mundo” aquí não significa o universo físico, nem o planeta Terra. Mundo significa a humanidade sem Deus, sem o conhecimento e aliança com Deus, o Criador. Mundo é um grande sistema alheio a Deus, à sua revelação em Jesus Cristo, e oposto ao propósito divino, tanto na Criação quanto na Redenção.
Por outro lado, a Igreja é a parcela reconciliada com Deus dentre a humanidade, mediante o conhecimento e acolhimento da revelação redentiva de Deus em Cristo. A Igreja é a porção da humanidade que está em aliança com Deus, reconhece a soberania de Deus em toda a Criação, e está compromissada e empenhada em conhecer e viver de acordo com a vontade e propósito de Deus, viver para a glória de Deus.
Mundo é o oposto da Igreja, tudo o que está separado ou fora da Igreja. É importante que se diga que não estamos nos referindo a uma grande hierarquia cristã (Romana, Grega ou Anglicana), nem a uma denominação ou conjunto de denominações cristãs; estamos nos referindo à Igreja de Jesus Cristo na Terra, que é um único corpo cuja cabeça é Jesus Cristo, o único Templo em que o Espírito Santo habita.
Por causa dos que morrem e vão para a Igreja que está no céu (até a volta Jesus) e dos que dia a dia ingressam na Igreja em decorrência da pregação do Evangelho de Jesus Cristo, a totalidade da Igreja na Terra é variável;  porém, a Igreja é a totalidade dos homens e mulheres que professaram sua fé em Jesus Cristo e foram batizados (acompanhados de seus filhos); estas famílias constituem inúmeras congregações (igrejas). Estas igrejas ou congregações reconhecem que as Escrituras Sagradas (as quais preservam e comunicam o Evangelho de Jesus Cristo) são em sua totalidade a Palavra de Deus e, por isso, se reunem regularmente para ouvir a sua pregação ou ensino. Estas congregações também se submetem à direção e governo desta fiel pregação ou ensino da Palavra de Deus e mantêm esta comunhão através da criteriosa celebração da Ceia do Senhor (Santa Ceia), o que demanda o amoroso e fiel exercício da disciplina cristã.
Estas igrejas e seus membros estão na terra, nas cidades ou no campo, entre todas as nações, junto com a humanidade rebelada contra Deus; entretanto, a Igreja (a porção da humanidade reconciliada com Deus) e o mundo (humanidade rebeleda contra Deus) estão separados.    É verdade, a Igreja (ou as igrejas que a constituem na Terra) e o mundo competem. A Igreja quer conquistar o mundo, isto é, subordinar o mundo à soberania de Deus e à liberdade dos filhos de Deus (Romanos 8.20-21ç Colossenses 1.13). Porém, o mundo também quer conquistar a Igreja para a rebelião contra Deus e escravidão ao pecado (Efésios 2.1-3).
A Igreja tem basicamente dois meios de conquista: a demonstração (seu modo de viver ordenado conforme a Palavra de Deus), e a proclamação (a pregação da Palavra de Deus, o Evangelho, ao mundo). A Igreja não pode optar por usar um ou outro meio; ela tem que usar ambos para conquistar o mundo. O mundo tem basicamente três meios gerais de conquista: a perseguição (principalmente pelo controle de instituições como o estado e a religião), a sedução (através do uso do progresso econômico e científico) e a sistematização ou conformação (através da influência na educação e legislação).
Agora podemos responder a nossa pergunta e tema: Quem conquista e quem está sendo conquistando: A Igreja ou o Mundo? É a Igreja que conquista os que estão no mundo para a reconciliação com Deus e a liberdade dos filhos de Deus? Ou é o mundo que conquista a Igreja para a rebelião contra Deus e da escravidão ao pecado?
Para responder esta pergunta, consideremos primeiro como o mundo tem usado os seus meios de conquista. A perseguição já foi muito usada na História da Igreja, Missões, Reforma e Missões Modernas; porém, nos lugares onde a Igreja logrou estabelecer-se, a perseguição é velada e rara. Contudo, nestes lugares onde a Igreja está estabelecida, o mundo tem usado com grande eficiência os outros meios de conquista, a sedução e a sistematização.
Um bom exemplo do uso desses meios de conquista é o grande sucesso com que mundo vem usando a sedução e a sistematização para substituir o relacionamento conjugal (casamento) pela atração (paixão) sexual. O relacionamento conjugal criado por Deus na obra da Criação e redimido por Deus na obra da Redenção (a redundância é proposital), une sexualmente um homem e uma mulher (até que, com tristeza, a morte os separe). O relacionamento conjugal (casamento) consiste, é baseado e iniciado em uma aliança de amor entre um homem e uma mulher, perante Deus, o Soberano Criador. Esta aliança proporciona e proteje mais do que simplesmente o relacionamento sexual, mas também a integridade física, mental, social e espiritual dos cônjuges, e não somente dos cônjuges, mas também de seus filhos (que são o mais importante fruto e alegria provenientes de seu relacionamento sexual).
A atração ou paixão sexual é um acordo temporário que pode ser unilateralmente desfeito, em qualquer momento. A atração sexual não é baseada no amor que, entre outras magníficas qualidades, “não procura os seus próprios interesses” (1 Coríntios 13.5) e “jamais acaba” (1 Coríntios 13.8). É importante observar que o mundo se recusa a chamar a atração sexual pelo seu próprio nome ou algum verdadeiro sinônimo (paixão ou desejo); ele insiste em chamar a atração sexual de amor. Para enganar os incautos, o mundo tira até o adjetivo “sexual”, e faz da palavra amor um sinônimo da relação sexual, como acontece na expressão “fazer amor”.
O mundo usa todos os recursos possíveis de sedução e sistematização para conquistar a Igreja pelo poder da atração sexual. Ele implanta um modelo de progresso econômico que ignora a natural e histórica importância da família (que começa no casamento) no estável e contínuo desenvolvimento econônico de um povo por outro modelo, baseado principalmente no estímulo ao consumo egoísta e desenfreado; ou seja, ele tira o foco dos interesses da família para o estímulo individual ao consumismo.
O mundo usa a música, teatro, cinema e televisão (em algumas situações, até esportes) para promover a nudez, culto do corpo e estilos de vida sexualmente orientados. O mundo usa a moda para inflamar a sensualidade, e usa os recursos da ciência para evitar ou curar as doenças decorrentes da promiscuidade sexual, e contornar as dificuldades surgidas em um relacionamento sexual não protegido pelo casamento, como os “filhos indesejaveis”.
Se não bastassem estes variados recursos financiados pela prosperidade econômica e viabilizados pelo avanço científico, o mundo também vem usado habilmente os meios de sistematização, ou seja, a educação e legislação. Através da educação, que não está restrita à escola, mas se utiliza dos diversos meios de comunicação como Televisão e Internet, o mundo vai solidificando padrões de vida (especialmente em matéria de sexo) que são contrários aos propósitos de Deus, estabelecidos na Criação e reiterados em sua Palavra, as Escrituras Sagradas.
Quanto mais civilizado o mundo estiver ou parecer, mais eficaz ele será nas suas tentativas de resistir àconquista da Igreja e de conquistar a Igreja. O mundo, quando consegue obter e passar a imagem de civilizado, é contra o roubo de propriedade, contra a violência e o homicídio que também são contrários à Lei de Deus. Entretanto, em matéria de sexo, casamento e família, o mundo consegue, ao mesmo tempo, contrariar profundamente os desígnios de Deus e agradar amplamente o homem, de modo que possa manter satisfeita a humanidade rebelada contra Deus e atrair e seduzir a própria Igreja de Deus.
Ao final, todo sistema rebelado contra Deus reencontra o caos; o roubo, a violência e o homicídio crescem, até que dominem. Os ocultos poderes espirituais do mal que controlam o mundo (Efésios 6.11-12), por algum tempo, para consolidar seus alvos de sedução e sistematização, tambem controlam ou mascaram a manifestação do roubo, violência e homicídio; uma vez consolidada essa conquista, essas pragas começam a operar em grande escala.
Todo sistema rebelado contra Deus é auto-destrutivo, o mundo é auto-destrutivo. Todos os valores, conceitos, e regras contrários aos princípios de Deus, estabelecidos na Criação e confirmados na sua Palavra, são auto-destrutivos. Sexo dissociado ou desvinculado do casamento (casamento conforme a Palavra de Deus) subestima e destrói a família que, sendo redimida em Cristo Jesus, se torna geradora de indivíduos que amam a justiça, e, por isso, odeiam o roubo, a violência e o homicídio.
Quando o processo de educação que contraria os princípios e propósitos de Deus já está suficientemente consolidado, o mundo começa a estabelecer leis contrarias à natureza, razão bom senso e à Palavra de Deus. É neste ponto que o meio de conquista pela perseguição da Igreja (antes abandonado por causa da conquista e estabelecimento da Igreja) pode voltar; como já temos visto acontecer nos últimos anos, cada vez mais frequentemente.
E a igreja, como ela está realizando a sua conquista do mundo? Quando a Igreja fielmente usa seus meios de conquista, a demonstração (obediência à Palavra de Deus) e proclamação (pregação da Palavra de Deus), estes próprios meios contribuem para o sucesso da conquista da Igreja; porque:
§   Atraem, apelam e convencem todos aqueles em quem o Espírito Santo remove o ódio e a rebeldia contra Deus;
§   Mantêm fora da igreja os que em seus corações se permanecem rebelados contra Deus.
Entretanto, se ou quando a Igreja, em algum tempo ou lugar, perde o amor (a Deus e ao próximo), deixando de ser obediente à Palavra de Deus e abandonando a fiel pregação da Palavra de Deus (Apocalipse 2.1-7), o mundo seduz essa igreja, nela se infiltra e cresce dentro dela. Por fim, o mundo, crescendo dentro daquela Igreja, rompe sua última e fina camada (casca); e, pelo menos naquele tempo ou lugar, o mundo completa sua conquista; e a Igreja pode desaparecer.
Considerando, o evangelho que a Igreja contemporânea está pregando (diluído da doutrina bíblica da salvação, descentralizado do Cristo revelado na Bíblia ou apresentando um Cristo desfigurado de sua glória) e o estilo de vida da Igreja (contrário aos valores do Reino de Deus expressos por Jesus Cristo no Sermão do Monte) em geral parece que é o mundo quem está conquistando, especialmente no mundo ocidental, em que ainda vê vestígios de uma “cultura cristã”.
A Igreja pode retomar a posição de conquistadora; porém, para isto, ela precisa voltar a usar os seus meios de conquista: a demonstração e a proclamação; contudo, isto somente acontecerá se a Palavra de Deus de voltar ao seu lugar único e absoluto na vida da Igreja.
Quando a Igreja ama a pregação ou ensino da Palavra de Deus, ela resiste às armas de conquista do mundo (perseguição, sedução e sistematização). Restaurada a pregação da Palavra de Deus ao seu lugar primordial, a Igreja hoje precisa ter especial cuidado com sedução e a sistematição, e especialmente em matéria de sexo, casamento e família, áreas em que a Igreja tem se mostrado mais vulnerável. A Igreja (e cada crente) precisa ter muito cuidado com a música que ouve, ao que vê e ouve no cinema, teatro, televisão, e internet. A Igreja ter cuidado com tudo o que ouve ou lê (venha do jornalismo ou da universidade).
A igreja e suas famílias precisam recuperar a santidade do processo de preparação para o casamento dos seus filhos; pois muitos jovens, ao invés de conquistadores, têm sido conquistados e feitos escravos pela imoralidade sexual.
A Igreja ocidental contemporênea está seduzida pelas promessas de saúde perfeita e riqueza (que partem da maioria de seus próprios pregadores), e seduzida pela expectativa de ser grande e aprovada pelo poderosos do mundo. Muitos na Igreja pensam que a Igreja está conquistando o mundo; mas é o mundo que está conquistando a Igreja. A Igreja somente voltará a conquistar o mundo, se ela mesma for novamente conquistada pelo amor, apreço, desejo, fome e sede da Palavra de Deus.