Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fide, Solus Christus, Soli Deo Gloria

Wednesday, 8 April 2015

PARA QUEM A BÍBLIA FOI ESCRITA?

A Bíblia foi escrita para toda a humanidade, para gente de todas as nações, todas as culturas, todas as línguas, e todas as épocas. A Bíblia trata da relação entre Deus e o ser humano; a Bíblia informa ou comunica que o homem não precisa procurar o caminho para o encontro com Deus; porque é Deus quem vem ao encontro do homem, em Jesus Cristo; e este é um tema de interesse universal, de toda gente, independentemente de qualquer circunstacial diferença entre os seres humanos.

A Bíblia traz sentido ou propósito à existência humana ao afirmar que Deus é o Criador dos céus e da terra, e de tudo o que neles há (Gênesis 1), e que o homem é a obra prima de Deus (Salmos 8), por ser a “imagem e semelhança” do Criador (Gênesis 1.27). A Bíblia também revela que Deus quiz dar ao homem a “vida eterna” (Gênesis 2.9); ou seja, Deus quiz fazer com o homem uma aliança eterna, estabelecer com o homem um relacionamento eterno, um relacionamento que não pudesse jamais ser interrompido ou desfeito, por nenhuma causa ou razão.

Entretanto, para que esta aliança e relacionamento eternos sejam possíveis o homem precisa ser santo; porque Deus é essencialmente Santo (Mateus 5.48). Para entrar em uma aliança de eterno relacionamento com Deus, o homem não poderia conhecer o mal, ter conhecimento prático ou experimental do mal (Gênesis 2.16-17); isto é, o homem não poderia pecar (Romanos 5.12), ou transgredir a justiça (1 João 3.4). O pecado (experiência do mal, prática da injustiça) trouxe ao ser humano e à Criação as mais devastadoras consequências; dentre todas, a morte do ser humano é a principal, a perda do acesso ao fruto da “Arvore da vida” (Gênesis 3.22), a impossibilidade de entrar na Aliança de eterno relacionamento ou comunhão com Deus.

Embora o homem tenha preferido o conhecimento prático do mal (a injustiça ou pecado), Deus não abandonou seu propósito de fazer com o homem uma Aliança de vida eterna. Por isso, Deus providenciou que aquele simbolizado na “Árvore da vida” (João 1.1-4; 5.21-26; 6.32-35; 11.25), o divino doador da vida eterna, seu eterno Filho, uma das três pessoas do único Ser Divino – Pai , Filho, Espírito Santo (João 1.5-14), assumisse a natureza humana e sofresse o justo juízo pela “experiência prática do mal”, o pecado (João 1.29);  e assim, fosse gratuitamente oferecida ao homem a Aliança da vida eterna (João 3.16), mediante o arrependimento (ódio, aversão, desprezo) do pecado (Atos 2.38; 3.19), e fé no despenseiro da vida eterna, feito também intercessor pelos pecadores, Jesus Cristo (João 20.30-31). Isto é o Evangelho, a boa nova, que a Bíblia quer comunicar a toda a humanidade, sem qualquer distinção.

Portanto, a Bíblia foi escrita para todos, homens e mulheres, adultos, jovens e crianças, ricos ou pobres, aos que parecem livres e aos presos, àqueles que vivem nas mais modernas cidades e aos que vivem em tribos isoladas. A Bíblia revela as “insondáveis reiquezas do conhecimento de Deus”, ma se comunica de forma simples e clara. O conteúdo geral e mensagem central da Bíblia são de absoluta relevância para filósofos, historiadores, literatos, cientistas e juristas; entretanto, a Bíblia foi escrita especialmente para, idependentemente de cultura ou língua, a pessoa mais simples, para o comerciante, o pescador o trabalhador rural, para a dona de casa e para as crianças.

O idioma Hebraico tem suas raízes na antiga Mesopotâmia, berço da humanidade e lugar onde floresceram as mais antigas e influentes civilizações, de onde também saiu Abraão. Chegando à região chamada Canaã, Abraão encontrou povos que falavam dialetos semitas, como era o seu próprio. O hebraico se desenvolveu como a língua de uma nação nos 400 anos de segregação de Israel no Império Egípcio; neste idioma idioma semítico, Moisés escreveu o Pentateuco (os cinco primeiros livros da Bíblia). O Aramaico, também língua semítica, durante séculos amplamente falada no Crescente Fértil (a extensa região onde aconteceram os fatos relatados no Antigo Testamento), e muito empregada, tanto na diplomacia como no comércio, foi utilizada para a composição de pequenas porções da Bíblia, especialmente o livro de Daniel. No III século aC, o Antigo Testamento já estava completamente traduzido para a língua então dominante no mundo, o Grego. Foi neste idioma, predominante na parte mais oriental do Império Romano, que o Novo Testamento foi inteiramente escrito. O grego do Novo Testamento é mais precisamente identificado como o Koinê, a forma mais popular que o Grego Clássico tomou, posteriormente.

O Antigo Testamento foi escrito na língua de um povo humilde, escolhido e preservado por Deus para, por meio deste povo (Israel), trazer ao mundo o Messias (Cristo), bem como prover o seu necessário testemunho profético e histórico, a Bíblia. Para demonstrar o propósito universal da Bíblia, o Novo Testamento  foi escrito na língua comum aos vários povos que, subordinados ao Império Romano, em sua parte oriental, circundavam a região onde Jesus nasceu, pregou, deu todas as evidências de ser o Cristo, morreu em lugar dos pecadores, perante a justiça divina, ressuscitou dentre os mortos, e ascendeu glorificado nos céus.

A partir do Hebraico e do Grego, versões completas  (AT e NT) da Bíblia foram multiplicadas nas língua dos mais diversos povos, através dos séculos; e, até hoje, a Bíblia é o livro mais traduzido em diferentes idiomas.

A Bíblia foi escrita não para pessoas com inteligência acima da média ou educação elevada, de modo que as pesssoas comuns e de pouca instrução formal tivessem que se esforçar acima de sua capacidade intelectual para entendê-la; nem, tão pouco foi a Bíblia escrita para privilegiar ou atender às exigências de qualquer campo da erudição humana. Ao contrario, a Bíblia foi escrita para alcançar os menores, os mais simples, para que assim pudesse alcançar a todos. São os considerados mais inteligentes e educados que devem ser humildes ou simples para, livres de preconceitos, ler e estudar a Biblia com proveito. De fato, se Deus mesmo não houvessse se inclinado ao nível do conhecimento, perspectiva e linguagem humana, jamais teria havido comunicação entre Deus e o homem.   

Respondendo uma questão a  respeito de quem é maior no reino dos céus, Jesus declarou que quem não se tornar humilde como uma criança. "de modo algum" entrará no reino dos céus (Mateus 18.1-4). Em outra ocasião, Jesus exclamou: "Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos" (Lucas 10.21).

O apóstolo Paulo escreveu: "Vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados.  Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes. E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são para aniquilar as que são; para que nenhuma carne se glorie perante ele." (1 Coríntios 1.26-29)

Escrevendo aos seus cooperadores, Timóteo e Tito, ao primeiro por causa de sua juventude, ao segundo por razão específica desconhecida, Paulo os encoraja a ler, pregar e ensinar as publicamente a Bíblia, as Escrituras Sagradas, a despeito de qualquer forma de despreso por parte de seus ouvintes (1 Timóeteo 4.12-13; Tito 2.15).

Na segunda carta de Paulo a Timóteo, encontramos outra evidência de que a Bíblia ou "as sagradas letras", foiram escritas para as crianças: “Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido.  E que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça, para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra.”  (2 Timóteo 3.14-17)

A qualificação dos presbíteros, que são homens encarregados especialmente da responsabilidade de supervisão do ensino na esfera de cada igreja, é uma evidência de que a Bíblia foi escrita para o homem comum; pois não se requer daqueles que servem no presbiterato formação em qualquer área do conhecimento humano, exceto que estes conheçam a Bíblia, ao ponto de poderem ensinar a outros, além, é claro de sua piedade, ou vida em conformidade com o ensino que terão de supevisionar  (Tito 1.5-9).

A qualificação dos Apóstolos não era extraordinária; exceto Mateus que era empregado da receita do Império Romano, os demais apóstolos eram pescadores; e nenhum deles tinha qualquer graduação teológica, foram todos formados no discipulado exercido por Jesus Cristo.

Paulo, melhor educado formalmente que os damais Apóstolos, pregou simplesmente a “palavra da cruz”, o “Cristo crucificado”, a mensagem acessível à pessoa mais simples, humilde, não para impressionar os sábios (1 Coríntios 1.18-2.5).

Doutores (em quaisquer campos da ciência) e teólogos precisam ser humildes, como crianças, para pedir a assistência do Espírito Santo, e se deixarem conduzir por Ele na leitura e estudo das Escrituras, exatamente da mesma forma, e com a mesma necessidade com que crianças, homens e mulheres simples, iletrados, são conduzidos (João 16.7-14).

Não se deixe intimidar pelos títulos  religiosos (reverendo), nem pelos graus de escolaridade (mestrado, doutorado). Porém conserve a humildade, não despreze a  ajuda de um outro estudante da Bíblia ou de um mestre, desde que reconheçam a importância fundamental da iluminação do Espírito Santo, da autoridade do todo das Escrituras Sagradas para a interpretação de cada uma de suas partes, e da centralidade de Jesus Cristo, nas Escrituras.

A Bíblia foi escrita para você, que quer conhecer a Deus (além do que é possível aos pecadores, somente pela observação da Criação, e simples uso da razão), A Bíblia foi escrita para você que quer a vida Eterna (João 5.39), entrar na Aliança do eterno relacionamento com Deus, e quer serví-lo fielmente.


Thursday, 19 March 2015

SE NÃO TIVÉSSEMOS A BÍBLIA

Se Não Tivéssemos A Bíblia, Nada Saberíamos sobre Deus Com Certeza

Como conhecer aquele que, por definição, é o único ser eterno e infinito, incompreensível? Somente na na medida em que Ele se fizer conhecível. Somente se Ele se comunicar conosco de modo objetivo, e por um meio acessível. Entretanto, esta comunicação teria que ser de alguma forma pública e disponível também a todo que se interesse, para escapar ao subjetivismo de uma revelação secreta. É isto o que é a Bíblia, a comunicação de Deus conosco em palavras, e palavras escritas; porque:
§   Esta comunicação deveria ser definitivamente preservada.
§   Seu caráter de comunicação de Deus deveria ser passível de verificação; pois afinal, ela subsiste no meio de outras alegadas revelações de caráter espiritual ou religioso.

A apresentação que a Bíblia faz de sim mesma como Palavra de Deus, pode ser inteligente e racionalmente verificada, desde que o interessado ponha de lado os pressupostos preconceituosos que negam:
§   A existência de de Deus,
§   A habilidade de Deus operar antes, sobre ou até sem o concurso da natureza (milagre),
§   O propósito e possibilidade de Deus se comunicar com o homem.

Superados os preconceitos acima mencionados, o leitor e estudioso da Bíblia verá, que sob os mais rigorosos testes (da Razão e da História), a Bíblia dá evidências de ser o que ela é, tal como se apresenta, a infalível Palavra de Deus.

Entretanto, se não tivéssemos a Bíblia, não conheceríamos a Deus ao ponto de abandonar toda crendice ou incredulidade para adorar a Deus “em espírito e em verdade” (João 4.24).

Se não tivéssemos a Bíblia, em que pese toda a evidência da Criação (Romanos 1.19-20), não saberíamos com certeza que Deus é eterno: não têm princípio, nem fim, não foi criado, simplesmente “É o que É, eternamente, e jamais sofrerá qualquer mudança.

Se não tivéssemos a Bíblia, não saberíamos com certeza que Deus é Santo e Justo. Como as mitologias criaram deuses com virtudes e defeitos; assim, há muitos monoteístas e até declarados cristãos que ignoram ou insitem em limitar a justiça de divina na retribuição aos pecadores, ficando também, consequentemente, limitados na apreciação da incompreensível graça de Deus, no perdão a pecadores (Romanos 6.23).

E não sabendo que Deus é Santo e Justo, também não saberíamos que esta é razão fundamental de todas as nossas misérias – Deus é santo e nós somos pecadores. Sem a Bíblia, não saberíamos que a mais profunda causa de todas as nossas misérias é a imensurável distância de Deus, em que os nossos pecados nos fizeram e nos fazem permanecer (Isaías 59.2).

Se não tivéssemos a Bíblia, não saberíamos que Deus é um ser triúno, um Ser único e indivisível, mas, eternamente três pessoas: o Pai, O Filho e o Espírito Santo. A eterna existência de Deus em três pessoas é essencial ao caráter único (não há outro igual), completo e ilimitado de Deus. Por exemplo, a redenção (salvação) de pecadores seria absolutamente impossível  sem que o Pai permanecesse no Trono como Juiz, o Filho descesse para ser o intercessor (1 João 2.1-2), e o Espírito trouxesse o pecador de forma voluntária, convencida, humilde e suplicante (João 16.7-14).

Se não tivéssemos a Bíblia não saberíamos com certeza que Deus é onipotente e soberano; portanto, que Ele é absolutamente capaz de trazer à plena consumação todos os seus santos propósitos, tanto na Criação quanto na Redenção (Isaías 46.8-11).

Se Não Tivéssemos A Bíblia, Pouco Saberíamos Sobre o Universo e o Homem Como Criação de Deus

Se não tivéssemos a Bíblia, não teríamos uma racional resposta sobre a orígem do universo e do homem – “No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gênesis 1.1), e  ficaríamos antre as especulações humanas: religiosas, filosófica e científicas.

A Bíblia não nos explica como Deus criou o universo; ela nos revela que Deus criou o universo. Como explicar o inexplicável, incompreensível, como explicar o milagre, a obra que somente Deus é capaz de realizar? Como explicar o que não se repete continuamente na natureza, exceto somente se, quando e onde Deus quer?

A Bíblia nos revela que Deus criou o universo em seis estágios, identificados como seis dias. O que Deus criou em seis dias, a ciência contemporânea em geral admite que veio a existir apartir de de 13 bilhões de anos, aproximadamente.

De fato, Deus não precisava de um dia para completar cada estágio da Criação, nem tão puco de um só dia ou hora para iniciar e concluir toda a Criação. Algumas das coisas criadas por Deus, não obstante sua complexidade, como por exemplo a luz (Gênesis 1.3), passaram a existir  instantaneamente (não devido a algumas horas de trabalho), imediatamente após sua Palavra ou ordem criadora. Alguns arranjos, como a separação entre as águas, podem ter demorado algum tempo para se completarem, entretanto, começaram imediatamente após a ordem de Deus. Embora toda a Criação tenha sido completada na chamada semana da Criação, todo movimento que ocorre no universo e toda mudança que acontece na terra são acompanhados e controlados por Deus, conforme seus desígnios (Habacuque 3).

Conforme o relato do livro de Gênesis, na criação dos céus e da terra, parece que Deus, da incompreensível distância de sua eternidade e infinitude, criou e arranjou tudo. Entretanto, na criação ou formação do homem e da mulher, parece que Deus, em algum sentido, “desceu” à terra, “chegou bem próximo do chão”, ao ponto de tomar seu elemento físico ou matéria prima para a fomação do homem homem – o “pó da terra”, e lhe soprar “nas narinas o fôlego de vida” (Gênesis 2.7).

Embora o relato de Gênesis, especialmente no capítulo 2 (em que o foco passa da criação dos céus e da terra, para a criação do homem e da mulher), indique um lapso de tempo entre a criação do homem e da mulher, ambos foram criados no sexto dia da criação, não em um processo indireto e lento, mas como resultado imediato e instantâneo da obra ou ação criadora de Deus.

Se não tivéssemos a Bíblia, não saberíamos com certeza que fomos criados à imagem e semelhança de Deus;  que, mediante a ação criadora de Deus, viemos imediatamente à existência já como a imagem e semelhança de Deus. Como os cientistas contemporâneos, em geral,  se sentem na obrigação de ignorar a explicação mais razoável – a criação por Deus; eles hoje optam pela evolução fortuita, acidental, ou sem propósito.

Entretanto, discutir se os dias da criação eram “24 horas cronometradas”, isto é uma forma de anacronismo, é ignorar a intenção do comunicador ou autor e o interesse do ouvinte ou leitor. Além disso, 24 horas são uma eternidade comparadas ao tempo entre a palavra de Deus e o surgimento da coisa criada ou arranjo ordenado. De fato, 24 segundos já é tempo de sobra para Deus criar ou transformar qualquer coisa; pois ele tudo faz pelo poder da sua palavra somente (Hebreus 11.3)

O relato da Criação, encontrado no livro de Gênesis, não tem a finalidade de educar o homem para a ciência, mas instruí-lo para a salvação, para promover a reconciliação da criatura com o seu Criador (2 Timóteo 3.14-17).

Se não tivéssemos a Bíblia não saberíamos que fomos criados para o relacionamento com Deus, não um relacionamente temporário, mas eterno. Portanto, sem a Bíblia não saberíamos que fomos criados para a existência e vida eternas. É somente através da Bíblia, a Palavra de Deus escrita, que podemos saber que, antes da Criação, era propósito de Deus nos dar a vida eterna (Gênesis 2.9; 3.22).

Se Não Tivéssemos A Bíblia, Absolutamente Nada Saberíamos Sobre a Ação Redentiva de Deus

A vida na terra parece um presente que recebemos, gostamos, e nos apegamos muito a ele, mas é temporário, certamente nos será tirado. Na vida, também experimentamos muitas tristezas e sofrimentos; porém, a grande maioria das pessoas ama viver, e gostaria de nunca morrer. Não tanto, pelos sofrimentos da vida, mas especialmente por causa da morte, algumas pessoas se recusam a crer na existência de Deus, e reconhecê-lo como o Criador.

Sem a Bíblia jamais saberíamos que Deus não tem prazer na morte dos homens, nem na morte do mais odiável pecador (Ezequiel 33.11); e que, como já temos indicado acima, ao contrário, Deus criou o homem com o propósito de lhe dar a vida eterna. Sem a Bíblia, também não saberíamos que a morte é a consequência óbvia, e justa retribuição por havermos introduzido o pecado (toda forma de transgressão da lei de Deus, a que define e orienta a nossa relação com Deus e o próximo) no universo da Criação de Deus (Romanos 6.23). Conforme a lei e justiça divinas, nós merecemos a morte; pois trouxemos para a Criação as coisas abomináveis tais como: mentira, injustiça, violência, infidelidade etc.

Além, disso, se não tivéssemos a Bíblia, não teríamos uma revelação redentiva, que é a História e Doutrina da Redenção, produzidas por Deus, mediante a instrumentalidade de homens (2 Pedro 1.16-21). Se não tivéssemos a Bíblia, nós jamais saberíamos que não obstante o fato do homem haver pecado, Deus não desistiu de seu propósito de dar-lhe vida eterna, pois, de antemão, já tinha um infalível Redentor (João 3.16).

Se não tivéssemos a Bíblia, não poderíamos rastrear a profecia relativa a Jesus Cristo – o Redentor prometido, e não teríamos um testemunho fiel da vida de Jesus Cristo como o evidente cumprimento da profecia, desde o seu nascimento, até sua morte por causa dos nossos pecados e ressurreição, para nossa justificação e reconciliação com Deus (Romanos 4.23-5.1). Através da Bíblia, obtemos o conhecimento de Jesus e da vida eterna (João 5.39).


Se não tivéssemos a Bíblia nós viveríamos e morreríamos sem uma sólida esperança. Entretanto, através da Biblia sabemos que quando morremos (fisicamente), nosso relacionamento com Deus não sofre qualquer forma de descontinuidade, ao contrário, já livres que qualquer sofrimento e tentação ao pecado, permanecemos em comunhão com Deus (1 Coríntios 5.1-8; Apocalipse 6.9-11); enquanto também aguardamos a ressurreição de nossos corpos, então tornados imortais. Através da Bíblia, sabemos também que Jesus Cristo voltará visivelmente, e reinará eternamente sobre o universo “recriado”, com a humanidade redimida e ressurreta (Mateus 24.29-31; 1 Coríntios 15.50-58; Apocalipse 21.1-4, 21-27; 22.1-5).

Saturday, 7 March 2015

Sobre o que é a Bíblia?

A Bíblia é um conjunto de documentos (Livros) que têem por objetivo demonstrar  que o Deus Criador passou a ser também o Redentor da Criação. Conforme a Bíblia, a infelicidade humana não é uma simples condição natural, mas consequência da quebra do relacionamento entre o homem e o seu Criador – Deus.

Conforme a Bíblia, o homem desejou autonomia ou independência em relação a Deus, desafiou a Lei de Deus, o Criador, o que a Bíblia chama de pecado ou trangressão de Lei de Deus (1 João 3.4). Quebrada a relação do homem com Deus, o homem também perdeu a vontade absoluta e a habilidade para viver bem ( em harmonia)  com o Criador, com o seu semelhante (outros seres humanos) e a criação em geral.

A Bíblia é a Palavra ou Revelação de Deus ao homem, dando ao homem o conhecimento de que o Criador passou a agir como Redentor, para trazer toda a Criação de volta ao propósito original do Criador.

Deus criou os “céus e a terra” (Gênesis 1.1) para serem governados pelo homem, em submissão e acordo com Deus – o Criador (Gênesis 1.26-27); porém, ao ter quebrada a sua relação com Deus, o homem perdeu a vontade absoluta e habilidade de se governar, e de governar a Criação conforme os santos desígnios de Deus.

O homem, como criatura feita à imagem e semelhança de Deus, continua sob a responsabilidade de viver em harmonia e governar bem a Criação, os céus e a terra; entretanto sua vontade está dividida entre a vontade racional e a vontade pessoal; esta corrompida pela quebra do relacionamento com Deus, e sua inconformação com o propósito e lei de Deus.

O homem está sempre tentando dominar a Criação para o seu próprio (particular, egoístico) benefício, não como servo, não ministro de Deus na Criação, mas usurpando o lugar de Deus, colocando-se no centro da Criação. Porém ao ignorar as características e propósitos da Criação, o interesse ou bem do seu próximo e a soberania de Deus, cada progresso que o homem alcança se torna em uma ameaça maior à Criação em geral. A ciência e a educação antropocêntricas jamais levarão o homem a atingir uma era áurea de justiça, paz e prosperidade permanentes.

A Bíblia é um conjunto de documentos (como já afirmado) que demonstra que Deus está mais interessado que o próprio homem, absolutamente determinado em redimir a sua Criação. E para redimir (salvar) a Criação, Deus tem que intervir, Deus tem que restaurar o relacionamento com o homem, relacionamento que fora quebrado.

A Bíblia demonstra, através de uma sucessão de documentos históricos, escritos (é óbvio) por homens, homens escolhidos e chamados por Deus para testificar os atos e mensagens (palavras) redentivas de Deus, à humanidade (1 Pedro 1.6-12; 2 Pedro 1.16-21).

A Bíblia registra vários atos redentivos de Deus, desde a salvação de indivíduos, famílias e nações. Entretanto, o ato redentivo central de Deus é absolutamente surpreedente e inimaginável a homem, mas também, cuidadosamente antecipado, delineado na Bíblia.

A ação redentiva central de Deus é sua própria encarnação, a encarnação do eterno Filho de Deus (pois Deus é um ser único, mas triúno – o Pai, o Filho e o Espírito Santo), a vinda do Cristo, antecipado, promentido; conforme cuidadosamente documentam as Escrituras Sagradas, a Bíblia.

Todas as ações redentivas de Deus no passado, as do presente, e todas que ainda possam acontecer, dependem completamente da encarnação de Jesus Cristo, a vinda do prometido Salvador.

É por isto que Jesus é centro da Bíblia, a Bíblia deve ser interpretada a partir deste que é o seu fundamental desíginio – revelar como Deus redime a Criação através de Jesus Cristo.

A proposta (proposição) da fé ou confiança em Jesus Cristo, não é um chamado à confiança em uma experiência religiosa isolada e subjetiva, é um chamado ao exame da História da Redenção, do registro idôneo da ação redentiva de Deus, testemunhada através da História, ao longo de milênios.

Não há qualquer razão para se duvidar da credibilidade e competência dos que escreveram os documentos que formam a Bíblia. Apesar da diversidade pessoal e cultural, é impressionante a unanimidade dos autores da Bíblia, quanto a revelação dos atributos de Deus e de seus propósitos redentivos. Outro impressionante aspecto das Escrituras Sagradas é a sua progressividade e consistência na comunicação dos propósitos redentivos de Deus, que culminam na vinda do glorioso Messias, ou Cristo.

A Bíblia não trata, como muitos supõem, do meio de nos aproximamos de Deus, ou de como vivemos de modo agradável a Deus. A Bíblia é totalmente voltada a nos revelar como o Deus Santo se aproxima de nós, pecadores, isto é, através do Cristo prometido, Jesus.

Até a razão, especialmente na medida em que é santificada pelo relacionamento com Deus, é capaz de nos indicar como podemos agradar ao Deus Justo e Santo; pois a Lei está impressa na mente humana (Romanos 2.15). Porém, sem a Bíblia o homem fica completamente sem pistas sobre como ele pode se aproximar de Deus. A Bíblia nos revela que nossas boas obras não  compensam os nossos pecados (Isaías 64.6; Tiago 2.10). A Bíblia nos esclarece que somente o sangue de Jesus Cristo, cobre (apaga) os nossos pecados (1 João 1.5-2.1), e somente as suas obras são suficientemente boas para os padrões da Justiça divina (1 Pedro 2.21-22).

A Bíblia é Palavra de Deus quanto a redenção do homem e da Criação, por meio de Jesus Cristo. Não seja omisso, nem preconceituoso; examine a Bíblia. A redenção da Criação depende do conhecimento que somente ela proporciona. A sua redenção depende do conhecimento e fé em Jesus Cristo.

“E tudo isso provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados, e pôs em nós a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamos-vos, pois, da parte de Cristo que vos reconcilieis com Deus. Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.” (2 Coríntios 5.18-21)

Friday, 6 February 2015

É o Evangelho das Sagradas Escrituras o Que Vem Sendo Pregado Hoje?

Deixando de lado o descarado comércio da fé que usa a promessa de cura das enfermidades como promoção para reunir pessoas e que a estas promete solução de todos os problemas e o sucesso financeiro em troca do dízimo, consideremos uma forma bastante polida ou “politicamente correta” de pregar um “outro evangelho” que tem substituído o “Evangelho”.

Este “outro evangelho” parece uma tentativa sincera de fazer Jesus Cristo relevante para presente geração, e um bem intencionado desejo de fazer a Igreja retomar o seu crescimento. A Reforma do século XVI foi um bem sucedido esforço no sentido de libertar o Evangelho do peso das tradições humans acumuladas, especialmente durante a Idade Média. A Reforma foi um trabalho de retirada ou extração de inúmeros dogmas religiosos, criados pela tradição e incorporados ao Evangelho.

Porém, o que se pretende hoje é retirar do Evangelho seu conteúdo essencial, encontrado somente nas Escrituras Sagradas. A razão desta  redefinição do Evangelho é que parte de seu conteúdo é inaceitável ao homem contemporâneo.
Recentemente, lendo um manual que visa estimular e habilitar pessoas a dar o testemunho de sua fé em Jesus Cristo, cujo título é “Bursting Your Bubble”, ou seja, “Estourando a Sua Bolha”, observei a proposta de uma dramática mudança no conteúdo do Evangelho.

Segundo Esse Outro Evangelho, Pecado é não ser Perfeito.

Neste manual encontrei o seguinte conselho: “evitar o uso de palavras bíblicas (Evangeliquês)* como salvo, convertido, ou pecado” (pagina 5).

Além do pernicioso conselho para evitar palavras que foram inspiradas por Deus para comunicar o Evangelho, o manual redefine o conceito bíblico de pecado “... por definição, somos todos pecadores porque não somos perfeitos” (página 39)

Entretanto, a Bíblia claramente define pecado como “trangressão da lei” (1 João 3.4), isto é da eterna e imutavel Lei de Deus que, em princípio, foi comunicada na forma de Dez Artigos ou Mandamentos, e pode ainda ser resumidada em dois (Mateus 22.34-40):
1.    Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. 
2.    Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

Na Bíblia, pecadores não são descritos como imperfeitos. Ao contrário, as Escrituras afirmam que o homem foi criado por Deus “reto (justo), mas ele (o homem) buscou muitas invenções”, isto é malignas invenções. Portanto, o homem foi criado perfeito, mas por sua própria responsabilidade, vontade e ação perdeu a perfeição ou retidão original.  Algo pode ser imperfeito, entretanto essencialmente bom; como perfeito é 100%, completamente sem defeito; porém, 90%, embora não seja perfeito, é muito bom.

Entretanto, ao referir-se ao homem, pecador, e tendo a sua relação com Deus quebrada pela própria escolha do homem, a Bíblia trata-o, não como 90% ou 70% bom, nem mesmo como 50% bom; as Escrituras Sagradas declaram que o homem é 100% mau, corrompido (Romanos 3.9-18).

A idéia de que “somos pecadores porque somos imperfeitos” é compatível com o conceito evolucionista que permeia pensamento contemporâneo, porém é totalmente estranho às Escrituras. Em Gênesis 6.4 lemos: “E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente.”

Segundo Esse Outro Evangelho,O Homem merece Ser feliz.

Evitando falar sobre pecado, especialmente evitando a correta definição de pecado, sua gravidade e terríveis consequências, na nova proposta evengelística, Jesus ou Cristo passa a ser a solução ou terapia para certas indesejáveis “emoções” humanas como “ira, resentimento, temor, culpa, materialismo e necessidade de aprovação”, como é possível inferir do referido manual  (paginas 16-17).

Este manual destinado a promover evangelismo também adiciona: “... como cristão, você tem o poder do Espírito Santo para ajudar você a lidar com elas (aquelas emoções idesejáveis) página 16; e mais: “... ser Cristão signifca que podemos contar Deus para obter graça e força”, página 17.

Porém, a Bíblia afirma que o homem necessita, não de um remédio ou terapia para corrigir uma deficiência, não de um poder extra para realizar suas potencialidades, mas do poder de Deus que ressucita mortos espiritualmente (Efésios 2.5), que amolece corações de pedra (Ezequiel 36.26).

Conforme as Escrituras Sagradas, a possibilidade do homem ser feliz não é uma questão de merecimento humano, mas exclusivamente da misericórdia divina; pois está escrito: “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor.” (Romanos 6.23); e mais: Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)… (Efésios 2.4-5)

Portanto, o que o homem merece, não é ser feliz, mas a morte, eterno banimento da presence e comunhão com Deus. Isto não soa simpático, atraente ou “politicamente correto”; contudo é isto o que as Escrituras Sagradas afirmam.

O Evangelho das Escrituras Sagradas é o anúncio de que “Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores” (1 Timóteo 1.15); isto é, transgressores da Lei, que merecem, não a felicidade, mas a morte, o banimento da presença de Deus.

Segundo Aquele Outro Evangelho, Jesus Cristo É um Necessário Complemento para que o Homem Seja Perfeito e Feliz.

Evitando a definição bíblica de pecado, e interpretando erradamente Efésios 2.8, o mencionado guia de evangelismo afirma: “Deus deu o seu Filho como um presente para que tenhamos a vida eterna.  Mas, nós precisamos aceitar este presente, antes que sejamos beneficiados por ele. Exatamente como um presente de aniversário, você prescisa aceitá-lo ou ele será inútil”, página 39.

Como o guia se recusa a considerar seriamente (biblicamente) o pecado, não há orientação a um chamado do homem ao arrpendimento, mas simplesmente um apelo à fé em Jesus.

O Evangelho bíblico é para pecadores, homens que precisam ser salvos, mas que precisam reconhecer a gravidade e malignidade do pecado (transgressão da Lei), pecadores que precisam mais (e antes) do que simplesmente desejar felicidade, precisam se arrepender dos seus próprios pecados.

O Evangelho das Escrituras não um presente de Deus para para “inocentes ou bons meninos e meninas”, é perdão a homens e mulheres que são maus, e que subverteram ou arruinaram a Criação Deus, homens e mulheres que invejam, mentem, traem, roubam e matam.

Sem considerar a gravidade do pecado e suas consequências, esse outro evangelho não ofende nem humilha qualquer pecador, na verdade áte agrada. Porém, tal evangelho produz um tipo de cristão que não entende e não tem a devida apreciação pela justiça de Deus, e, consequentemente, nem pela graça de Deus. Para tais cristãos, a morte de Jesus Cristo não tem a devida relevância, a relevância que as Escrituras Sagradas lhe atribuem; pois, este outro Evangelho em que cretram subestima a cruz e o sangue de Jesus Cristo, em completa oposição às Escrituras Sagradas (Isaías 53.4-5; Mateus 26.27-28; João 1.29; Romanos 3.21-26; 1 Coríntios 2.2; Gálatas 6.14; 1 Pedro 1.18-19; Apocalipse 5.9-10)

Sem a cruz (morte ou sangue) de Jesus Cristo Deus não poderia fazer nada por pecadores, a não ser dar-lhes o que merecem, a morte eterna. Porém, mediante a morte ou sangue de Jesus Cristo (que também ressuscitou), Deus pode perdoar, salvar e dar a vida eterna ao mais abominável pecador.

Que evangelho você tem ouvido hoje? Qual será o evangelho pregado às próximas gerações? O Evangelho de toda a Escritura, dos Profetas do Antigo Testamento e Apóstolos do Novo Testamento, ou o evangelho “politicamente correto” deste século? Se continuarmos ouvindo passivamente um falso evangelho, a próxima geração não cohecerá o Evangelho do qual, como o apóstolo Paulo, não podemos nos envergonhar, o único que é o “poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Romanos 1.16)


* Evangeliquês é uma palavra criada para referir-se a palavras, chavões ou frazeado tipicamente evangélico – a palavra utilizada no referido manual foi “Christianese”)

Tuesday, 13 January 2015

O Reino de Deus: Sonho ou Realidade?

Quão perto está a humanidade de realizar o sonho da sociedade justa, pacífica e próspera? Existe alguma nação realmente próxima desse ideal? Pode a humanidade realisticamente esperar por isso? E o Reino de Deus, pregado por Jesus Cristo e pelos seus apóstolos e discípulos? Há alguma chance de que a França (recentemente tão comovida pelo que tem sido chamado de o “9/11 francês”), e outras nações Europa e dos outros continentes ainda dêem ouvidos ao Evangelho do Reino de Jesus Cristo, pregado pela Igreja?

O Reino de Deus chegou; porque a “semente da mulher” que havia sido prometida por Deus, o Criador, para “esmagar a cabeça da serpente” ( Gênesis 3.15) finalmente nasceu; este que ficou conhecido pelo nome (título) hebreu de “Messias”, ou o equivalente grego “Cristo”, e pôs fim a uma longa sequência de profetas, sacerdotes e reis. De fato, há duas linhas de profetas, sacerdotes e reis, uma que embora constituída de pecadores, mortais, procuraram servir a Deus com fidelidade, e com suas limitações tipificaram o Cristo e alimentaram a esperança de sua vinda. A outra linha de profetas, sacerdotes e reis agiu como anti-tipo do Cristo anunciado e prometido por Deus nas Escrituras Sagradas do Antigo Testamento; consequentemente, esta linha de anticristos, conscientemente, ou não, promoveu o descaso e a desesperança em relação ao Messias ou Cristo, prometido por Deus.

Entretanto, o Cristo já nasceu, já veio, e já estabeleceu o seu reinado, ou Reino. A razão porque muitos ainda assumem e disputam os postos de profetas, sacerdotes e reis, é porque o Reino de Deus ainda não assumiu uma visível aparência, conforme o próprio Messias, o Senhor Jesus Cristo esclareceu (Lucas 17.20-21). Isto significa que o Reino de Deus, a princípio se manifesta, instala ou estabelece de uma forma que não é superficialmente visível, ele se estabelece primeiro no íntimo, na alma, mente e coração dos homens, e vai crescer, não sem muitos obstáculos e inimigos, mas, certamente, chegará o dia em que encherá, ocupará totalmente o universo; como profetizou Daniel sobre a pedra que feriu os pés da estátua que simbolizava uma sucessão de reinos, e “encheu toda a terra” (Daniel 2.31-45); ou como Jesus ilustrou o estabelecimento e crescimento do seu reino com o semear do “grão de mostarda”, “a menor de todas as sementes”, mas que cresce, e se torna “a maior das hortaliças”, de modo tal que até aves fazem ninho em seus ramos (Mateus 13.31-32).

Àqueles que não conhecem ou não reconhecem Jesus como o Cristo prometido por Deus, aparentemente, não existe um Reino de Deus, para alguns, não na Terra, e para outros, nem no Céu. Assim, a humanidade continua à espera, ou na busca de profetas e sacerdotes, e, ou de um reino ou sociedade justa, pacífica e próspera. Parte da humanidade ainda acredita em profetas, sacerdotes e reis (ou reinos) tipicamente religiosos; outra parte desencantou-se completamente com a religião e tem a sua esperança na ciência como substituta dos profetas, nos médicos, psicólogos, sociólogos e educadores como substitutos dos sacerdotes, e na democracia e seus representantes bem formados para construir a sociedade ideal.

Conforme as palavras de Jesus Cristo e as Escrituras (Antigo e Novo Testamentos), o Reino de Deus já chegou com Jesus Cristo:
§   O nascimento do Cristo foi referido pelo profeta Isaías como o nascimento do Rei Eterno e universal (Isaías 9.1-7).
§   O nascimento de Jesus é o cumprimento da promessa de Deus, repetida por todos os profetas, incluindo  Isaías, citado logo acima (Mateus 2.1-6).
§   A pregação de João Batista, o último profeta e imediato precursor de Jesus Cristo, e a própria pregação de Jesus anunciavam a imediata chegada do Reino de Deus, como ocorrendo naqueles dias (Mateus 3.2; 4.17).
§   O conteúdo da pregação de Jesus Cristo foi chamado de o “Evangelho do Reino” ou “Evangelho do Reino de Deus (Mateus 4.23; 9.35; 24.14; Lucas 4.43; 8.1).
§   Jesus afirmou que o modo explícito como ele “expulsava demônios” evidênciava a imediata chegada do Reino de Deus (Mateus 12.28).
§   Jesus se refere ao anúncio do Evangelho (boa-nova) do Reino de Deus como seguindo à Lei e os Profetas que vigoraram até João Batirsta, o seu imediato precursor (Lucas 16.16).
§   Jesus relacionou a sua morte com a expulsão do “príncipe” do mundo (João 12.31-33). Satanás, a “antiga serpente” (Apocalipse 12.9), que conforme a promessa divina teria sua “cabeça esmagada”, pela “semente da mulher” (Gênesis 3.15), é um usurpador do trono (reino) de Deus na Criação (Mateus 4.8-9). Jesus Cristo, ao morrer por pecadores que nÊle crêm (do passado, presente e futuro), libertou-os da condenação do pecado (morte ou separação de Deus), e do domínio de Satanás, estabelecendo o seu reino, o reino de Deus na Terra.
§   A ressurreição e ascensão de Jesus Cristo também marcam e evidenciam o estabelecimento do seu Reino, o Reino de Deus (Filipenses 2.5-11). E é no exercício de sua autoridade real, eterna e universal, que Jesus ordena seus ministros a expandir o seu reino entre todas as nações, quando, entre sua ressurreição e ascensão, disse aos seus discípulos: “É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas ascoisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos. Amém!” (Mateus 28.18-20).

Como o Reino de Deus está agora presente na Terra? Certamente, não no “império” religioso chefiado pelo chamado “Papa”, entronizado no Vaticano, nem na chamada Igreja Oriental com seus “Patriarcas”, nem no Protestantismo como simplesmente uma fragmentada, mas expressiva, oposição ou alternativa ao Catolicismo Romano. O Reino de Deus não uma espécie de seleção das mais ortodoxas denominações protestantes, nem qualquer uma delas exclusivamente. Também não devemos pensar no Reino de Deus na Terra como se fosse uma seleção das melhores ou mais ortodoxas igrejas protestantes ou evangélicas.

A melhor forma de abordar o assunto da presença do Reino de Deus na Terra é perguntando: como podemos identificar a manifestação do Reino de Deus na Terra? A resposta é que o encontramos:
§   Nos cidadãos do Reino dos Céus (os verdadeiros discípulos de Jesus Cristo), onde quer eles estejam, sozinhos ou acompanhados, honrados ou humilhados, amados ou perseguidos;
§   Nas  congregações espalhadas na Terra, com seus presbíteros e diáconos, que cultuam a Deus de acordo com os princípios revelados por Deus, mantêem a Palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo no mundo, batizam os que crêem (juntamente com seus infates) em Jesus Cristo, e celebram fidelidade Santa Ceia, exercendo com fidelidade e amor a disciplina interna, e mantendo plena comunhão com outras congregações que perseveram em fielmente servir ao Senhor.

O Reino de Deus é um justo, pacífico e próspero rebanho, grande, mas espalhado sobre a Terra em vários menores rebanhos. Individualmente, os que constituem este rebanho devem ser conhecidos como discípulos de Jesus Cristo, como comunhões ou congregações de discípulos de Jesus também são igrejas do Senhor Jesus Cristo, manifestações do seu Reino. O reinado de Jesus Cristo com, sobre e adiante da Igreja é tipificado especialmente na figura do Pastor e seu rebanho de ovelhas. Jesus Cristo é o Pastor-Rei que sustenta, governa e proteje seu rebanho, o Pastor-sacerdote que “deu a vida por suas ovelhas (João 10.11), o Pastor-Profeta que revela os mistérios do Reino.

A lei peculiar ao Reino de Deus na Terra, a sua ética, faz da figura do pastor e seu rebanho uma figura extremamente apropriada  para a Igreja como o Reino de Deus. A lei ou ética do Reino de Deus é o que esta, em forma de princípio, explendidamente esboçado no Sermão da Montanha, proferido por Jesus Cristo (Mateus 5-7).

Qualquer Estado, ainda que usasse a rigorosissíma Lei de Moisés, dificilmente conseguiria condenar um fiel observador da “ética do Sermão da Montanha”; pois um das grandes peculiaridade do Sermão da Montanha é que ele requer que sejamos exigentes e rigorosos conosco mesmos, e pacientes e tolerantes ao máximo com os outros (Mateus 5.38-48).

O Sermão do Monte não é uma reação contrária à Lei, mas uma ativa, criativa, regeneradora e vivificante resposta à Lei que nos faz desejar cumprí-la , a começar da mente e coração, mas estar também sempre prontos a oferecer perdão (Mateus 5.21-32).

A Ética do Sermão do Monte nos leva a perceber que a grande finalidade a Lei é amar a Deus e ao próximo, conforme Jesus Cristio posteriormente ensinou (Mateus 22.34-40).

Parece que Jesus fêz o Sermão do Monte em uma única ocasião; porém, em partes ele lhe fêz várias adições, tanto em palavras quanto em práticas, durante toda a sua vida, antes de sua ascensão aos Céus, como fêz em relação à mulher “surpreendida em adultério”; ele não negou que ela merecesse o rigor da Lei, mas aplicou a Ética do seu Reino na Terra, oferecendo a ela o perdão, e exortando-a a não mais transgredir a Lei (João 8.1-11; 1 João 3.4).

Não há contradição entre o Antigo e o Novo Testamentos; Israel da perspectiva bíblica, consituído a partir de Moisés, era um protótipo da Igreja (congregação dos filhos de Deus) e Estado (uma sociedade de pessoas responsáveis perante si e perante Deus).  Deus usa o Estado para punir os que quebram a Lei, e usa a Igreja para acolher os pecadores arrependidos. A Igreja de Jesus Cristo é o Reino de Deus distinto do Estado, de qualquer Estado, seu único governante (Rei) é Jesus Cristo. A Igreja, o Reino de Deus estabelecido na vinda de Jesus Cristo, não é regida diretamente pela “Lei de Moisés”, mas pela Ética do Sermão do Monte.

O Reino de Deus, como é hoje manifesto na Terra, através da Igreja, (especialmente considerando o mandato real de Jesus Cristo aos seus súditos de expandir o seu Reino, fazendo discípulos entre todas as nações) é um como um exército em conquista das nações, não com arma (espada) que os Estados usam, mas com a “espada” da Palavra de Deus (Hebreus 4.12), o Evangelho do Reino. O Reino de Deus é uma nação espiritual que vai crescendo entre as nações e os povos da Terra, à medida em que o Evangelho é pregado, e pecadores se arrependem e crêem que Jesus é o Cristo, à medida em Jesus faz novos discípulos (1 Pedro 2.5-10; Apocalipse 5.5-10).

Entretanto, até à volta de Jesus Cristo, não devemos esperar que o Reino de Deus tenha uma convincente e atraente presença visível na Terra; embora, no Céu, o número de cidadãos do Reino seja uma inumerável e crescente multidão (Apocalipse 7).

Como Jesus está fisicamente ausente da Terra, mas, entronizado nos Céus, governando o universo, também uma multidão impressionante de cidadãos do Reino dos Céus, que já passou pela Terra está agora nos Ceus, mas aguardando o seu retorno à Terra com Jesus Cristo, para o reinado eterno sobre a Criação recriada, em Novo Céu e Nova Terra (Apocalipse 21-22).

Porém, voltando nossa atenção ao Reino de Deus na Terra, e o seu atual contexto mundial, como cidadãos do Reino perguntamos: o que podemos fazer por essa nossa global ou universalista geração, que em algum sentido parece haver revertido o efeito Babel da separação pela linguagem? Será que precisamos alcançar os mesmos padrões e recusos de arte e comunicação, para que sejamos ouvidos, quando anunciamos o Reino de Jesus Cristo?

Assim como nos dias que precederam o Dilúvio, a humanidade estava já submersa em maldade e desepero, e Deus estava profundamente indignado com a sociedade humana, restando e sendo preservada dos chamados “filhos de Deus” somente uma família, a de Noé (Gênesis 6.1-8); assim como a geração (nação) de Israel se corrompeu, afastando-se do seu chamado divino, e Deus, para cumprir seu desígnio maior de trazer da descendência de Israel, Judá e Daví, o Redentor prometido; e, por isso, somente a tribo de Judá foi preservada, e depois, somente de um resto fiel desta tribo, deu início à sua grande nação espiritual que é a Igreja constituída de gente de toda nação; igualmente, não é difícil presumir que Deus agora também Deus não esteja satisfeito com o estado prevalescente na Igreja na Terra. Será este o momento imediato da volta do Senhor Jesus Cristo? Maranatha! Porém, e se não é ainda a hora, continuará a Igreja murchando espiritualmente, enquanto sobevive organizacional e institucionalmente, almejando somente presença e poder econômico e político, usufruindo dos modernos recursos da ciência, arte e comunicação?

A Reforma do século XVI foi uma libertação e renascimento da Igreja que se separou de um império religioso que, como tal, ainda sobrevive, preserva e procura aumentar seu poder. A Reforma foi seguida e deu orígem a um grande reavivamento e crescimento da Igreja, cujos resultados ainda alcançam a presente geração. Entretanto, este sopro divino de vida parece estar novamente desaparecendo.

Pense nisto, quando lemos sobre a Igreja ou igrejas primitivas não pensamos em seus locais de reuniões; pois eles não eram importantes; quando lemos sobre igrejas relacionadas à Reforma e aos legítimos reavivamentos que se seguiram, não pensamos em poderosas organizações denominacionais, catedrais ou templos suntuosos, bens e empreendimentos financeiros. Em todos estes casos, visualizamos congregações (comunhão de pessoas) peregrinas, perseguidas, mas corajosamente pregando o fiel Evangelho, e vivendo intensamente a comunhão dos Santos. Quando tentamos visualizar igrejas hoje, pensamos em grandes auditórios, cheios de gente cantando, batendo palmas, ou com as mãos levantadas, sendo conduzidas por uma banda musical; o show é interrompido por um comunicativo e simpático palestrante que com poucas palavras levantará o moral ou a estima dos ouvintes, na maioria das vezes usando Jesus como o motivo e o exemplo de uma vida vitoriosa (bem-sucedida); o show musical recomeça; depois, o grande encontro chega ao final. Geralmente aquele carismático palestrante é também o presidente de um império financeiro.

As  igrejas de nosso tempo, em geral, não são mais as congregações de indivíduos e famílias unidas pelo forte vínculo da Aliança (Pacto da Graça) de Deus, congregações cheias de vida, isto é da manifestação do poder de Deus, da presença do Espírito Santo (não em um templo, ginásio ou teatro) em uma congregação, comunhão de pessoas (igreja). O que é a indubitável manifestação do poder de Deus ou da presença do Espírito Santo? Encontramos uma resposta simples, mas exata na Carta de Paulo aos Gálatas: “Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança.  Contra essas coisas não há lei. (Gálatas 5.23). Em outras palavras, a maior evidência do poder redentivo de Deus entre a humanidade é pratica da Ética do Sermão da Montanha.

O Reino de Deus é uma realidade; ele já está presente na Terra; entretanto a forma mais mais convincente em que ele se manifesta é na vida particular e congregacional dos cidadãos do Reino, os crentes em Jesus Cristo, que são também discípulos de Jesus Cristo; eles são o “sal da terra”, a “luz do mundo (Mateus 5.13-16), na medida em que eles refletem a vontade e o caráter de seu Rei, Jesus Cristo (Mateus 5.1-12).

Somente exite uma chance de apresentarmos à nossa geração uma evidência de que o Reino dos Céus é uma realidade, que ele já chegou, e somente com ele será estabelecida a justiça, a paz e prosperidade duradouras, e não é através da ciência, arte e comunicação (tudo isto a nossa geração têm, como nunca antes). É somente vivendo agora de acordo com a Ética do Reino de Deus exposta por Jesus Cristo no Sermão do Monte (Mateus 5-7), isto é, no poder do Espírito Santo, em “amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança” (Gálatas 5.23) que podemos dar à nossa geração uma evidência em favor do que pregamos, ou seja que o Reino de Deus é uma realidade, tanto na Terra como no Céu, e que certamente virá o grande dia quando ele visivelmente ocupará todo o universo, toda a Criação.

Façamos nossa, hoje, a oração do antigo profeta Habacuque: “Ouvi, Senhor, a tua palavra e temi; aviva, ó Senhor, a tua obra no meio dos anos, no meio dos anos a notifica; na ira lembra-te da misericórdia.” Habacuque 3.2