Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fide, Solus Christus, Soli Deo Gloria

Wednesday, 9 October 2013

A Face de Deus: Podemos Vê-la?


Não podemos contemplar toda a beleza e glória da face de Deus; nossos olhos, embora estejam entre as maravilhas da criação, não são capazes ver a face de Deus, infinitamente mais radiante que o sol. A nossa compreensão, embora suficientemente grande para elaborar os mais complexos cálculos e desenvolver incríveis idéias, é limitada na compreensão do ser de Deus. Podemos tomar conhecimento de atributos divinos, porém, não compreendê-los, nem mesmo um só deles, em sua infinitude, profundidade, largura e altura.

O profeta Isaías registrou que viu “o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono” (Isaías 6.1). Porém o profeta não dá qualquer descrição visual do Senhor, exceto que “as abas de suas vestes enchiam o templo” (Isaías 6.1), mas registrou que também viu Serafins (ordem de anjos) que  tinham seis asas: com duas voavam por cima do trono, mas com duas cobriam os pés, e com duas cobriam o rosto. Até os anjos que jamais pecaram, em reverência, cobrem os olhos diante da santidade de Deus.

Isaías viu um pouquinho da infinita glória de Deus; pois em sua visão o Senhor estava em um templo; entretanto não há templo que possa conter Deus; conforme Salomão orou a Deus na inauguração do Templo de Jerusalém, que era mero símbolo da invisível, mas real, presença de Deus; o rei Salomão disse: “nem os céus e até os céu dos céus te podem conter” (1 Reis 8.27).

O apóstolo João também teve uma visão da glória de Deus (Apocalipse 4-5). João registrou que viu “armado no céu um trono, e, no trono, alguém alguém sentado” (Apocalipse 4.2). Embora João mencione ter visto “a mão direita daquele que estava sentado no trono”, sua mão foi mencionada somente para se referir ao livro (Apocalipse 5.2) que estava para ser entregue por Aquele que estava sentado no trono ao Cordeiro, Jesus Cristo (Apocalipse 5.6-7). O livro entregue significa a revelação e a certeza do cumprimento do decreto redentivo de Deus.

Entretanto, quando João descreve quem está assentado no trono, ele assim o faz: (Ele) “é semelhante, no aspecto, a pedra de jaspe e de sardônio”. João não viu a Deus, nem a face de Deus, ele viu um pouco da glória de Deus.

Muito tempo antes de João e Isaías, o profeta Moisés pediu a Deus para ver a sua glória. Deus respondeu a Moisés dizendo que lhe mostraria a sua bondade e misericórdia; mas a sua face não seria vista; pois Deus disse : “homem nenhum verá a minha face e viverá” (Êxodo 33.17-23). Entretanto, quando Moisés descia do Monte Sinai, após Deus haver falado com ele, o povo viu que a pele do seus rosto trazia um brilho, um reflexo da glória de Deus (Êxodo 34.29-35).

Não temos olhos que possam ver a radiante glória da face de Deus; mas podemos ouvir a sua voz, que embora poderosa, mais que o estrondo dos trovões, quando os pecadores desafiam a sua justiça; ela também soa suave como uma leve brisa quando, anunciando a sua misericórdia e perdão, e chamando os pecadores ao arrependimento dos pecados e fé em Jesus Cristo.

Sim, além da limitação ou natural incapacidade de nossos olhos para contemplar a glória da face de Deus; nossos pecados nos impedem de contemplar a face de Deus; porque os nossos pecados nos distanciaram completamente de Deus, e da sua glória: “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3.23).

Os nossos pecados nos fizeram morrer para Deus (nos tornamos espiritualmente mortos), ou seja, ficamos completamente desinteressados no único e verdadeiro Deus, desinteressados nos seus verdadeiros atributos, que são como espectros de Sua glória: Deus é (O) Espírito, em si e por si infinito em seu ser, glória, bem-aventurança e perfeição; todo - suficiente, eterno, imutável, insondável, onipresente, infinito em poder, sabedoria, santidade, justiça, misericórdia e clemência, longânimo e cheio de bondade e verdade (Catecismo Maior de Westminster). Mesmo tendo conhecimento de alguns atributos divinos, não temos nenhuma compulsão natural para adorá-lo.

Os nossos pecados nos fizeram espiritualmente cegos, não reconhecemos a glória de Deus nem na Criação. Somos capazes de contemplar os céus, a terra e as maravilhas que a enchem, e não tributar a Deus “a glória devida ao seu nome” (Salmos 96.8).

O pecado, de tal modo, corrompeu o nosso ser que não queremos conhecer e contemplar a glória de Deus; na melhor das hipóteses, se houver um mínimo de interesse, consciente ou inconscientemente, deixamos isto para os últimos momentos da vida, ou para depois da morte. Preferimos as glórias passageiras deste mundo.

Nossa condição de pecadores distorce qualquer noção de Deus; não podemos vê-lo, imaginá-lo e nem conhecê-lo, como Ele realmente é; e assim criamos os nossos ídolos. E, aos que querem e adoram a Deus, Ele proíbe que se faça qualquer tentativa de representá-lo através de imagens. Qualquer tentativa de imaginar Deus somente cria um ídolo.

Não podemos ver a Deus, ou ver a face de Deus. Isto porém não significa que não possamos conhecer e ter comunhão com Ele. Este conhecimento e comunhão acontece pelo ouvir a voz de Deus, e isto, como já mencionado, é possível porque Deus falou aos homens, pelos profetas, e finalmente através de Jesus Cristo (Hebreus 1.1-3); e o que Deus falou está registrado nas Escrituras Sagradas. Porém, assim como somos mortos e cegos para Deus, também somos surdos. Entretanto, Deus, e Ele somente, tem o poder de nos fazer ouvir a sua voz, abrir os olhos para contemplar a sua glória, e reviver para eterna comunhão com Ele.

Entretanto, aprouve a Deus que vissemos sua face na face do próximo, para testemunho da sua gloriosa existência. Toda a criação proclama a existência de Deus (Salmos 19.1), e o homem é a evidência final e conclusiva da grandiosidade do Criador (Salmos 8.1-6). O homem é a cópia de Deus na natureza, a coroa da Criação (Gênesis 1.27). Quis Deus que homem fosse sua imagem ou reflexo, para que ao ver o seu próximo, o homem visse a Deus, além, antes ou acima. Infelizmente, hoje, muitos olham para traz do homem e somente vêem a figura de um macaco, quando deveriam ver somente a poderosa mão de Deus.

Sendo o homem a imagem e semelhança de Deus, devemos entender que Deus é gente, ou seja, um ser pessoal. Como o homem é único no meio de toda a Criação, Deus é uma pessoa absolutamente única, não há quem seja igual a Ele. Os homens e também os anjos têem semelhanças com Deus, mas não são iguais a Ele. Deus é um ser absolutamente único, especialmente em eternidade, infinitude, e imutabilidade. Os homens e os anjos tiveram um começo, foram criados por Deus; Deus é Eterno. Aos homens e aos anjos, Deus deu poderes e habilidades admiráveis, incomparáveis com o restante da Criação, mas somente Deus é infinito em sabedoria e poder (Onisciente e Onipotente). Homens e anjos são mutáveis, para o bem ou para o mal; somente Deus é imutável em todos os seus santos atributos.

Devemos ver a face de Deus no próximo também para respeitá-lo e amá-lo como criatura de Deus, a criatura que é a imagem e semelhança do Criador. Devemos ver a face de Deus no próximo para que sejamos lembrados e estimulados a ser agentes de Deus no âmbito da Criação, mais parecidos com Deus, especialmente no relacionamento com o próximo.

Quis Deus que, mesmo após nos tornarmos pecadores, víssemos sua face nos famintos, sedentos,forasteiros, nús, enfermos e presos (Mateus 25.31-46) para que, enquanto peregrinamos neste mundo transtornado pelo pecado, sejamos movidos pela divina compaixão e socorressemos uns aos outros.

Jacó viu a face de seu irmão Esaú como se fosse a face de Deus (Gênesis 33.10), para que não somente temesse as consequências de seus pecados contra Esaú, mas para que se arrependesse de seus pecados contra Esaú, para confiar no poder de Deus para mudar o coração do homem, e, enfim, para que confiasse no perdão divino (Gênesis 33.1-11).

Ver a face de Deus no próximo ou reconhecer o próximo como criado à imagem e semelhança de Deus deveria nos levar diretamente a admitir nossos pecados (contra o próximo e contra Deus), e à busca do perdão. Qual será o futuro próximo desta geração que nega o divino Criador, e assemelha o homem ao macado ao invés de reconhecê-lo como a semelhança de Deus?

Podemos ver a Deus na face de Jesus Cristo; e somente na face de Jesus Cristo podemos ver a verdadeira face de Deus, não entretanto, na face física de Jesus, senão nas suas expressões, infalivelmente em todas as expressões de Jesus, isto é, suas atitudes, palavras e obras.  As Escrituras Sagradas, nos dão um completo e perfeito retrato de Jesus Cristo. É através das Escrituras que vemos a face de Jesus Cristo, e, na face de Jesus Cristo, a face Deus (2 Coríntios 4.3-6).

O que é impossível aos nossos olhos foi feito possível em Jesus Cristo. Em Jesus Cristo nós vemos a glória da face Deus de um modo que nem o primeiro homem e a primeira mulher chegaram a ver, antes que houvessem  pecado.

Jacó (que significa trapaceiro), após o encontro com Deus em uma aparência humana (uma alusão profética Jesus Cristo) teve o seu nome mudado para Israel (que significa príncipe com Deus). Após este encontro (Gênesis 32.22-32) Jacó disse: Vi a Deus face a face, e a minha vida foi salva (Gênesis 33.30).

Se vemos a face de Deus no próximo, mediante a lei de Deus gravada em nossa alma e sob influência do Espírito Santo, reconhecemos que somos pecadores e que precisamos de perdão; quando vemos a face de Deus na face de Jesus Cristo somos salvos.

Alguns viram um pouquinho da glória de Deus. Entretanto, “ninguém jamais viu a Deus; (contudo) o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou” (João 1.18).

Quem vê a face de Deus em Jesus Cristo é salvo porque, além de ver a absoluta justiça de Deus, vê o infinito amor de Deus, a incompreensível misericórdia de Deus.

Precisamos de Jesus Cristo para ver Deus como Ele realmente é, e para que sejamos salvos. Somente em Cristo Jesus podemos ver e entender como se relacionam a justiça e o amor de Deus em relação a nós pecadores, trangressores da ;ei de Deus.

Jesus Cristo é o unigênito e eterno Filho de Deus que se encarnou (João 1.1-3,14), para ser levantado ou entregue na cruz por causa dos nossos pecados, perante a justiça de Deus, para que, nÊle crendo, sejamos salvos, recebendo o dom da vida eterna  (João 1.29; 3.13-17). Crer em Jesus Cristo é ver nÊle a face de Deus.

Sem Jesus Cristo, sem uma crescente apreciação por Jesus Cristo, somos seduzidos pelas mais diversas idolatrias. Crendo em Jesus Cristo, vendo nÊle a face de Deus, somos plena e continuamente satisfeitos no conhecimento, e crescemos na comunhão com Deus.

Conclusão, por que não vemos a face de Deus? Em parte porque não podemos, em parte porque não queremos. Queremos ser independentes e iguais a Deus; o que não podemos; e não queremos ser  a imagem e semelhança de Deus; o que, e para o que fomos criados; e esta é a essência do pecado.

Por que queremos ver a Deus com os olhos que não podem contemplar o sol? Por que queremos compreender Deus com a mente que não compreende o universo? Por que permitimos que a limitada, mutável e contraditória ciência humana defina Deus para nós, negando-lhe o atributo de Criador?

Não podemos ver a face de Deus como somente Deus pode ver, como Jesus Cristo, o Filho, vê a face do Pai. Mas podemos ver Deus revelado em Jesus Cristo. Jesus Cristo é a única revelação de Deus que é, ao mesmo tempo, exata para com Deus e compreensível para conosco. Em Jesus Cristo, e somente nÊle, conhecemos a Deus verdadeiramente, e somos imediatamente salvos, entrando em uma eterna relação de amor com Deus.

Conheça a Jesus Cristo, e você conhecerá a Deus, e saberá que está salvo.

Thursday, 19 September 2013

Quem Ama Fala Francamente do Pecado e Sua Condenação


Assim como o Apóstolo Paulo, os cristãos, não meramente nominais ou formais, mas que conhecem ou amam o Cristo das Escrituras Sagradas, se sentem devedores do Evangelho ao mundo (Romanos 1.14). Afinal, como guardar para si somente este tão grande presente de Deus ao mundo?

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3.16)

Além disso, como ignorar o próprio mandato de Jesus Cristo de fazê-lo conhecido em todo o mundo:

“Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado...” (Mateus 28.19-20)

E disse-lhes: Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. “ (Marcos 16.15-16)

e disse-lhes: Assim está escrito que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressurgisse dentre os mortos; e que em seu nome se pregasse o arrependimento para remissão dos pecados, a todas as nações, começando por Jerusalém.” (Lucas 24.46-47)

Cristãos por convicção pessoal não se envergonham do Evangelho; porque crêem ou sabem que o Evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo o que (nele) crê (Romanos 1.16).

O mundo precisa do Evangelho, precisa conhecer a Jesus Cristo. Não o Jesus desfigurado da cultura ou do “mercado” religioso, mas o Jesus fielmente testemunhado e retratado nas Escrituras Sagradas. E quem o conhece, também quer fazê-lo conhecido, e não somente por uma obrigação que chama, mas também por um poderosa satisfação e alegria que motivam. Entretanto, esta não é uma tarefa fácil, como oferecer um produto a quem está procurando por ele, exatamente. Comunicar o Evangelho ou apresentar a Jesus Cristo, é como indicar um remédio a quem pensa que não está doente, ou um defensor (advogado) para quem não reconhece que transgrediu a lei. E, é precisamente esta a função que Jesus Cristo exerce em favor dos homens, perante a Justiça divina. Jesus é o defensor, o advogado dos pecadores, perante a corte da Justiça de Deus.

Por mais importante e esperançoso que seja, o Evangelho (a palavra significa boa notícia) de Jesus Cristo jamais será devidamente apreciado, exceto por aqueles que reconhecem ter um débito para com a justiça de Deus.

Comunicar o Evangelho e anunciar a Jesus Cristo é uma difícil tarefa; especialmente porque  nós, seres humanos, insistimos em negar o que nossa própria consciência e razão, em face da evidência e testemunho da Criação, nos dizem, isto é: que, acima de qualquer norma cultural ou lei civil, democrática, há um Deus, que sendo o Criador e também um ser moral, o único santo e justo em sua essência, Ele se “ira...contra toda a impiedade e perversão” dos homens (Romanos 1.18-23).

De acordo com o ensino geral das Escrituras Sagradas, e, comparando o anúncio do Dilúvio, o maior e universal juízo de Deus já ocorrido (Gênesis 6), com o primeiro capítulo  da Carta de Paulo aos Romanos, percebemos três importantes sinais de uma geração ou sociedade que alcançou o mais grave estado de corrupção, se tornou caótica, e está próxima de um colapso:

1.   A negação ou ignorância da autoridade de Deus como o Criador;

2.   A supressão das regras ou limites às cobiças humanas, especialmente as sexuais;

3.   A generalização da violência.

 E assim como eles rejeitaram o conhecimento de Deus, Deus, por sua vez, os entregou a um sentimento depravado, para fazerem coisas que não convêm; estando cheios de toda a injustiça, malícia, cobiça, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, dolo, malignidade; sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes ao pais; néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, sem misericórdia; os quais, conhecendo bem o decreto de Deus, que declara dignos de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que as praticam.” (Romanos 1.28-32)

Muitos confundem a pregação do Evangelho com uma atitude condenatória; porém, o Evangelho é justamente o contrário. O Evangelho é a boa notícia de que temos um Defensor que nos livra da condenação perante a justiça divina.

Entretanto, os homens (homens e mulheres) naturalmente resistem em reconhecer um Deus justo que condena os transgressores da Lei suprema e eterna que de Deus emana, ou resistem à idéia de que são transgressores desta Lei, imaginam ou  criam leis artificiais contrárias à natureza, razão e bom senso; então, neste estado, o Evangelho não lhes pode soar como “boa nova”; e Jesus Cristo não lhes parecerá um desejado Defensor.

Além disso, o Evangelho apresenta Jesus Cristo não como um filósofo que ensina à humanidade, que é potencialmente boa, a arte de viver feliz. Não, o Evangelho anuncia Jesus como o único Advogado de criminosos condenados pela justa Lei de Deus.

Por estas razões, o Evangelho de Jesus Cristo é confundido e rejeitado, enquanto o homem resiste em admitir que é pecador, transgressor da eterna e suprema Lei de Deus. Ao pecador não arrependido, o Evangelho parece uma acusação, quando na verdade é a boa nova a respeito do Defensor, Jesus Cristo.

O anúncio do Evangelho de Jesus Cristo não seria uma tarefa tão difícil, se o homem não resistisse a voz da consciência, onde lhe está gravada a Lei de Deus, e que lhe diz que é pecador:

pois mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os” (Romanos 2.15)

Assim, a pregação do Evangelho precisa amplificar a voz da conciência do homem fazendo-o reconhecer o seu pecado ou transgressão da Lei de Deus, antes de anunciar a boa nova propriamente (Marcos 1.4,14-15), ou seja, o defensor, Jesus Cristo:

“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; sendo justificados gratuitamente pela sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus,” (Romanos 3.23-24)

“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Romanos 6.23)

Há semelhanças e diferenças entre o tribunal de Deus e o tribunal dos homens. As semelhanças deveriam nos levar considerar como é arrogante a nossa atitude que nega a Deus, o Criador, o atributo de Supremo Juiz. Porém, consideremos algumas importantes difenças:

1.      É impossível enganar, chantagear ou fraudar perante o tribunal divino.

2.      No tribunal divino, a justiça é sempre realizada e satisfeita;

3.      Mas o triunfo é sempre da misericórdia.

4.      Jesus Cristo é um defensor diferente; porque Ele  não tenta provar a inocência do homem, Ele sabe que perante o tribunal divino todo homem é pecador, e está condenado.

5.      Porém, Jesus nos defende sofrendo a nossa condenação, isto é, morrendo em  nosso lugar, recebendo o justo salário (retribuição) pelos nossos pecados.

O tribunal divino justa e infalivelmente condena todos os homens por seus pecados, mas também justifica todos os pecadores que se arrependem dos seus pecados e crêem em Jesus Cristo como o seu único Defensor, indicado e credenciado pela própria justiça divina.

Assim como não é uma atitudehonesta e amorosa dizer a alguém que tem um câncer agressivo que ele somente tem um probleminha alérgico, ou incentivar um transgressor da lei a continuar fugindo, ao invés de enfrentar a justiça com um defensor; ao cristão é, igualmente desonesto e destituído de amor, negar ou omitir que todos os homens e mulheres têem um grande problema com a justiça divina, um débito crescente e eterno, o pecado.

Não podemos ignorar, nem deixar que outras pessoas ignorem, o fato de que estamos condenados perante o tribunal divino. Não notificar aos homens sua condenação perante o tribunal divino não é um ato de amor e respeito, mas de covardia e ausência de compaixão. É como deixar um criminoso fugindo e se escondendo de uma condenação que, mais cedo ou mais tarde, infalivelmente acontecerá , enquanto sabemos que há um infalível Defensor, a quem este fugitivo pode recorrer.

O reino de Deus é constituído de transgressores da Lei de Deus, injustos que foram justificados por Jesus Cristo:

“Não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas,  nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbedos, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus. E tais fostes alguns de vós; mas fostes lavados, mas fostes santificados, mas fostes justificados em nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus.” (1Coríntios 6.9-11)

Pregar o Evangelho não é condenar o mundo, mas dizer ao mundo condenado pela justiça de Deus que esta mesma (Justiça de Deus) indicou um infalível Defensor para os pecadores, Jesus Cristo. Como o Defensor, Jesus não condena pecadores, nem nega os seus pecados, mas substitui (coloca-se no lugar) os pecadores, e recebe, de uma só vez na cruz, a justa condenação pelos pecados, morte.

“E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e nele não há trevas nenhumas. Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos nas trevas, mentimos, e não praticamos a verdade; mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus seu Filho nos purifica de todo pecado. Se dissermos que não temos pecado nenhum, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós. Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; mas, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo.  E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.” (1 João 1.7-2.2)

Somente Jesus tem o poder de absolver pecadores perante a justiça divina, nenhum sacerdote (nem o papa) pode fazê-lo. Jesus é, ao mesmo tempo, o único sacerdote e único cordeiro que tira o pecado do mundo (Hebreus 9.11-14). Ele tem tal autoridade porque é Deus encarnado (em natureza humana), e morreu por causa dos nossos pecados. Por isso Ele, certa vez disse a uma mulher que queriam condenar por adultério:

Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? Respondeu ela: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu te condeno; vai-te, e não peques mais.” (João 8.10-11)

E, outra vez, Jesus declarou e demonstrou a sua autoridade e poder infalíveis para perdoar todos os pecados de todos os homens:

“E Jesus, vendo-lhes a fé, disse ao paralítico: Filho, perdoados são os teus pecados. Ora, estavam ali sentados alguns dos escribas, que arrazoavam em seus corações, dizendo: Por que fala assim este homem? Ele blasfema. Quem pode perdoar pecados senão um só, que é Deus? Mas Jesus logo percebeu em seu espírito que eles assim arrazoavam dentro de si, e perguntou-lhes: Por que arrazoais desse modo em vossos corações? Qual é mais fácil? dizer ao paralítico: Perdoados são os teus pecados; ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito, e anda? Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados ( disse ao paralítico ), a ti te digo, levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa. Então ele se levantou e, tomando logo o leito, saiu à vista de todos; de modo que todos pasmavam e glorificavam a Deus, dizendo: Nunca vimos coisa semelhante.” (Marcos 2.5-12)

A Igreja não tem poder de perdoar pecados, mas o dever de comunicar a todo o mundo que, em Jesus Cristo, Deus está chamado todos os pecadores ao arrependimento e perdão de pecados, da morte para a vida eterna, conforme as palavras de Jesus:

“Em verdade, em verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não entra em juízo, mas já passou da morte para a vida.” (João 5.24)

 

 

 

Friday, 30 August 2013

A Orígem da Vida: Uma Viagem de Marte ou Obra de Deus?


A Terra é simplesmente um dos planetas em nosso sistema solar; entretanto, a força e a variedade de vida que nela existe é algo grandioso e maravilhoso, inexistente em qualquer outro lugar, conhecido pelo homem, na imensidão do universo.

Existem basicamente duas formas de se conceber a orígem da vida na Terra: uma é atribuída à vontade, inteligência e poder criativos de Deus, a outra é atribuída ao acaso e evolução. A primeira concepção tem dois fundamentos: um fundamento lógico que requer uma causa inteligente e capaz (Deus) para o complexo efeito da Criação (o universo e a vida); o segundo fundamento é revelacional, ou seja Deus se revela como o Criador (do universo e da vida), em parte na própria criação, em parte em palavras comunicadas por Deus ao homem. A segunda concepção da orígem da vida (casual e evolucionista), ignora ou exclui Deus como a orígem do universo e o autor da vida.

A criação é uma revelação de Deus, como qualquer obra revela o seu criador; seja uma peça musical ou literária, seja uma pintura ou seja o mais simples e comum trabalho, a obra sempre revela características de seu autor. Assim, a Criação revela o seu Criador:

Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.” (Salmos 19.1)

“Porquanto, o que de Deus se pode conhecer, neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Pois os seus atributos invisíveis, o seu eterno poder e divindade, são claramente vistos desde a criação do mundo, sendo percebidos mediante as coisas criadas...” (Romanos 1.19-20)

As Escrituras Sagradas são as palavras reveladoras do Criador; nelas Deus reivindica a criação do universo e da vida, e a criação do homem à sua imagem e semelhança:

No princípio criou Deus os céus e a terra.” (Gênesis 1.1)

“Criou, pois, Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.” (Gênesis 1.27)

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens;” (João 1.1-4)

Embora a maioria das pessoas não reprima a intuição natural para acreditar na existência de Deus, a maioria hoje considera simplista o relato da Criação em Gênesis 1-2 . Entretanto, antes de preconceitosamente rejeitar o conceito bíblico de Criação, como ingênuo para uma era dominada pelo sucesso da ciência, devemos considerar as alternativas consideradas de científicas. Se o fizermos, veremos que, não importa quão elaboradas sejam as teorias que tentam explicar a orígem do universo e da vida, em algum ponto é preciso substituir o fator Deus pelo “acaso” (sorte) e evolução; ou seja, o que no conceito da Criação é atribuído a Deus, nas teorias científicas da orígem do universo e da vida é atribuído ao acaso e evolução.

Tomemos como exemplo a mais recente teoria divulgada pela mídia que vem de uma conferência científica realizada recentemente em Florença, na Itália, e apresentada pelo químico Steven Benner, do Instituto de Ciência e Tecnologia de Westheimer (EUA). Em resumo, esta teoria sugere que, sendo o planeta Marte rico dos minerais que poderiam dar orígem ao RNA (ácido ribonucleico), molécula que juntamente com o DNA (ácido desoxiribonucleico) e proteínas que são essenciais à vida, e que tendo o planeta, há alguns bilhões de anos atrás, as condições ambientais necessárias para, apartir daqueles minerias, fossem formadas as moleculas de RNA, a vida surgiu em Marte; e, depois, viajando em um meteorito, esta forma de vida foi trazida para a terra, que então já em condições favoráveis possibilitou o estabelecimento e a evolução da vida.

No relato Bíblico da Criação, a razão ou lógica do homem encontra uma resposta na revelação de Deus, que certamente demanda a fé. Por outro lado, as diversas explicações chamadas científicas da orígem do universo e da vida, que excluem Deus e combinam o acaso e a evolução, também exigem fé, fé na sorte que é imprevisível (porque é ilógica, na proporção em que não qualquer controle inteligente) e na evolução que é improvável (porque não existem provas vivas ou fossilizadas que sejam formas tansitórias entre duas diferentes espécies de vida). O relato Bíblico da Criação requer fé em Deus, as teorias científicas da orígem do universo exigem fé na sorte.

Pense nisto: porque seria mais inteligente acreditar que por acaso a vida surgiu em marte, por acaso (sem qualquer vontade, inteligência e plano) viajou em um meteoro para a Terra, e aquí, por acaso, evoluiu? Em que isto é mais inteligente que crer que Deus criou o universo e a vida? Tanto o conceito da Criação quanto qualquer teoria científica sobre a orígem do universo e da vida exigem fé; porém, o relato Bíblico da Criação é mais inteligente, racional, lógico e maduro que qualquer teoria que exclui Deus, opta pelo acaso e evolução.

Entretanto, as Escrituras, que consideram insensatez e perversidade ignorar a Deus (Salmos 10.4; 14.1; 53.1); além de afirmarem que Deus é o Criador, elas revelam que Deus está ativo no governo e redenção da Criação.

Sem o “pré-conceito” contrário à existência de Deus e ao método usado por Ele para criar, e sem que este seja o seu propósito ou alvo final, as Escrituras afirmam que Deus é o autor da vida, o Criador. E as Escrituras o fazem sem ter como alvo uma mente científica mas o homem comum, e de modo geral (sem excluir a mente científica). Por razão de consistência (coerência), as Escrituras anunciam a Deus como o Criador, e como quem soberanamente governa toda a Criação, com o propósito final de apresentar a Deus como o Redentor da Criação, em Cristo Jesus. A Bíblia não é ciência (estudo) do homem, é revelação de Deus; ela não é sobre física, química e biologia, é sobre a redenção do homem do poder destruidor do pecado, que é transgressão da lei de Deus (1 João 3.4); razão pela qual o homem e a Criação em geral precisam ser redimidos de uma ordem de corrupção, introduzida pela pecado do homem (Romanos 8.19-23).

Não se poderia pensar em Deus como o Redentor se não fosse Ele antes o Criador e Soberano Governante e Sustentador de toda a Criação. O objetivo das Escrituras é revelar a Deus como o Redentor, através de Jesus Cristo, e nos chamar à fé em Jesus Cristo; porém as Escrituras fazem isto, não em um vácuo racional e lógico, mas em um progressivo processo revelacional (registrado desde o livro de Gênesis até o livro de Apocalipse) que comunica um consistente (coerente, não contraditório)  conhecimento de Deus como o Criador, Mantenedor e Redentor.

Não se deixe enganar pela arrogância da ciência do homem; excluir Deus não nos aproxima do conhecimento e da verdade, ao contrário nos afasta e impede definitivamente da possibilidade do conhecimento e da verdade.

A ciência é, no máximo, capaz de confirmar o que a observação comum já demonstra: que há um “Designer Inteligente” (Planejador Inteligente) e capaz. As Escrituras confirmam que Deus é o Criador, o criador do universo e da vida.

Como imagem e semelhança de Deus o homem pode resolver certos problemas na criação e curar certas enfermidades; mas somente Deus pode redimir o homem do pecado, e redimir a Criação de sua corrupção, em virtude do pecado do homem e sua separação de Deus. Somente o criador da vida temporária pode dar ao homem a vida eterna (João 3.16).

Quando o homem insiste na busca de uma resposta à questão da orígem da vida que exclua Deus; ele também pensa que o destino da vida está em suas mãos que o seu futuro depende exclusivamente da sua ciência. Entretanto, as Escrituras Sagradas revelam que, assim como a sua orígem, o futuro do homem está nas mãos de Deus. E isto não é campo da ciência, ela não pode negar nem confirmar a revelação de Deus nas Escrituras.

As Escrituras Sagradas revelam que o futuro do homem depende de Jesus Cristo, o eterno Filho de Deus, e co-agente do Pai na Criação; a vida e o futuro do homem dependem de Jesus Cristo, do que Ele já fêz, está fazendo, e ainda fará. Para redimir o homem do poder destruidor do pecado, Deus, o Filho, se fêz carne, ou seja, homem, mantendo todos os atributos divinos (João 1.1-14). Para reconciliar o homem pecador com Deus, o Filho de Deus, Jesus Cristo, morreu e ressuscitou, em cumprimento da justiça de Deus (Romanos 4.24-5.1). Para avançar a obra da Redenção, Jesus ordenou seus discípulos a anunciar e ensinar o Evangelho da Redenção; e com eles Jesus pemanece, no Espírito Santo que enviou para convencer o mundo do “pecado, da justiça e do juízo” (João 16.8). Jesus realiza a obra da Redenção salvando completamente todos os mediante a fé nele (Jesus Cristo) buscam a reconciliação com Deus (Hebreus 7.22-25); e por fim, Ele voltará para concluir a obra da Redenção (João 14.1-3).

Não se deixe enganar pelas teorias baseadas no pressuposto da inexistência ou ausência de Deus na orígem do universo e da vida; elas o levarão ao erro fatal de ignorar a Deus. Escute a voz da consciência que clama a onipresença de Deus. Veja, ou ouça o que a obra da criação revela sobre Deus (Salmos 19.1-4). Examine ou leia o que Deus fala nas Escrituras Sagradas; e não procure nelas a solução dos mistérios da natureza, nem por regras de saúde, ou normas sociais, muito menos por segredos do sucesso em diversas áreas da vida. Leia, ouça o que Deus fala através da Bíblia, Ele fala da sua obra da Redenção, e de Jesus Cristo, o Redentor do homem e da criação (2 Timóteo 3.14-17).

 Ele (Jesus Cristo) é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta como pedra angular. E em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos.” (Atos 4.11-12)

 

Thursday, 25 July 2013

Cristo, o Anticristo e o Papado


O “anticristo” é um concorrente de Jesus Cristo; portanto, o anticristo não é necessariamente contra o conceito do Cristo; ao contrário e mais frequentemente, o anticristo tira proveito do conceito Cristo. Aqueles que têm alguma familiaridade com a Bíblia, as Escrituras do Antigo e Novo Testamentos sabem que o Cristo é o Salvador ou Redentor prometido por Deus, através dos Profetas do Antigo Testamento, cujo cumprimento e vinda foram testemunhados pelos Apóstolos no Novo Testamento. Portanto, o anticristo é também, em princípio, um conceito que pode ser identificado como um “falso Cristo”.

O Cristo é alguém que foi anunciado como vindo para exercer, de fato, o que três ofícios tão preeminentes no Antigo Testamento simbolizavam ou limitadamente realizavam:

§  O Profeta que comunicava ao homem a mensagem ou palavra de Deus;

§  O Sacerdote que apresentava a Deus animais sacrificados como simbólica expiação pelos pecados dos homens;

§  O Rei que, com justiça e bondade, devia governar a comunidade do povo ou filhos de Deus.

Estes ofícios foram exercidos por muitos diferentes servos de Deus. Em Israel, Moisés e Samuel  aparentemente exerceram os três ofícios; eles foram profetas e sacerdotes; embora jamais tenham sido reis, eles inegavelmente exerceram governo em Israel, antes que houvesse rei. Além de Moisés, temos no Antigo Testamento uma longa lista de profetas, como Elias, Elizeu, Isaías, Jeremias e muitos outros; Arão e Samuel são os mais conhecidos sacerdotes; assim como Daví e Salomãosão os mais notáveis reis. Todos os profetas, sacerdotes e reis, além do limitado serviço que prestaram, são meros tipos de uma figura infinitamente superior, o Cristo; porque é este unicamente quem, real e perfeitamente, cumpre os ofícios de Profeta, Sacerdote e Rei, na relação entre Deus e a humanidade.

O Antigo Testamento criou e difundiu, não só em Israel, mas, entre muitas outras nações, a expectativa da manifestação ou vinda do Cristo, a “expectativa Messiânica”. “Messias” é o correspondente hebraico à palavra grega “Cristo” que literalmente significa “ungido”, alguém escolhido, apontado e habilitado por Deus para o exercício de um ofício. Os profetas, sacerdotes e reis foram vários e provisórios; O Cristo é único e eterno.

O Novo Testamento é o testemunho escrito do cumprimento da promessa (também escriturada) do Antigo Testamento. O Novo Testamento é o testemunho de que o Cristo é Jesus, o (eterno) Filho de Deus, mas também descendente de Daví, “segundo a carne” (Romanos 1.1-6), e por isso, filho de uma virgem chamada Maria (Mateus 1.18-23; Lucas 1.26-35), nascido em Belém da Judéia (Mateus 2.1), também conhecido como Jesus de Nazaré (Mateus 2.19-23).

Jesus Cristo é o Profeta; porque Ele, não somente trouxe aos homens a Palavra de Deus (como os outros profetas); mas, sendo o Eterno e Unigênito Filho de Deus Ele é, em pessoa, a final e completa revelação de Deus aos homens (João 1.1-8). Jesus é o Sacerdote; porque, pelos pecados dos homens, Ele ofereceu, não repetitivos sacrifícios simbólicos de animais, mas ofereceu, uma só vez e definitivamente a si próprio como o único sacrifício real eficaz pelos pecados dos homens. Isto foi realizado porque Jesus Cristo é o Eterno Filho de Deus encarnado (em natureza humana); portanto, legítimo representante do homem, mas absoloutamente Santo, por isso o seu sacerdócio (intercessão) é irrecusável perante a justiça divina (Hebreus 7.20-28). Jesus Cristo é o Rei; porque Ele, como já indicava o Antigo Testamento (Isaías 9.6-7; Malaquias 3.1), é mais que qualquer mero homem, é Deus encarnado (João 1.1-3,14); e, após morrer “pelos nossos pecados”, Ele “ressuscitou ao terceiro dia” (1 Coríntios 15.3-4), tornando-se o vitorioso Redentor dos filhos de Deus, com e sobre os quais reina eternamente (Filipenses 2.5-11).

O anticristo não é, como muitos pensam, algo ou alguém que vai aparecer somente no derradeiro final de uma era. O anticristo tem estado presente em toda esta última era que já dura aproximadamente 2000 anos, que podemos chamar a “Era da Igreja da Nova Aliança” (1 João 2.18).

O anticristo é a personificação de uma força ou movimento que habilita muitos “anticristos”. Ambos, o anticristo e os anticristos, são principalmente desertores da fiel Igreja de Cristo Jesus, por haverem abandonado a “verdade”, ou seja, o fiel testemunho de Jesus Cristo, como o encobtramos nas Escrituras Sagradas do Antigo e Novo Testamentos (1 João 2.18-26). O anticristo e os anticristos têm por propósito e meta afastar ou impedir que homens conheçam plenamente e confiem absolutamente em Jesus, o Cristo, para sua salvação, a vida eterna, ou reconciliação e eterna comunhão com Deus (1 João 2.22-26).

Como já indicamos, o anticristo (e igualmente os anticristos) não se opõe diretamente ao conceito de Cristo. O anticristo pode negar que Jesus é o Cristo, que Jesus Cristo é verdadeiro homem (nascido da virgem Maria) e verdadeiro Deus (o Eterno Filho de Deus). O anticristo pode não se opor direta ou claramente a Jesus Cristo, mas, nega o fiel ou completo Cristo das Escrituras Sagradas, nega a  sua importância e suficiência absolutas; esta é a mais sutil e eficaz abordagem e estratégia do anticristo.

As Escrituras também mencionam “falsos profetas” (Mateus 7.15-23; 24.11; Atos 13.6-12), “falsos mestres” (2 Pedro 2.1-3) e “falsos apóstolos” ( 1 Coríntios 11.13); todos estes nomes são diferentes designações para os anticristos, que distraem ou desviam a atenção dos homens do único Cristo, Jesus, o Cristo das Escrituras (João 5.39), para o anticristo, um falso cristo (Mateus 24.23-26; 1 João 4.1-4).

Entretanto, o anticristo propriamente também é identificado nas Escrituras Sagradas com o “falso profeta” (Apocalipse 16.13; 19.20; 20.10). Este é certamente algo ou alguém que se destaca dentre ou acima de todos os falsos profetas. Este falso profeta é mencionado no contexto de uma poderosa tríade: o “dragão”, a “besta” e finalmente o “falso profeta”. O dragão é Satanás (Apocalipse 20.2); a besta, com certeza significa um poder imperial, um rei que tem domínio sobre nações (Apocalipse 13.1-10; 17.11); o falso profeta inegavelmete personifica um poder religioso, como o próprio nome indica. Com a decisiva ajuda do falso profeta, a besta age, conquista e prospera, ao ponto de se tornar alvo de adoração entre os povos, mas odeia e persegue ferozmente a fiel Igreja de Jesus Cristo (Apocalipse 13.1-18). O falso profeta, também é identificado como a “besta que emerge da terra” (Apocalipse 13.11), em distinção da que “emerge do mar” (Apocalipse 13.1); para muitos, esta segunda besta parece um manso cordeiro, em contraste com o verdadeiro Cordeiro, Jesus Cristo (Apocalipse 13.8), que “tira o pecado do mundo” (João 1.29); mas, de fato, a besta que emerge da terra fala em nome do dragão.

Como as Escrituras identificam o anticristo com as duas bestas, já mencionadas; e, conforme já visto, a besta e o falso profeta (segunda besta) operam conjuntamente, sob o poder do dragão (Apoc alipse 13); assim, a besta e o falso profeta podem ser entendidos como a duas faces do anticristo, uma face civil e uma face religiosa, que constituem uma única força ou poder que se opõe a Jesus Cristo.

No livro de Apocalipse também tomamos conhecimento de uma cidade, simbolicamente chamada de “Babilônia”, tipificada por uma mulher adúltera (Apocalipse 17.1-5), “embriagada com o sangue dos santos..., das testemunhas de Jesus Cristo” (Apocalipse 17.6). Esta cidade é um lugar ou centro onde o anticristo (a besta e o falso profeta) exerce o seu poder no mundo (Apocalipse 17.1-18).

As Escrituras também mencionam o anticristo como o “homem da iniquidade”  ou o “iníquo (2 Tessalonicenses 2.1-10). Este homem da iniquidade nos remete ao “abominável da desolação” (Mateus. 24.15), que tem relação com um inimigo, feroz contra o povo de Deus, e atrevido diante de Deus (Daniel 9.27; 11.31; 12.11). Embora a História da Redenção já tenha testemunhado outros cruéis e arrogantes inimigos de Deus e seu povo, como Faraó e Nabucodonosor, a profecia de Daniel parece ter um cumprimento parcial e antecipativo no rei Sírio, Antioco IV, que invadiu invadiu Jerusalém e profanou o Templo, em 168 aC. Faraó, Nabucodonosor e Antíoco VI, são protótipos do anticristo. Quanto às menções da presença do “abominável da desolação” no “lugar santo” (Mateus. 24.15), e do “homem da iniquidade”  assentado no “santuário de Deus” (2 Tessalonicenses 2.4), isto significa o atrevimento  do anticristo contra Deus, a sedução, engano e poder que exerce sobre uma significativa parcela da Igreja que, assim, perde o seu foco em Jesus Cristo. A influência e poder do anticristo, que têm perdurado durante toda esta era da Igreja da Nova Aliança, somente serão eliminados completamente na gloriosa volta de Jesus Cristo (Mateus 24.29-31; 2 Tessalonicenses 2.7-8; Apocalipse 19).

Portanto, o anticristo é um concorrente de Jesus Cristo e, como tal, ele pode se manifestar de diversas formas: como um Cristo que não é o Jesus, como um substituto de Jesus Cristo, ou simplesmente como um complemento de Jesus Cristo. Contudo, será sempre um falso Cristo, um adversário do único, verdadeiro e onipotente Salvador, Jesus Cristo, fora do qual não há salvação para os homens.

E o chamado Papa, que relação pode haver entre ele o anticristo? Com a ajuda da História, veremos que o Papado é a mais notável continuação do Império Romano, é a forma religiosa em que o Imperador Romano sobrevive até o presente. O próprio título papal de “Sumo Pontífice” é herança do título do Imperador Romano como supremo chefe político e religioso do Antigo Império Romano, e que, como tal, recebia honras divinas.

A partir do início do Século II, aparece na Igreja a idéia (estranha ao Novo Testamento) do “bispo monárquico”, nas principais cidades do Império, conquistadas pela fé cristã; e, já no final deste século, surge a idéia da preeminência do bispo de Roma sobre os demais bispos das demais cidades.

Em 313, o Imperador Romano Constantino se declarou Cristão e depois disso os cristãos ganharam libertdade de culto, e outros privilégios. Quando, em 330, Constantino transferiu a sede do Império para Constantinopla, o bispo de Roma ganhou maior e progressiva preeminência. Em 380, o Imperador Teodósio I tornou o Cristianismo a religião oficial do Estado. Quando finalmente a parte ocidental do Império Romano caiu sob o poder dos invasores “barbaros” (476), sobreviveu a forma ou face religiosa e “cristianizada” do Império no Bispo de Roma, que gradualmente cresceu em influência e poder.

A partir de 590, Gregório I (o Grande), bispo de Roma, que fêz prosperar a riqueza da Igreja, exerceu decisiva liderança na contenção do avanço dos invasores lolardos sobre a cidade. Enviando missionários, ele também expandiu e consolidou o poder do episcopado de Roma no ocidente.

Depois disso, no ano 800, o Papa Leão III coroou o rei franco, Carlos Magno, Imperador do proto “Sacro Império Romano”; e, em 962, o Papa João XII coroou o rei germânico, Otto I, como o Imperador do idealizado “Sacro Império Romano”. Em 1302, o Papa Bonifácio VIII promulgou a “bula papal” conhecida como “Unam Sanctum” que declara o Papa como supremo poder, acima dos reinos; e que, afim de que seja salvo, cada ser humano, precisa necessariamente submeter-se ao Pontífice Romano.

Sucessivos Papas continuaram reivindicando, além do poder espiritual, o poder temporal (civil); enquanto alguns reis afirmavam a sua autonomia; até que, em 1798 tropas francesas invadiram territórios papais e fizeram preso o Papa Pio VI, que logo morreu. Em 1801, o Papa Pio VII entra em acordo com a França, e, em 1804, coroa Napoleão como Imperador. Entretanto, em 1870, o rei da Itália, Victor Emanuel II, tomou Roma e os territórios papais. Em 1929, o Papa Pio XI, aceitou a perda imposta, mediante um acordo com o primeiro ministro da Itália, Benito Mussolini; quando também foi reconhecida a cidade-estado do Vaticano, como território Papal, também chamada a “Santa Sé”.

Embora a influência e poder do Bispo de Roma, atual chefe de estado do Vaticano, tenha variado no decurso da História, o Papa é de fato um rei, cuja cidade-estado é o Vaticano; de onde ele exerce sua influência e poder no mundo; e onde a face religiosa do antigo Império Romano sobrevive até hoje.

No passado, os Papas, além de enviar missionários e encampar igrejas regionais que nunca estiveram sob o seu poder, já comadaram exércitos conquistadores (as Cruzadas), coroaram e humilharam reis, e até ordenaram a perseguição e extermínio de adversários. Curiosamente, em nossa presente era secular, a influência do Papa está ganhando força; e a sua influência sobre as nações depende, em parte, da presença, organização e força do Catolicismo Romano em cada nação, e, também em parte, das aspirações e empreeendimentos com vistas à expansão dos poderes espiritual e temporal (civil ou político) de cada Papa. Certamente, criação do Estado do Vaticano, tornou-se decisiva para a permanência e futuros posíveis desenvolvimentos do Papado.

Existem influentes e poderosas religiões e organizações religiosas; porém, o Papado é a única instituição religiosa que, de fato se qualifica como um Império Religioso. É, no mínimo, intrigante a detalhada semelhança entre o anticristo mencionado nas Escrituras Sagradas e a milenar instituição do Papado. Até o presente momento parece impossível identificar outra manifestação do poder do anticristo mais persistente e bem sucedida que o Papado:

§   Ele assume a posição de Deus quando adota o título de Papa (Pai), título somente atribuído no Novo Testamento a uma das pessoas da Trindade: Deus, o Pai (Mateus 23.8-12).

§   Ele se intitula e é reconhecido como o representante de Cristo na terra, posição que conforme o próprio Senhor Jesus Cristo é ocupada somente pelo Espírito Santo (João 14.16-20).

§   Com as doutrinas estabelecidas pelo poder e alegada “infalibilidade papal” (especialmente o culto a Maria e a outros santos, salvação pelas obras), ele nega a absoluta suficiência de Cristo (Gálatas 1.6-9).

§   Ele mantém enganados, cativos e subordinados muitos que se consideram seguidores de Cristo (2 Pedro 2.1-3).

§   Ele pretensamente reina na Igreja e quer reinar sobre as nações, como somente Jesus Cristo reina (Efésios 1.15-23).

A Reforma do século XVI foi o maior golpe e perda do Papado, em toda a sua história; pois libertou e tem contribuído para o nascimento de igrejas e milhares de crentes livres do domínio papal. Porém, a Reforma não conseguiu neutralizar a multiplicação de anticristos, nem o fortalecimento do anticristo; somente a volta de Jesus Cristo o fará. Entretanto, quando herdeiros da Reforma, protestantes ou evangélicos, negligenciam ou rejeitam a fiel e sitemática Pregação da Palavra de Deus, e, consequentemente, se deixam levar por crenças ou doutrinas de homens, que tiram o do foco de Jesus Cristo, de Sua exclusiva e absoluta glória como o único e suficiente Salvador, ainda que nunca declarem lealdade ao papado, estão se subordinando e fortalecendo o poder do anticristo.


“Amados, enquanto eu empregava toda a diligência para escrever-vos acerca da salvação que nos é comum, senti a necessidade de vos escrever, exortando-vos a pelejar pela fé que de uma vez para sempre foi entregue aos santos. Porque se introduziram furtivamente certos homens, que já desde há muito estavam destinados para este juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de nosso Deus, e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo.” (Judas 3-4)

Tuesday, 9 July 2013

Pela Fé, e Não pelo que se Vê, mas com Razão e Amor.


A vida cristã é vivida pela fé, e não pelo que se vê; e a fé vem, não pelo que se vê, mas pelo ouvir a palavra de Deus (Romanos 10.17). Estamos nos referindo à fé que salva o pecador da ignorância e separação de Deus, assim como de todas as misérias decorrentes de tal ignorância e separação.

Não podemos ver a Deus, somente podemos ver a glória do seu poder na sua obra da Criação, e conhecer a glória do seu amor na sua obra da Redenção. Porém, sem ouvir a palavra de Deus, absolutamente nada podemos conhecer de sua obra redentiva; e até negamos a glória de Deus como o Criador, atribuindo ao puro acaso a indescritível magnitude da natureza e do universo.

Não podemos ver a Deus; mas podemos ouvir a sua voz. Como cantamos em um hino: “nem Adão chegou a vê-lo, antes mesmo de pecar”; porém, a voz de Deus, Adão ouviu; e até o mais odioso pecador também a pode ouvir. A palavra de Deus não tem como objetivo nos desvendar os mistérios da Criação, mas de fato nos livra da cegueira e irracionalidade que ignora Deus como o Criador. O objetivo da palavra de Deus é desvendar ou revelar os mistérios da redenção, ou seja, os mistérios da reconciliação do homem pecador com o Deus santo, os mistérios da nossa passagem da morte para a vida, das trevas para a luz.

O apóstolo Pedro chama a palavra de Deus de a “palavra profética”; pois ela foi comunicada por “homens separados (que) falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo”. Esta palavra de Deus, Pedro também chama, no mesmo contexto: a “Escritura” (2 Pedro 1.19-21). Como já afirmamos, o objetivo da palavra de Deus é revelar os mistérios da redenção; portanto, o centro ou objetivo principal da Escritura (a Palavra de Deus) é nos dar o conhecimento do nosso glorioso Redentor, Jesus Cristo (2 Pedro 1.16-18).

Portanto, a nossa vida cristã, isto é, a nossa frutuosa vida de comunhão e relacionamento com Deus, em Cristo Jesus, começa e é mantida pelo ouvir a Palavra de Deus (João 15.1-8).

Falando através de Moisés, Deus proibiu israel de fazer qualquer imagem sua para o culto, lembrando ao povo que este não viu nenhuma aparência de Deus no Monte Sinai, embora tenha ouvido alí a palavra de Deus (Deuteronômio 4.15-19).

Deus “caminhava” com Israel no deserto, mas não era visto (Êxodo 33.12-16). Deus habitou com Israel e era o invisível Onipotente Rei de Israel, antes que houvesse monarquia em Israel (1 Samuel 12.12). Jesus Cristo é o Rei Eterno, embora não tenha vindo com aparência de rei (Mateus 21.4-5); e Ele reina, embora o seu reinado ainda não tenha a aparência ou visibilidade que terá em “Novos Ceus e Nova Terra” (Lucas 17.20).

O Espírito Santo foi derramado em grande plenitude sobre a Igreja da Nova Aliança no dia de Pentecostes; não podemos ver o Espirito Santo, sentir o seu cheiro, nem tocá-lo. Contudo, Ele habita na Igreja e fala a ela, quando as Suas Escrituras (escritas e inspiradas pelo próprio Espírito Santo) são lidas e fielmente explicadas.

Exceto pelo Batismo e Santa Ceia, quando administrados, o verdadeiro culto a Deus dispensa todo e qualquer aparato visual (templos, vestes especiais, imagens, encenações, gravuras e símbolos), porém jamais prescinde ou renuncia a Palavra de Deus, cujo centro é Jesus Cristo.

Servimos e perseveramos em servir a Deus pela fé, isto é, ouvindo e obedecendo a palavra de Deus, e não de acordo com os resultados imediatos que possamos obter ou ver.

O homem quer ver para crer; porém, em se tratando do relacionamento do homem com Deus isto é ofensivo; porque Deus, a única realidade eterna e absoluta, não pode ser visto. O simples fato de existirmos,  e havermos sido criados à imagem e semelhança de Deus, deveria ser suficiente para reconhecermos existência e soberania de Deus.

Entretanto, mesmo os crentes demandam ver para crer, ver quantidade, institucionalidade e celebridade. Muitos dos que se dizem crentes são convencidos pela “quantidade” de seguidores, mesmo quando esta é resultado ou está associada ao desprezo da Palavra de Deus; para estes, a quantidade significa bênção e aprovação de Deus. Outros crentes subordinam sua fé à aprovação social ou à institucionalização estatal; para estes, a aceitação, aclamação e aprovação social ou legal equivalem à expressão da vontade de Deus. Para outros que também se identificam como crentes a “voz de Deus” é a voz das celebridades (seculares ou religiosas), e não as Escrituras Sagradas.

Deus quer atingir o nosso pensamento, lógica e razão. A Palavra de Deus (lida, pregada, e na forma dos dois sacramentos) passa por nossos sentidos, mas o seu alvo é o nosso pensamento, lógica e razão. É em nosso pensamento, lógica e razão que a Palavra de Deus se aloja, habita e frutifica na fé salvadora. O conhecimento supremo do homem é o conhecimento de Deus; o mais nobre exercício do pensamento, da lógica e da razão é o conhecimento dos propósitos de Deus.

A superstição ou crendice convence imediatamente os que valorizam e se contentam com a percepção dos sentidos, especialmente o “ver, para crer”. A fé salvadora prefere a audição, isto é, “o ouvir a Palavra de Deus” como meio, para alcançar e frutificar em nosso pensamento, lógica e razão (Hebreus 4.12).

Portanto, a Palavra de Deus exercita e fortalece nosso nosso pensamento, lógica e razão, recuperando e aperfeiçoando, em nós, a imagem e semelhança de Deus, libertando-nos de uma compreensão limitada pelos sentidos. É especialmente no uso do pensamento, lógica e razão que mais radicalmente nos distanciamos dos animais e somos semelhantes a Deus.

A fé, uma vez gerada pela Palavra de Deus, nos intruduz no relacionamento com Deus. Esta mesma fé, alimentada pela Palavra de Deus, nos mantém neste relacionamento, e impede que dele nos afastemos. Deus não é matéria, mas Espírito; a encarnação do Eterno Filho de Deus (João 1.1-14), não muda a essência do ser divino que é espiritual. Portanto, não podemos perceber a presença do Deus Invisível (1 Timóteo 1.17) pelos sentidos, mas pelo pensamento, lógica e razão; e, para isto, ainda precisamos da Palavra de Deus que tem o poder de gerar e nutrir a fé salvadora.

A fé é oposta à incredulidade, mas também nada tem a haver com a superstição ou credulidade; a fé está relacionada ao pensamento, lógica e razão. Porém, por si mesmos, o pensamento, a lógica e a razão não têm o poder de gerar a fé; a Palavra de Deus tem este poder (1 Pedro 1.23). Portanto, a fé em Cristo, à qual a pregação do Evangelho (Palavra de Deus) nos chama não é oposta à razão, mas se dirige à razão (1 Pedro 3.15)

Os verdadeiros crentes (os que nunca se apostatarão) são gerados pela semente da Palavra de Deus, sob o poder vivificante do Espírito Santo. Estes são habilitados a, no pleno exercício do pensamento, lógica e razão, “ver o (Deus) invisível” (Hebreus 11.27).

Não temos menor vantagem ou privilégio em relação aos contemporâneos de Jesus Cristo que o viram. Ninguém pode ser salvo por simplesmente ver a Jesus Cristo. Ao contrário, ver a Jesus Cristo encarnado, antes de sua glorificação era decepicionante: O profeta Isaías o descreve com a aparência de “uma raiz de uma terra seca; (que) não tinha aparência nem formosura; olhamo-lo, mas nehnuma beleza havia que nos agradace” (Isaías 53.1). Desde o seu nascimento (Lucas 2.7) até a sua, já mencionada, entrada em Jerusalém (Mateus 21.4-5), Jesus Cristo não tinha aparência de um rei. Depois, Jesus foi publicamente crucificado; e naquele exato momento alguém queria ver Jesus descer da cruz, e, escarnecendo, disse: “É rei de Israel! Desça da cruz, e creremos nele.” (Mateus 27.42).

Jesus não desceu da cruz, mas alí morreu; porque “precisamente com este propósito” ele viera (João 12.27). “Cristo morreu pelos nossos pecados” (1 Coríntios 15.3). Entretanto, ao terceiro dia Ele ressuscitou, e foi visto por muitos (Coríntios 15.4-8), como a final evidência de que Ele é o Salvador, anunciado pela Palavra de Deus.

Entretanto, até o ver a Jesus Cristo ressurreto, é insuficiente para salvar o pecador. Jesus, em seu diálogo com Tomé, referiu-se à inutilidade da fé que é mera e imediata resposta ao que se vê, dizendo: “Porque me viste creste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram” (João 20.29). Isto está em pleno acordo com o que Jesus já houvera dito antes: “quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida.” (João 5.24).

Somos salvos por ouvir a Palavra de Deus (a qual é sobre sobre Jesus Cristo) quando ela está operando no campo de nosso pensamento, lógica e razão, sob a ação do Espírito Santo (João 16.7-14), e assim, gera em nós a fé salvadora.

A fé salvadora é gerada e alimentada somente pela Palavra de Deus e não por qualquer visão das obras de Deus. Todas as obras de Deus (Criação, providência ordinária e milagres) têm seus próprios méritos e são dignas de todo nosso louvor; porém elas não podem, nem são destinadas a gerar e nutrir a fé. A fé que nos salva é um gracioso dom de Deus, gerado e nutrido pela Palavra de Deus, cujo mensagem central é Jesus Cristo, como o nosso Redentor.

Crer que Deus é o Criador, que Ele nos dá o pão de cada dia e que Ele faz milagres, não é a fé salvadora. A fé salvadora conhece e confessa a Jesus Cristo como o único e completo Salvador, o Eterno Filho de Deus, o único doador da vida eterna aos homens, que se encarnou para oferecer o seu sangue como a propiciação pelos nossos pecados (João 3.16).

Nossa fé em Jesus Cristo não se fundamenta no que vemos, nem se abala em consequência do que não podemos ver. Nossa fé em Jesus Cristo independe de vermos ou não vermos milagres hoje, de sermos pessoalmente ricos e saudáveis, ou pobres e enfermos. A fé salvadora não oscila conforme o número dos que frequentam as igrejas, nem conforme a aprovação social ou legal da igreja, e nem conforme a presença ou ausência de celebridades entre os crentes. Nossa fé vem da poderosa e convincente Palavra de Deus.

Entretanto, esta fé que não é uma resposta imediata dos sentidos (especialmente da visão), e que passando do limite da visão (que é mero meio), no campo do pensamento, lógica e razão produz a fé salvadora, pois sua semente é a própria Palavra de Deus, esta fé finalmente se manifesta em amor, amor a Deus de todo o coração, de toda a alma e de todo o entendimento (Mateus 22.36-38). A idolatria é uma afeição dos sentidos, o amor a Deus é fruto da fé salvadora, que vem pelo ouvir a Palavra de Deus, que convence o pensamento, lógica e razão, para ocupar todos os espaços e e dilatar o nosso coração através do amor a Deus.

Os “shows de milagres”, os espetáculos musicais e teatrais e a imponência das antigas e modernas catedrais, podem atrair multidões. Contudo, é somente a pura e simples Palavra de Deus, anunciada pelo mais humilde pecador, que tem o poder de gerar e nutrir a salvadora fé em Cristo Jesus.

“Não só de pão o homem viverá, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.” (Mateus 4.4)

“... não atentando nós nas coisas que se vêem, mas sim nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, enquanto as que se não vêem são eternas.” (2 Coríntios 4.18)

 “Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão.” (Mateus 24.35)