Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fide, Solus Christus, Soli Deo Gloria

Wednesday, 29 May 2013

De Amor, Ninguém Entende Mais e Melhor do que Deus


Quando os discípulos perguntaram a Jesus Cristo sobre os sinais que haveriam de caracterizar o tempo de sua vinda (volta), e da consumação da era (tempo) fixada entre a primeira e segunda vindas de Jesus Cristo, entre outros sinais Jesus indicou a “multiplicação da iniquidade” o “esfriamento do amor” (Mateus 24.12).

Estamos vivendo em uma era global que parece estar (sob uma observação otimista e superficial) contradizendo o sinal mencionado por Jesus. Apesar de vivermos em uma época e sociedade em que cresce a rejeição de Deus como um Ser pessoal, soberano, presente e provedor no universo ou criação, cresce e se fortalece o concenso de que Deus, embora não necessário, somente pode ser tolerado e respeitado como um conceito subjetivo, sentimental e cultural. Entretanto, o amor, que sempre foi preeminente nas artes (especialmente na música e no teatro), hoje também tem posição privilegiada nas ciências humanas em geral, nos projetos e discursos políticos. Em nossa era pós-moderna, a razão já não é a virtude suprema, todas as organizações e pessoas formadoras de opinião se redem aos encantos do amor, e colocam nele a esperança de um futuro melhor.

Hoje, se admite e proclama publicamente que tudo tem que ser feito com amor, do trabalho do prefeito que administra uma cidade, ao professor que educa, e ao funcinário público que varre a rua. O segredo do sucesso na vida é o amor! Então, parece que o sinal dado por Jesus Cristo é um prognóstico que vai falhar, ou, no mínimo, está muito distante de se cumprir.

Entretanto, parece que o problema se encontra na diferença que há entre o significado da palavra “amor” usada por Jesus, e o significado de “amor” na mídia contemporânea. Na mídia, a palavra “amor” significa “gostar” ou “ter prazer”.  Por exemplo a expressão “fazer amor” significa “fazer sexo”.

Não podemos negar que um dos mais importantes segredos do sucesso é gostar ou ter prazer no que se faz; até segredo do sucesso (generalização) do pecado também é o “prazer” imediato que o pecado produz. As pessoas estão aprendendo a importância de fazer o que gostam, e a gostar do que fazem, para obter sucesso em seus empreendimentos; porém, isto não é amor.

Observando os fatos de modo mais realista e profundo, veremos que o sinal indicado por Jesus Cristo: “e, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos” (Mateus 24.12), está se cumprindo assustadoramente.

De amor, ninguém entende mais e melhor do que Deus; portanto, consideremos o que Deus, em sua Palavra, as Escrituras Sagradas, nos revela sobre o amor. Em primeiro lugar devemos dar atenção ao fato de que Deus diz que Ele é amor (1 João 4.16).

Não existe amor fora do conhecimento e relação com Deus (o que é radicalmente diferente de simplesmente alguém ter uma religião, seja ela qual for). O apóstolo João escreveu: “Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus” (1 João 4.7); “e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele” (1 João 4.16).

Qualquer pessoa é capaz de encontrar coisas que “gosta de fazer” ou que “tem prazer em fazer”, e chama isto de “amar o que faz”. Porém, isto não é o amor que consiste em um dos principais atributos de Deus, e que depende de nosso conhecimento e relação com Deus.

O amor de Deus é a causa da manifestação do eterno Filho de Deus “em carne”, ou seja da vinda ou nascimento de Jesus Cristo, e de sua morte (João 3.16-17), seguida de sua ressurreição e ascensão, e a causa de sua prometida volta (João 13.34-14.3).

O amor está mais frequentemente associado à paixão que ao prazer; não nos referimos à egoísta e obsessiva paixão sexual , mas à paixão ou sofrimento da auto-entrega de quem ama por aquele(a) que é amado(a).

Quando o apóstolo Paulo trata do amor do marido para com a sua esposa, ele escreve: “Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou (morreu) por ela” (Efésios 4.25). Quando o apóstolo João se referiu ao amor que deve caracterizar o relacionamento dos filhos de Deus, ele escreveu: “Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar a nossa vida pelos irmãos” (1 João 3.16). 

O amor que Jesus disse que haveria de “esfriar de quase todos” no “final dos tempos” não é o amor que significa “gostar” e “ter prazer”, aliás, este vai aumentar, conforme escreveu Paulo, discípulo e apóstolo de Jesus Cristo, também se referindo aos “últimos tempos”: “os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder...” (2 Timóteo 3.2-5).

Será que a maioria das pessoas que roubam, e até matam, assim fazem, porque precisam, para preservar a própria vida? E, os que estupram? Por que um bando de jovens de classe média alta ateiam fogo a alguém dormingo em uma calçada? Por que alguns assaltantes matam violentamente a vítima assaltada? Por que estes atos de violência acontecem onde há pobreza, e também onde há prosperidade econômica? Não será principalmente pelo prazer de roubar, estuprar e matar?

Na verdade, ao contrário do que muitos querem admitir, o que Jesus e seu discípulo Paulo disseram está se cumprindo, em escalas, cada vez mais alarmantes: “a iniquidade se multiplica” e “o amor se esfria em quase todos”; os homens se tornam “amigos dos prazeres” pecaminosos, na medida em que se tornam “inimigos de Deus”.

O apóstolo Paulo, inspirado por Deus, escreveu sobre o que é o amor: “O amor é paciente, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece, não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal; não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. (1 Coríntios 13.4-7). Este amor, ninguém duvida, está esfriando em quase todos.

Estes versículos (4-7) do magnífico capítulo do Amor (1 Coríntios 13), poderiam ser chamados de a “lei do amor”; sim, porque em Deus não há contradição entre o amor e a lei. A chamada  “lei de Deus” é a “lei do amor”, que procede e protege o amor. Diferente das leis criadas pelo homem, as quais são relacionadas aos interesses do poder e da riqueza. A lei de Deus está totalmente vinculada ao amor.

Não se pode dissociar o amor da lei essencial que dele procede e o protege. Quando Jesus foi perguntado sobre o mais importante mandamento da “Lei de Deus”, Ele respondeu: “ Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas. (Mateus 22.36-40). A apóstolo Paulo também escreveu que “o cumprimento da lei é o amor” (Romanos 13.10). O amor tem lei (regra), esta lei protege, preserva e fortalece o amor.

De fato, foi exatamente isto que Jesus afirmou, quando disse, “e por se “multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos” (Mateus 24.12). A palavra “iniquidade” significa literalmente “negação da lei”.  O amor que é atributo de Deus e que é comunicado de Deus ao homem tem uma lei, a “lei sagrada” que procede do amor e protege o amor contra a sua extinção.

Nas últimas décadas, muito frequentemente temos ouvido o argumento de que o amor justifica várias formas de relacionamento e união sexual, além do casamento entre um homem e uma mulher, aptos para “deixar pai e mãe”, afim de se tornarem permanentemente “uma só carne” (Gênesis 2.24). Entretanto, o grande engano e malignidade deste argumento é que ele usa a palavra “amor” para substituir a palavra “desejo”. Amor é algo sublime e amplo que tem uma dimensão espiritual (relação do homem com Deus), e outra social (a relação do homem com o próximo). O desejo ignora Deus e o próximo, somente leva em conta o indivíduo e o objeto do seu desejo. De acordo com este argumento, o que importa é o amor (entenda-se, a busca da felicidade ou  satisfação pessoal); este tipo de amor não está se esfriando. Porém, o amor que tem regras ou leis que glorificam a Deus e promovem o bem do próximo, este amor está desaparecendo de quase todos.

Que amor é esse que sucumbe ao desejo de possuir algo, alguém, ou ao desejo sexual, ao invés de subordinar tal desejo. O verdadeiro amor não quer possuir mas está pronto a se entregar, entregar-se, mas não ao prazer, e sim ao sofrer, e estar disposto a perder até a própria vida, por aquele e aqueles que são amados.

É lamentável que as pessoas estejam deliberadamente ignorando Deus e a Lei de Deus, em confiança no homem e nas suas leis, preferindo um amor fabricado pela imaginação humana ao amor eterno, porque é o amor que é atributo do Deus eterno.

Jovens, ouçam as Palavras de Deus, ninguém entende mais e melhor de amor do que Deus; não acreditem no que os falsos profetas deste século estão profetizando sobre o amor com suas músicas, filmes e preleções. Este amor é uma fabricação, uma falsificação do verdadeiro amor. O experimento do amor fabricado pelo homem estimula a egocêntrica busca da auto-satisfação que, imediatamente parece compensadora, mas no decurso do tempo é auto-destrutiva. O amor de Deus, embora seja um exercício de auto-domínio, subordinação à “lei do amor”, um exercício de auto-negação e auto-entrega a Deus e ao próximo, este é o exercício da vida, da vida eterna.

Ao contrário do que estão proclamando os profetas da auto-realização, auto-satisfação, auto-ajuda, seculares e religiosos, diga não à sua confiança em si mesmo, à sua busca de auto-satisfação, à sua indiferença e rebelião contra Deus; ouça a Palavra de Deus; e receba com conhecimento e fé a Jesus Cristo, Aquele que veio por amor e morreu por amor, o amor de Deus.

São os nossos pecados (e nossa condição de pecadores) que nos mantêm alienados de Deus, que extinguiram em nós o verdadeiro amor, e nos fazem ficcionados na auto afirmação e satisfação. Pecado é coisa séria, somente os “loucos” zombam de sua gravidade (Provérbios 14.9); pois sobre o pecado, a Palavra de Deus nos diz:

§   É a transgressão da lei (1 João 3.4) – da lei de Deus ou lei do amor;

§   Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus (Romanos 3.23);

§   O salário do pecado é a morte (Romanos 6.23).

Ouça a voz de Deus, aceite a reconciliação com Deus, conheça e confie em Jesus Cristo; porque a Palavra de Deus que afirma: “o salário do pecado é a morte”; também declara que “o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor” (Romanos 6.23).

Acredite, somente começamos a conhecer a amor, quando pelo conhecimento e fé em Cristo Jesus, somos reconciliados com Deus; porque somente Deus é amor.

“Ora a esperança não desaponta, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. Pois, quando ainda éramos fracos, Cristo morreu a seu tempo pelos ímpios. Porque dificilmente haverá quem morra por um justo; pois poderá ser que pelo homem bondoso alguém ouse morrer. Mas Deus dá prova do seu amor para conosco, em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós.” (Romanos 5.5-8).

Sunday, 5 May 2013

Nossa Única Glória É a Glória de Deus


Adão foi criado perfeito, mas caiu (Eclesiastes 7.29). Alguns homens e mulheres como Abraão e Sara, Jó, Moisés, Samuel, Daví, Maria, Pedro e João, embora sejam exemplares em sua conduta e vida, jamais foram perfeitos. O apóstolo Paulo, se chamou um “desventurado” pecador (Romanos 7.12-25).

Somente um homem jamais pecou, Jesus Cristo o eterno Filho de Deus que também se tornou Filho do Homem, ao assumir a natureza humana, contudo, conservando absolutamente íntegra a sua natureza divina. Jesus Cristo é chamado o “Último Adão”, em contraste com o primeiro (“alma vivente”) que pecou e morreu, com toda a sua geração regular. O Último Adão, Jesus Cristo, além de jamais haver pecado, morreu pelos pecadores, porque o salário do pecado é a morte (Romanos 6.23), e ressuscitou vencendo definitivamente a morte; e por isto, Ele é também chamado de o “Espírito vivificante” (1 Coríntios 15.45-49). Jesus Cristo é chamado o Último Adão porque Ele realizou aquilo em que o primeiro Adão falhou – receber para si e para suas gerações a vida eterna ou eterna comunhão com Deus. Por sua vida justa (absolutamente impecável) e sua morte em lugar dos pecadores, Jesus Cristo adquiriu perante a justiça divina o direito de conceder a vida eterna (eterna comunhão com Deus) aos pecadores que com justiça, estavam condenados à morte eterna. Foi por isso, que Abraão foi justificado pela fé (Gênesis 15.6; Romanos 4.9); Maria se gloriou em Deus, seu Salvador (Lucas 1.39-47); e o “desventurado” Paulo somente encontrou esperança e graça em Deus, por meio de Jesus Cristo (Romanos 7.24-25).

Reconciliados com Deus, por meio de Jesus Cristo, devemos diligentemente perseguir ou buscar a santidade de vida, a santidade como a principal característica do nosso modo de viver (João 17.17; Hebreus 12.14). Porém não a “santidade” hipócrita que oculta o pecado sob a cortina da religiosidade, nem a “santidade” sem compaixão e misericórdia para com outros pecadores, nem tão puco a “santidade” arrogante e vaidosa baseada em nossa própria ilusória habilidade para cumprir a lei de Deus. Quem verdadeiramente entendeu ou Evangelho (a doutrina da salvação pela fé em Jesus Cristo) sabe que é somente pelo “sangue” e “óleo” (Levitico 8.22-30; 14.1-32) que ingressamos, permanecemos e progredimos no caminho da santidade, ou seja, pelo sangue de Jesus Cristo (1 João 1.5-10), e pelo óleo do Espírito Santo (1 João 2.27-29).

Não fosse a misericórdia e o plano de Deus somente viveríamos pecando, até à morte, mesmo depois de regenerados (1 João 5.18). Nossos pecados são verdadeira, legítima e naturalmente nossos (Tiago 1.12-15; Romanos 7.14-23); qualquer justiça ou bem que praticamos e verdade que falamos são provenientes de Deus somente, e não de nós propriamente (Tiago 1.16-18; Filipenses 2.12-15). Somos culpados de uma grande variedade de pecados e capazes para absolutamente todos os pecados, até aqueles que, impedidos pelo cuidado e providência de Deus, ainda não cometemos; e, para não cometê-los, dependemos totalmente do poder santificador do Espírito Santo. Somos incapazes, exceto pela graça e providência de Deus, além do poder do Espírito Santo, de qualquer perfeita justiça, boa obra ou verdade.

Abraão, Moisés, Samuel, Daví, Maria, Pedro, João e Paulo somente realizaram o que realizaram pela graça e propósito de Deus. Estes todos eram pecadores, e somente não cometeram os pecados que pela soberana ação de Deus foram impedidos de cometer. Os seus pecados que ficaram registrados na Bíblia, assim o foram para nossa instrução e advertência, como por exemplo: a precipitação do paciente Jó (Jó 42.1-6), a irritação do manso Moisés (Números 20.1-13), e a traição do fiel Daví (2 Samuel 11.1-12.25).

Assim como Jó, Moisés e Daví, temos da parte de Deus um grande Redentor – Jesus Cristo, graças a quem, apesar de nossa, ainda não completamente eliminada habilidade para pecar, somos sempre conduzidos ao arrependimento, impedidos de permanecer no pecado e colocados de volta no caminho da santificação, para a glória de Deus (Romanos 8.31-39). E, como em todos o três exemplos citados acima, a Palavra de Deus é sempre o instrumento que eficazmente nos chama ao arrependimento (Apocalipse 2.1-7).

Quantas vezes, e mais amargamente do que Jó, falamos contra o Senhor suas obras, mesmo sofrendo menos do que Jó? Quantas vezes, como Moisés,embora em situações não tão estressantes, também  ferimos com palavras e atitudes a rocha da nossa salvação, Jesus Cristo, quem é a nossa única fonte da água da vida? Quantas outras vezes, como Daví, também pecamos diretamente contra o nosso irmão ou irmã, ferimos a conciência dos nosso irmão e irmã, a quem deveríamos edifcar e consolar pela Palavra de Deus, e ao próximo a quem devemos alcançar com a pregação do Evangelho?

Não há a lugar presunção e orgulho. Perante Deus, nossa alma deve se humilhar “até ao pó”, e somente se levantar em profunda gratidão. Somente podemos ser humildes no trato com os homens; e precisamos cultivar a compaixão para com os que ainda não conhecem o Evangelho da graça salvadora e para com a Igreja de Jesus Cristo na terra, ainda sujeita à capacidade de pecar. A Palavra de Deus é o instrumento de reconciliação dos pecadores com Deus; mas o amor e compaixão é a motivação dos “mensageiros da paz” ou da reconciliação com Deus, a motivação dos edificadores da Igreja de Deus, entre os homens.

Que Ele, Jesus Cristo, cresça, e eu diminua; que o dom da vida eterna (a inquebrávell comunhão com Deus) recebido da parte de Jesus Cristo, progrida para a plenitude do Espírito Santo; que o nosso velho homem (natureza) continue sendo queimado no altar da santificação. Que Deus nos livre de pecar e de causar escândalo entre os “pequeninos” na igreja e perante o mundo, e faça de nós humildes servos, vasos cheios da fragrância de amor e compaixão do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Que Deus nos livre da vanglória; ela é totalmente incompatível com a nossa relação com Deus, e nos afasta dos homens, tornando-nos incapazes de servir a Deus  na tarefa da reconciliação do homens com Deus, dentro ou fora da igreja.

Nossa única glória é a glória de Deus, especialmente a glória de sua incompreensível misericórdia revelada em Jesus Cristo. O encantamento (estado de estar maravilhado) com a glória de Deus, vista em Jesus Cristo, nos faz felizes e humildes, enche o nosso coração de amor e compaixão, fazendo-nos com Cristo, daqueles “sabios” que “resplandecerão eternamente”, e que por “muitos conduzirem à justiça” serão “como as estrelas, sempre e eternamente” (Daniel 12.3). Esta é a nossa verdadeira e única glória.

Sunday, 24 March 2013

Felizes Lembranças e Esperanças da Páscoa Cumprida em Jesus Cristo


A Páscoa, até hoje comemorada por Judeus, descendentes de Israel que na primeira Páscoa foi libertado do sedutor e opressivo Egito, é comemorada também por Cristãos de todas as nacionalidades.

 

A Páscoa de Israel, embora real, era tipológica da universal  Páscoa Cristã. Na Páscoa tipológica, Israel foi liberto do Egito, na Páscoa Cristã, pessoas de todas as nacionalidades e de todos os tempos são libertadas do sedutor e opressivo mundo, corrompido pelo pecado, e por isso destituído da glória de Deus (Rm 3.23).

 

Na tipológica Páscoa de Israel, incontáveis cordeiros foram sacrificados nas casas de Israelitas, e o sangue destes marcou as portas de suas casas; para que quando a justiça de Deus visitasse a terra do Egito, os primogênitos das famílias não fossem mortos, como símbolo da merecida morte das famílias inteiras, em consequência de seus pecados (Rm 6.23).

 

Na tipificada, final e verdadeira Páscoa, Jesus é “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). Jesus Cristo morreu em nosso lugar, recebeu a justa condenação que nós merecemos pelos nossos pecados, para nos libertar do sedutor e opressivo mundo de pecado, nos reconciliar com Deus, nos trazer à eterna e gloriosa comunhão com Deus.

 

Jesus Cristo morreu para alcançar perante a justiça Divina o perdão de nossos pecados, e como prova de que Ele realmente alcançou este perdão Ele também ressuscitou ao terceiro dia. Assim como Jesus Cristo ressuscitou, todos os que nele crêem, pelo sangue de Jesus Cristo (sua morte em favor dos pecadores) são marcados viver eternamente; por isso, além de  imediatamante entrar em comunhão com Deus, o que é uma “ressurreição espiritual”, são assegurados de que mesmo morrendo viverão. Isto significa que na hora de sua morte, antes que seus corpos sejam sepultados, já estão em comunhão com Deus no céu (Fp 1.21-23), e daí, passam a aguardar também a ressurreição de seus corpos, no dia da gloriosa segunda vinda de Jesus Cristo (1 Co 15.51-52).

 

Louvado seja Deus, porque para nós a Páscoa não é um feriado ou uma tradição ou festa com comidas especiais, mas a lembrança da morte e ressurreição de Jesus Cristo, e, consequentemente, a lembrança de nossa própria morte para o pecado e seu poder sedutor e opressor, e nossa própria ressurreição para a eterna comunhão com Deus.

 

Verdadeiramente, a Páscoa cumprida em Jesus Cristo nos traz as mais encorajadoras lembranças e esperanças. E é para isto que continuamos a pregar o Evangelho (Boas-Novas) de Jesus Cristo – para que você que nos ouve ou lê conheça verdadeiro siginificado da Páscoa, e a celebre diária e eternamente como comunhão com Deus.

Wednesday, 30 January 2013

Soberania e Bondade de Deus e o Pecado do Homem


Institiva, moral e convenientemente cremos que Deus é bondoso. Porém, o conceito de soberania de Deus não é naturalmente familiar ou aceitável. Precisamos da Bíblia, a Palavra de Deus ou Escrituras Sagradas, para considerar a soberania de Deus.

A bondade de Deus se refere à vontade, liberdade e poder de Deus para fazer o bem, fazer coisas boas, conceder boas dádivas. Soberania de Deus é o poder de Deus que mantém absolutamente tudo o que acontece de acordo o seu eterno plano. Isto significa que, embora Deus odeie e certamente puna todas as formas de injustiça (pecado), por sua própria essência divina, é impossível que Deus ignore ou omita em seu plano eterno as injustiças daqueles que Ele criou à sua imagem e semelhança (Gênesis 1.27). Nenhuma injustiça (pecado) se origina na vontade de Deus, mas na vontade do que peca ou comete injustiça. Entretanto, porque Deus é quem Ele é; é impossível que qualquer injustiça dos homens (e também de anjos) esteja fora do eterno plano de Deus. E, é maravilhosamente consolador que assim seja, senão o caos absoluto seria o último destino de toda a criação.

Além do governo de Deus sobre todos os poderes impessoais do universo, a soberania de Deus significa o governo de Deus sobre todas as suas criaturas pessoais (homens e anjos). Deus tem e de fato exerce o seu absoluto poder de controlar todo pecado ou injustiça destas criaturas, antes da concepção do pecado até ao seu juízo final, de modo que, depois, todo mal seja vencido ou transformado em bem, a justiça e misericórdia de Deus sejam glorificadas, e os homens e anjos recebam o que realmente buscaram e desejaram.

Temos dificuldades em reconciliar a soberania de Deus responsabilidade do homem; porém encontramos dificuldades ou limites de compreensão em diversas outras áreas do conhecimento de Deus: Como Ele pode ser eterno, ser imutável e eternamente um só Deus em três pessoas? Como foi possível criar, do nada, tudo o que foi criado, e do pó da terra fazer o homem? Como foi possível ressuscitar um morto de quatro dias? Enfim, como é possível Deus ser Santíssimo e amar um pecador como eu? Na verdade, impossível é associar Deus a qualquer impossibilidade, em sua vontade santa (Lucas 1.37; 18.27).

Um reverente estudioso da Bíblia entende porque Deus é o alvo de nossa infinita admiração e adoração, amor, confiança e absoluta dedicação. Ele é completo; nÊle não há imperfeição ou contradição; para Ele não há impossíveis; Ele é absolutamente soberano, sem anular a vontade e responsabilidade humana.

É impossível que a vontade maligna de qualquer criatura impeça a realização da bondade de Deus. Por exemplo: quando os irmãos de José o odiaram ao ponto de planejar sua morte, o venderam como escravo, simulando sua morte para o seu pai; Deus, que jamais motivou os sentimentos malignos dos irmão de José, em conformidade com seu plano eterno, estava no controle das atitudes dos irmãos de José, de modo que aqueles não tiraram a vida de José, mas venderam-no como escravo para o Egito, sem que ao menos pudessem imaginar que estivessem contribuindo para fazer de José o primeiro ministro de Faraó, e salvador da nascente nação de Israel, conforme o eterno plano de Deus (Gênesis 50.19-21).

Quando Jó se tornou um agonizante alvo do ódio de Satanás, a justiça, misericórdia e fidelidade de Deus foram glorificadas na administração de toda a situação; e Jó experimentou uma extraordinária reviravolta em seu estado de sofrimento e desprezo para ser ainda mais feliz do que fora antes de sua dura prova; Satanás saiu envergonhado como acusador dos filhos de Deus; e os crentes de todos os lugares e tempos, depois de Jó, ganharam um dos mais reveladores livros da Bíblia sobre o sofrimento, para a consolação e encorajamento, em seus momentos atribulados (Jó 42).

Quando Jesus Cristo foi traído, injustiçado, desprezado e morto, depois ressuscitou, tudo isso, para cumprir o eterno propósito de Deus na salvação dos pecadores (Atos 2.22-24; 3.15-19; 4.27-28; 13.27-39); pois seu sangue derramado ou sua morte na cruz é o resgate da nossa salvação, o preço da nossa redenção, a expiação dos nossos pecados (Romanos 4.24-25; 1 Pedro 1.18-20; 1 João 1.7).

Deus é soberano e bondoso; e, apesar da malignidade do homem, de toda a malignidade dos homens e dos anjos caídos juntamente, a vontade soberana e bondosa de Deus prevalecerá; nada e ninguém impedirá que enfim a vontade soberana e bondosa de Deus seja plenamente cumprida.

Os pecadores são culpados; quando pecam, eles fazem o que eles querem fazer, não o que Deus quer que eles façam. Porém, mesmo se recusando a fazer a vontade de Deus (o que é agradável a Deus), eles não conseguem escapar do plano de Deus. A justiça terá que ser feita em relação aos seus pecados; porém, no eterno plano de Deus a injustiça e pecado dos homens não podem prevalecer, não podem estabelecer uma corrente ou curso interminável que conduza ao caos. Como nos casos citados anteriormente (José, Jó e Jesus), até os atos injustos do inimigos de Deus são de tal forma controlados e canalizados, de modo que não impeçam, mas contribuam, para a perfeita realização do eterno plano de Deus, e a manifestação do seu ilimitado poder, infinita sabedoria, infalível justiça e seu incompreensível amor.

Os pecadores são responsáveis por seus pecados; mas os santos são o que são, não por seus próprios méritos. Os santos sabem que são pecadores “lavados no sangue de Jesus Cristo”. Jesus Cristo, o eterno Filho de Deus, se encarnou, assumiu a natureza humana, para sofrer a justa pena da morte (Romanos 6.23) em favor de muitos pecadores (1 João 2.1-2). Pecadores se tornam santos, justos, puros, somente pela misericórdia de Deus.

Deus é justo; Ele nem sequer pode ser tentado pelo pecado, e jamais induziria qualquer criatura sua ao pecado (Tiago 1.13); mas o homem que, por Deus  foi criado justo, pecou (Eclesiastes 7.29), todos os homens pecaram (Romanos 3.23). Deus não é o autor do pecado; mas era impossível que o pecado do homem não estivesse no eterno plano de Deus. Entretanto, o pecado do homem não pode prevalecer, não pode trazer trevas absolutas e impor o cáos final. Ao contrário, a injustiça do homem realça a justiça de Deus, e propicia a manifestação da incompreensível misericórdia de Deus, na salvação de pecadores que merecem o eterno banimento da presença de Deus; salvação que é mediante o alto preço do sacrifício de Jesus Cristo.

O homem é o responsável por todos os seus sofrimentos, e de Deus somente vem toda a boa dádiva (Tiago 1.17). Em, sua Palavra, Deus nos estimula a orar; porque Ele tem prazer em nos dar o que é bom (Mateus 7.7-11); Ele é rico em generosidade para com todos os que o buscam.

Deus nos exorta à oração sincera, e não a repetitiva, decorada, mecânica ou impensada; porque Ele realmente dá aos homens as coisas que eles querem e pedem. Deus sabe distinguir o pedimos com os lábios do que desejamos de coração. Precisamos exercitar a santidade na oração, pedindo o que é bom, o que glorifica a Deus, e é bom para o próximo (Tiago 4.1-3). Deus tem prazer em nos fazer boas dádivas; muitas coisas boas, Ele nos dá antes que peçamos, ou pensemos nelas (Mateus 6.5-8). 

Deus é soberano e bondoso até para com  aqueles que o ignoram; Ele faz chover sobre justos e injustos (Mateus 5.45). Ele é paciente e reprime a sua ira (Salmos 85.3; Isaías 48.9); e até os seus juízos são advertências para os que não foram atingidos ou escaparam (Lucas 13.1-5). O Evangelho, a boa nova do perdão e salvação, Deus ordenou que fosse pregado em todo o mundo, a todas nações, a toda criatura (Mateus 28.18-20; Marcos 16.15-16).

Deus mostra a sua soberania e bondade até no Céu e no Inferno. Deus não trará para o Céu, obrigando a viver eternamente na plenitude de Sua presença, quem odeia a sua presença e não suporta a sua voz ou Palavra. Inferno é um lugar que Deus criou para quem não o ama, mas o odeia. O inferno é para quem não suporta a presença de Deus, e nem quer conhecê-lo.

Na verdade, o inferno não é um lugar ruim, ele é o único lugar apropriado para os que odeiam a Deus e não gostariam de viver em Sua presença.  Ruins são todos os habitantes do Inferno, a começar pelos seus principais moradores, o diabo e seus anjos (Mateus 25.41). O inferno não é um lugar de injustiças como a violência, a prostituição, o roubo e a mentira; infelizmente a Terra se tornou temporariamente um lugar destas coisas; mas tudo isso vai ter fim na Terra; e no inferno, elas também não existirão. Os habitantes do inferno se sentem mal, choram e rangem os dentes (Mateus 22.13; 24.51; 25.30) porque não podem mais cometer os pecados que cometiam antes de serem lançados no inferno. O fogo do inferno é a implacável presença da justiça de Deus. Entratanto, para os habitantes do inferno, porque odeiam a Deus, nada seria mais insuportável que plenitude da presença de Deus, como acontece no Céu.

Entretanto, para quem ignora, rejeita ou odeia a Deus, conforme Ele se revela nas Sagradas Escrituras, e sumamente em Jesus Cristo, a quem conhecemos também somente através das Sagradas Escrituras, o céu lhes é pior que o inferno.

A grande miséria do homem é não conhecer a Deus, achar que não pode, não precisa, ou não é urgente conhecer a Deus. Enquanto o homem evita ou adia a busca do conhecimento de Deus, o seu ódio contra o único e verdadeiro Deus cresce. Este ódio pode até ficar escondido atrás de uma religião, de um ídolo (religioso ou secular), ou do culto de si próprio (caridade e justiça vaidosas).

É somente pela própria Palavra de Deus que podemos conhecer a Deus. Deus cuidou para que esta Palavra fosse preservada na forma escrita, a Escritura ou Escrituras Sagradas. O principal assunto, objetivo e centro das Escirturas é Jesus Cristo; nÊle, o eterno Filho de Deus em natureza humana, nós conhecemos a Deus, vemos a glória de Deus, conhecemos o amor de Deus e amamos a Deus. Conhecendo a Jesus Cristo através da Escrituras Sagradas, nós somos salvos, nos arrependemos e somos perdoados dos nossos pecados,  desejamos ardentemente a plenitude da presença de Deus, mais do que qualquer outra dádiva de Deus. Isto nos faz desejar o Céu, que Deus jamais recusará a quem ama a Sua gloriosa presença.

Deus é soberano e bondoso, não recuse, busque o Seu conhecimento em Jesus Cristo. O conhecimento da soberania e bondade de Deus é o fim de nossas dúvidas, temores e rebeliões, o início de uma jornada de paz, serviço e amor a Deus, que cuilminará no Céu, na plenitude da presença de Deus.

“Justo é o Senhor em todos os seus caminhos, benígno em todas a sua obras” (Salmos 145.17).

Thursday, 29 November 2012

Crentes Fora da Igreja?

Algumas décadas atrás, pouquíssimos evangélicos diriam que eram “crentes fora da Igreja”, estando nesta situação. Eles geralmente aceitavam a designação de “desviados” ou, até,  “caídos na fé”. Hoje, entretanto, os que deixaram a Igreja” preferem a designção de “crentes fora da Igreja”; e os censos mostram que o número destes está aumentando significativamente.

Primeiramente, é importante enfatizar que o estar fora da Igreja não significa estar fora da hierarquia eclesiástica do Catolicismo Romano, nem de qualquer outra hierarquia eclesiástica protestante ou evangélica. Estar “fora da Igreja” é estar fora da comunhão com uma igreja ou congregação que, por maior ou menor que seja, está ligada a Jesus Cristo.
Nas principais e mais compreensivas figuras da Igreja que encontramos na Bíblia, a igreja está sempre ligada a Jesus Cristo: como o edifício ao seu fundamento (1 Pedro 2.4-6), os ramos à videira (João 15), o corpo à cabeça (1 Coríntios 12.12-31), e a esposa ao esposo (Efésios 4.23). Portanto, se queremos definir a Igreja de Cristo, devemos identificá-la como o edifício alicerçado em Jesus Cristo somente, os ramos realmente nascidos em Jesus Cristo, os membros do único corpo cuja cabeça é Jesus Cristo, e a fiel noiva ou esposa de Jesus Cristo. Esta Igreja está espalhada na terra, não somente como índivíduos e famílias, mas também em várias ou inumeráveis igrejas ou congregações.

Entretanto, estas várias igrejas, como podemos ver no livro de Apocalipse, podem variar em seu estado de saúde espiritual:

§   Do saudável, embora sob ameaças como Esmirna e Filadélfia (Apocalipse 2.8-11; 3.7-13),

§   Ao razoável ou sob risco de ficar doente como Éfeso, Pérgamo e Tiatira (Apocalipse 2.1-7, 12-17, 18-29), 

§   Até ao doente, sob o risco de morrer como Sardes e Laodicéia (Apocalipse 3.1-6, 14-22).
As igrejas em estado saudável devem zelar para que assim permanecerem, mediante a perseverança na Palavra de Deus, que as afasta e purifica do pecado, o agente da doença espiritual e morte. As igreja e condição meramente razoável devem objetivar o vigor, buscando o sólido alimentando-se da Palavra de Deus, e praticando continuamente o exercício da fé. As igrejas doentes precisam da cura, o reavivamento que vem pela reforma da vida particular, familiar e congregacional dos membros.

Entretanto, sem o devido uso dos meios de graça, cujo principal é a Palavra de Deus, qualquer igreja pode decair do estado saudável para o regular, do regular para o doente, e do doente para a morte, tornando-se até uma falsa igreja (Apocalipse 2.9).

Uma igreja verdadeira e saudável é:

§   Como um edifício, alicerçada no conhecimento de Jesus Cristo, revelado e preservado nas Escrituras Sagradas somente, constituída de pessoas regeneradas em Jesus Cristo, pelo poder do Espírito Santo, mediante a fiel pregação da Palavra de Deus;

§   Como a videira, produz os frutos próprios da sua natureza como ramos de Cristo Jesus – a Videira (frutos que agradam a Deus e aos seus filhos);

§   Como o corpo, governada por Jesus Cristo como o seu Cabeça, mediante o funcionamento de acordo com autoridade das Escrituras e no poder do Espírito Santo que distribuindo dons, estabelece as funções dos membros (do corpo);

§   Como a esposa de Jesus Cristo, ama o seu divino esposo que a redimiu.
Então como podem existir “crentes fora da Igreja”? Verdadeiros crentes não podem ficar fora da Igreja; e isto significa que verdadeiros crentes não podem ficar fora das igrejas ou congregações que constituem a Igreja de Cristo na Terra. Verdadeiros crentes devem estar fora das falsas igrejas, mas dentro de uma verdadeira igreja. Verdadeiros e maduros crentes identificam uma igreja moribunda (perto da morte), sabem quando a igreja precisa voltar a comer o alimento saudável que é a Palavra de Deus, a beber da àgua purificadora e desfrutar da unção do poder do Espírito Santo. Verdadeiros e maduros crentes sabem distinguir entre uma igreja que é como um corpo saudável, da que está doente ou morta (Efésios 4.15-16); eles distinguem a igreja que, sobre a Rocha – Cristo, está sendo edificada com ouro, prata e pedras preciosas daquela que é levantada com madeira, palha e feno (1 Coríntios 3.10-17).
Como os tijolos ou pedras retirados de um edifício já não fazem parte dele; um membro morre, quando cortado do corpo; o ramo seca, se arrancado da planta; e o casamento acaba, se a esposa abandona o esposo; o crente não se desliga, nem é desligado da Igreja, ou de sua congregação.

As palavras ligar e desligar são muito úteis para entender nossa relação com a Igreja de Cristo. Pedro, mediante sua inequívoca confissão de Jesus como “o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mateus 16.16), foi declarado por Jesus uma pedra do edifício da Igreja, cujo alicerce ou fundamento, como já tem sido mencionado, é Jesus Cristo (Mateus 16.16-18; 1 Pedro 2.4-8). Imediatamente a seguir, Jesus afirma que nossa relação com a Igreja na terra reflete nossa relação com a Igreja no céu, isto é, com Deus propriamente (Mateus 16.19-20). O ministério da pregação da Palavra de Deus, confiado à Igreja na terra, é a chave do reino dos céus (reino de Deus). Quando a Igreja prega fielmente a Palavra, e os pecadores arrependidos confessam a Jesus como o Cristo, o Filho Unigênito de Deus, a própria Igreja os recebe na terra; porque eles foram recebidos no céu. Entretanto, quando a Igreja desliga o membro que insiste em rejeitar a Palavra de Deus, ela também está refletindo na terra, o que acontece no céu (Mateus 18.15-20).
A Igreja com suas igrejas ou congregaçãos não é uma instituição humana, mas divina. Desde o princípio, Deus distinguiu a geração de Sete da geração de Caim (Genesis 4.8-26), os filhos de Deus dos filhos dos homens (Genesis 6.1-2). Deus separou e fez aliança com a descendência espiritual de Abraão (Gênesis 17.1-14). Por fim, quando Jesus Cristo veio, e trouxe à plenitude a revelação da Aliança da Redenção, Ele fundou a sua Igreja (Mateus 16.13-19), a Igreja da Nova Aliança, instituiu também a sua Ceia (Mateus 26.26-29) e o seu batismo (Mateus 28.18-20), Ceia e batismo reservados aos membros de sua Igreja, que são chamados de seus discípulos; pois eles aprendem e guardam a sua Palavra, central à vida de sua Igreja.

Quando o apóstolo Paulo, mediante o chamado de Jesus Cristo e poder do Espírito Santo saiu a pregar o Evangelho de Jesus Cristo ao mundo, ele não somente pregava, deixando os crentes dispersos; ao contrário, Paulo fazia deles discípulos de Cristo, organizando-os em igrejas, estabelecendo até presbíteros (Atos 13.12-13, 48-49, 52; 14.1-7, 19-23). Paulo, fiel ao mandato e instituição de Jesus Cristo, também batizava os novos crentes, com suas famílias (Atos 16.14-15, 31-33), administrava e ordenava a Santa Ceia (Atos 20.7; 1 Coríntios 11.20-34).
Os verdadeiros crentes em Cristo Jesus são os seus discípulos; estes assim são chamados porque aprendem e são disciplinados por sua Palavra, devido ao seu ingresso e permanência na Igreja; ingresso marcado pelo recebimento do batismo; permanência indicada pela participação na Santa Ceia.

O verdadeiro crente somente se desliga de uma falsa igreja, mas procura imediatamente a verdadeira Igreja. O verdadeiro crente sofre pela igreja que está doente, ora por ela, e a exorta a voltar a ouvir e se alimentar da Palavra de Deus. O verdadeiro crente ama a sua congregação; ele se alegra com a saúde de sua igreja e consagra sua vida (tempo, dons e recursos) para conservá-la assim (Hebreus 10.23-25). O verdadeiro crente não abandona a sua congregação, exceto se ela definitivamente se apostata ,e se torna uma congregação de Satanás (Apocalipse 2.9).

Existe crente fora de uma verdadeira igreja de Cristo? Se um dedo é cortado do corpo e não for logo implantado, o que acontecerá àquele dedo? Morrerá e terá que ser enterrado ou incinerado. O mesmo acontecerá ao ramo cortado de sua planta.
Crente fora de uma igreja de Cristo? A idéia é pior (mais absurda) que a de um aluno fora da escola. Este se coloca na mesma posição dos domônios, que também são “crentes” (Tiago 2.19), mas não são discípulos de Jesus Cristo. Quem abandona a Igreja de Cristo, ou seja, não é membro de uma verdadeira igreja de Cristo, fala contra Igreja e trabalha contra a Igreja. Dizer-se crente em Cristo e manter-se fora da Igreja é praticar sabotagem contra a Igreja de Cristo.

Crente fora da igreja é como um ramo que está secando, um membro do corpo que está apodrecendo. Apesar desta dura comparação,  o motivo desta mensagem é o amor pela Igreja de Cristo e seus membros cortados; o objetivo desta mensagem é chamar todos os que estão fora da Igreja a voltar imediatamente, congregando-se em uma fiel igreja do Senhor Jesus Cristo.
Quando o Senhor voltar, ou chamar você antes que Ele venha, que justa razão você poderia apresentar-Lhe por abandonar e estar fora da Igreja que Ele tanto ama, pela qual deu o seu próprio sangue, e, ao subir ao céu, lhe deu o seu Espírito Santo, para nela habitar, até que Ele, Jesus, volte?

Friday, 9 November 2012

Ser Cristão é Viver para a Glória de Cristo

Conhecer Jesus Cristo é algo absolutamente singular; é algo que muda radicalmente a nossa vida. Conhecer a Cristo é muito mais signicante que obter um diploma após anos de estudos, alcançar o topo de uma carreira profissional, é incomparavelmente superior a encontrar uma filosofia de vida, uma teoria sócio-política que pareça justa e promotora de prosperidade.

O conhecimento de Jesus Cristo torna ridícula a torcida fanática por um time de futebol, e incabível a dedicação a qualquer ídolo da música, cinema ou esporte.

Conhecer Jesus Cristo é também totalmente diferente de encontrar uma religião que atenda nossos anseios, sejam estes espirituais ou materiais; conhecer a Cristo é conhecer a Deus (João 14.6). Isto deve ser dito, proclamado; embora possa parecer insensível ou até ofensivo, especialmente a seguidores de religiões não “cristãs”. Jesus não é propriedade de uma religião, nem tão pouco das chamadas religiões cristãs. Jesus é o caminho, a verdade e a vida. Ninguém conhece o que de Deus se pode conhecer como Salvador, senão através do conhecimento de Jesus Cristo (João 14.6; 17.3).

Entretanto, é também importante ressaltar conhecemos a Jesus não por iniciativa, mérito ou esforço nosso. O conhecimento de Jesus é resultado da condescendência de Deus; isto é, da livre, soberana e expontânea vontade de Deus em se dar a conhecer a nós, apesar dos nossos pecados, pelos quais fomos, com justiça, banidos a presença de Deus.

Quem conhece a Jesus experimenta uma radical mudança em sua existência; qualquer que tenha sido o seu centro gravitacional (religião, partido ou teoria política, esporte, trabalho, família), alguém que conheceu a Jesus Cristo, passou também a tê-Lo definitivamente como o centro de sua vida.
Por isso, Jesus Cristo é pregado como o Salvador e Senhor (Romanos 10.9; Filipenses 2.9-11); pois, conhecendo a Jesus Cristo, passamos a viver para Ele; e viver para Cristo é efetivamente viver para Deus; pois Jesus Cristo é Deus em sua mais completa e perfeita manifestação ao homem (João 1.1-3,14,18).
Depois que conhecemos a Jesus, tão real, íntima e satisfatória é a nossa relação com Deus que, queremos, acima de qualquer coisa, ver Jesus Cristo glorificado em nossa vida, na Igreja e no universo. Depois que conhecemos a Cristo, “o viver é Cristo”, nada é mais importante, nem a nossa própria sobrevivência (Filipenses 1.21).
Cristo Glorificado em Nossa Vida
Jesus Cristo é glorificado em nossa vida na medida em que Ele, seus pensamentos, palavras e obras se manifestam através de nós. Para que isto não seja mera ideologia, mas uma realidade, temos nas Escrituras Sagradas a “Lei de Deus” que Jesus cumpriu perfeitamente, e temos os “Evangelhos” onde os pensamentos, palavras e obras de Jesus estão registrados. Lendo e estudando os Evagelhos, desfrutamos os mesmos privilégios dos primeiros discípulos de Jesus, é como se estivéssemos andando com Ele, seguindo-O, observando Suas atitudes, ouvindo Seus ensinos e vendo Suas obras. Além disso, fomos (os que conhecem e crêem em Jesus Cristo) ungidos, batizados, ou simplesmente recebemos permanentemente o Espírito Santo, como o Consolador (João 14.16-17), para compensar (suprir) na temporária ausência física e visível de Jesus Cristo, entre os seus discípulos. O Espírito Santo, que é o Espírito de Jesus Cristo (Filipenses 1.19), habitando permanentemente em nós como igreja (congregação) e crentes individualmente, é mais influente e poderoso que a própria presença visual de Jesus. Qualquer pessoa que pudesse ver a Jesus poderia, contudo, ignorar ou rejeitá-Lo em seu coração, como efetivamente aconteceu durante o ministério público de Jesus. Entretanto,  quando alguém recebe o Espírito de Cristo, Cristo está efetivamente no centro de sua razão e afeição.
Portanto, para quem tem (recebeu) o Espírito Santo e lê as Escrituras, especialmente os Evangelhos, está sendo real e poderosamente discipulado por Jesus Cristo; e ser discipulado por Jesus Cristo é aprender Seus santos pensamentos, palavras e obras; e isto é ser Jesus Cristo glorificado em nossas vidas.
Para quem realmente conhece Jesus Cristo, não há nada mais desejável nesta vida do que “andar” com Jesus Cristo, certamente, em primeiro lugar,  pelo prazer da Sua companhia, mas também pelos frutos desta companhia de Jesus que trasnforma nosso ser segundo os pensamentos, palavras e obras de Jesus Cristo.
Ser cristão, não simplesmente ter uma religião cristã, é conhecer Jesus Cristo e nÊle crer, ser Seu discípulo e andar com Ele todos os dias (pelo poder do Espírito Santo e instrução dos Evangelhos). Ser cristão é ser servo de Cristo por amor a Ele, com o amor que é devido somente a Deus, “de todo o coração, de toda a alma, de todo o entendimento” (Mateus 22.37-38); pelo reconhecimento de que Ele é Deus, em forma, natureza e corpo humanos (João 1.14).
É impossível conhecer a Jesus, e não viver com Ele, por Ele, e para Ele; que todos nós, que se consideramos cristãos, pensemos nisso seriamente, e avaliemos a realidade, qualidade ou profundidade de nosso conhecimento de Jesus Cristo, pois disso depende a nossa salvação.
Cristo Glorificado na Igreja
O discípulo de Jesus Cristo aprende que Jesus é glorificado na Igreja na medida em que ela se manifesta como o Reino de Cristo na Terra (Mateus 5.1-16). Por isso, o discípulo de Jesus é totalmente comprometido com a Igreja de Jesus, como Jesus o é. O discípulo de Cristo é totalmente comprometido com o bem da Igreja; isto é, com o seu crscimento saudável.
O discípulo do Senhor sabe que a Igreja é a manifestação antecipada do Reino de Deus (também chamado Reino dos Céus ou Reino de Cristo). A Igreja não é ainda o Reino de Cristo em sua perfeição e plenitude, mas os primeiros frutos do Reino, antecipados na presente era, em que o Reino ainda está em fase de conquista.
O fiel discípulo de Cristo não ignora que a igreja ainda não é perfeita, mas, como o Seu Mestre, ele não desampara a igreja,que ainda sofre os efeitos temporais de seus próprios pecados; ao contrário, o discípulo se empenha "de corpo e alma" pelo aperfeiçoamento da Igreja; a fim de que esta, esteja ela no desejável caminho do progresso ou no triste desvio do alvo, continue ou volte à rota da perfeição em Cristo Jesus.
Pode alguém ser cristão e nao amar a igreja de Cristo? Pode alguém ser cristão e deixar a igreja de Cristo? Pensemos no amor que Jesus Cristo tem por sua Igreja: “Vós, maridos, amai a vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela” (Efésios 5.25).
É compreensível  que alguém que não conheça a Jesus Cristo despreze a Igreja ou a até a persiga; porém, como pode alguém que conhece a Cristo e é seu discípulo não amar a Igreja, ao ponto de desprezar e abandoná-la?
Como pode um discípulo de Jesus Cristo permanecer na Igreja e não se importar com a pureza da Igreja (2 Coríntios 11.2), e em que ela permaneça na verdade (2 João 4; 3 João 4)? Como pode alguém que “anda” todos os dias com Jesus, ver a frieza ou infidelidade da Igreja para com o seu Salvador e Esposo, e não chorar, como Jesus Cristo chorou por Jerusalém (Lucas 19.41-42)? A presente ausência de sofrimento, lágrimas e oração em favor da Igreja somente pode ser atribuída ao fato de que muitos cristãos estejam muito ocupados com seu sucesso profissional, ganhar dinheiro e desfrutar das novidades e confortos que o dinheiro pode comprar, para andar com Cristo, e conhecer seus pensamentos, palavras e obras.
O discípulo de Cristo ama a sua igreja, a sua congregação local, mas ama tambem a Igreja como a totalidade das congregações na Terra, e trabalha e luta pela pureza da Igreja. Entretanto, quanto as congregações que insistem em permanecer no caminho da apostasia, a fim de que outras congregações e crentes individualmente não sejam confundidos e contaminados pela apostasia, o discípulo, também como o seu Senhor,manifesta “a quem tenha ouvidos para ouvir” a sua reprovação a infidelidade (Apocalipse 2.4-7).
Quem conhece a Cristo sabe do infinito amor de Cristo por sua noiva, a Igreja, e que Cristo não abandona a sua esposa, pela qual morreu e, comprando-a com o seu próprio sangue, e depois ressuscitou. O discípulo de Cristo sabe que, mesmo após a ascensão de Jesus Cristo aos Céus, como o corpo está unido à sua cabeça, Jesus Cristo, mediante o Espírito Santo, permanece unido e governa a sua Igreja, até ao dia de Sua volta, para de novo e permanentemente estar física e visivelmente com a sua amada Igreja. Portanto, quem conhece a Cristo sabe que abandonar a Igreja de Cristo é abandonar o próprio Cristo.
Cristo Glorificado no Universo
Mencionamos que o Reino de Cristo esta em "fase de conquista"; isto é, conquista dos que ainda estão para se tornar membros da Igreja, cidadãos do Reino de Cristo. Esta conquista se dá pela pregação do Evangelho, a pregação de Jesus Cristo como o Rei Eterno, o único sacerdote de Deus para a salvação dos pecadores que, no exercício de seus atributos sacerdotais, cumpriu perfeitamente a justiça de Deus e morreu em lugar de todos os pecadores que foram, são e serão perdoados, reconciliados com Deus, para se tornarem cidadaos do Reino eterno (Romanos 4.25-5.1).
Os que conhecem a Cristo, isto é, os seus discípulos, são inconformados com a ilusão dos reinos dos homens, inconformados com suas mentiras, injustiças e fracassos; eles sabem que há um poder maligno oculto por trás da temporária aparência de sucesso dos reinos deste mundo.
Escondidos atrás do aparente sucesso dos reinos dos homens está o ódio do "principe do mal", o poder sedutor e escravizador  do pecado, e o poder destruidor da morte (Efésios 2.1-3). Os que conheceram poder libertador de Jesus Cristo (Efésios 2.4-5), querem estender este conhecimento a todas as pessoas, querem também vê-las livres do mal, do engano, da escravidão e da morte.
Os discipulos de Cristo teem a mesma compaixão de Cristo pelos que estão sob o poder do "império das trevas", não importa qual seja a nacionalidade, religião, situação social ou condição moral. E fácil ser cristão e esquecer as multidões que estão no reino que está perecendo; porém, é impossivel andar com Jesus, dia após dia, ser Seu discípulo e, por isso conhecer, suas obras, suas palavras e até os seus pensamentos, revelados em sua Palavra, e não se envolver e atirar na evangelização dos homens e mulheres, jovens e crianças, e neste trabalho e luta permanecer até ouvir do Mestre: "Muito bem ... servo bom fiel; entra no gozo do seu Senhor" (Mateus 25.21,23).
Os que realmente conhecem a Cristo são discipulos e servos de Cristo. Estes querem ver a glória de Deus revelada em Cristo Jesus manifestado-se ao mundo na salvação dos pecadores, na edificação da Igreja, e  em suas próprias vidas, de modo que Ele (Cristo) neles cresça, e eles mesmos desapareçam (João 3.30), encobertos pela glória de Cristo.

Sunday, 28 October 2012

As Três Palavras de Deus

Palavra de Deus é o meio usado por Deus para comunicar-se com o homem. Embora o homem tenha sido criado à imagem e semelhança de Deus, e isto implica na possibilidade de comunicação entre Deus e o homem, a infinitude de Deus estabelece uma imutável diferença ou distância entre o Criador e a criatura. Deus possui atributos que jamais foram comunicados ao homem (onipresença, onisciência e onipotência) ; além disso, Deus é o espírito completo e infinito em todos os seus atributos; o homem é um espírito finito em todos os atributos com que foi criado, e dotado por Deus na Criação; atributos estes que, entretanto, fazem do homem “a imagem e semelhança de Deus”. O homem é a semelhança de Deus, mas não é Deus, nem um deus menor, também não é uma extensão de Deus, mas um ser absolutamente distinto de Deus, contudo semelhante a Deus.

A infinitude do Criador e a limitação da criatura não eram impedimentos à comunicação, desde que Deus falasse ao homem; pois Deus conhece o pensamento do homem; mas o homem não pode conhecer o pensamento de Deus, a menos que Deus o comunique em Palavra. Entretanto, o pecado do homem que tornou legalmente (de acordo com a justiça de Deus) impossível a comunicação entre Deus e o homem.
Porém, o homem foi criado para a comunicação com Deus; e, não obstante os possíveis impedimentos (diferença essencial entre o Criador e a criatura) e o efetivo impedimento (pecado do homem) já mencionados, é através da Palavra de Deus que o Infinito Criador se comunica com a finita criatura, que o Deus Santo encontra o homem pecador. Fora as obras da Criação e Providência  que são formas indiretas e não verbais de comunicação, Deus se comunica com o homem através de três Palavras, e estas são a Escrita, a Falada e a Viva.
A Palavra Viva  é eterna, mais não foi a primeira a mediar (mídia, média) a comunicação de Deus com o homem. A primeira usada por Deus foi a Palavra Falada, tanto imediatamente após a Criação quanto imediatamente após a Queda. Logo apos a Criação a Palavra Falada por Deus foi um meio de se referir simbolicamente ou falar (comunicar o conhecimento) de Cristo como a fonte da vida eterna, com a qual o homem ainda não havia sido dotado (Gênesis 2.7-9, 3.22); logo após a Queda, a Palavra Falada por Deus tambem falou de Cristo como o vencedor da morte que agora, após o pecado, era uma dura realidade para o homem (Gênesis 3.15).

A Palavra de Deus foi falada primeiramente por Ele mesmo, mas também por anjos e profetas. Depois de muito  usar a Palavra Falada (durante alguns milênios), aprouve a Deus começar a Palavra Escrita. A Palavra Escrita, tanto quanto a Palavra Falada tem um principal objetivo comum: elas são meios de Deus para a comunicação do conhecimento Cristo (João 5.39), que é a Palavra Viva (Hebreus 1.1-2).
A Palavra Viva de Deus, não é um simples meio de comunicação, mas o próprio fim da comunicação (falada ou escrita). A Palavra Viva não é como as outras um meio de comunicação de Deus com o homem, meio de comunicação do conhecimento de Deus; ela é a propria comunhão com Deus, ela é o Cristo (o Doador da vida eterna e Salvador da morte), ela é Deus encarnado – Jesus Cristo. Depois de se comunicar com os homens pela Palavra Falada e pela Palavra Escrita, Deus finalmente se comunicou pela Palavra Viva; esta é o clímax e a perfeição da comunicação de Deus com o homem (Hebreus 1.1-3). É a Palavra Viva que comunica mais do que conhecimento , ela comunica ou dota o homem com a própria vida eterna, intermediando perfeitamente as diferenças essenciais entre Deus e o homem, e destruindo completamente a  barreira do pecado (Hebreus 1.1-3). Isto está em pleno acordo com o que vimos anteriormente, a primeira comunicação da Palavra Falada, logo após a Criação foi a comunicação de Cristo como a fonte da vida eterna, e, após a queda, a comunicação de Cristo como o vencedor da morte, introduzida pelo pecado (Gênesis 2.16-17).

A Palavra Escrita
A Palavra Escrita (a Palavra indelevelmente preservada) é a nossa única fonte segura do redentivo conhecimento de Deus, ou do conhecimento de Cristo que é a fonte da vida eterna e o vencencedor da morte.

As primeiras porções da Palavra Escrita nos foram dadas nos dias do Profeta Moisés, e pelo próprio Moisés. A Palavra Escrita nos foi dada cumulativamente em um longo período de tempo. Este tempo pode ser aproximadamente definido como um milênio e meio.
Não temos uma regra infalível (uma lista dos escritos ou livros que constituem a Palavra Escrita, uma lista recebida mediante uma revelação divina). Entretanto temos um cânon constituído de 66 livros (escritos) que, por sua finalidade, afinidade e qualidade, por si mesmo passou a exercer autoridade sobre o povo ou Igreja de Deus. Este cânon é conhecido no próprio cânon pelo nome de as Escrituras ou Escrituras Sagradas; também o chamamos de Bíblia.

É importante notar que a Palavra Escrita (assim como a Palavra Falada, antes de assumir a forma escrita, desde a redenção de Adão e dos primeiros descendentes) cumpria sua função de comunicar o conhecimento de Cristo, que é o conhecimento da Salvação, em todo o tempo, desde o seu começo, nos dias de Moisés, muito antes de estar completa.  Portanto, não precisamos da Bíblia toda para que tenhamos o salvador conhecimento de Jesus Cristo; um livro pode ser suficiente para isto, ou até mesmo um capítulo ou um só versículo. Entretanto, o grande conjunto em que e a Bíblia se constitui é um harmonioso, consistente, convincente e rico complexo que nos conduz a uma inabalável fé em Jesus Cristo, como o Redentor da Criação.
Isoladamente, alguns dos livros da Bíblia já tiveram sua canoncidade questionada, como Cantares no AT e a Epístola de Tiago no NT; algumas passagens bíblicas, isoladamente, apresentam um maior grau de dificuldade para interpretação. Sabemos que a qualidade ou erudição do grego com que foram compostos os livros do NT é variável. Isto significa que devemos abandonar a confiança na autoridade e infalibilidade da Palavra de Deus Escrita, as Escrituras Sagradas? É claro que não, em seu conteúdo e mensagem, elas correspondem exatamente à Palavra de Deus Falada que, na forma escrita está preservada para sempre (2 Pedro 1.16-21). É verdade que o Hebraico e Grego de hoje não são os mesmos em que foram escritos os livros da Bíblia, nem o Inglês e Portugues de hoje são exatamente iguais aos das primeiras traduções Inglesa e Portuguesa. A mutabilidade da língua e os possíveis erros de cópia ou tradução não são obstáculos intransponíveis para quem tenhamos hoje, e por tanto tempo quanto for necessário, fiéis versões das Escrituras Sagradas. A infalibilidade dos autógrafos (o manuscrito original do autor) está quase 100% preservada em nossos dias; e não precisaríamos tanto para que hoje saibamos a respeito de Jesus Cristo e sua Igreja o que precisamos saber para glorificar e gozar a Deus, já e para sempre (Catecismos de Westminster Maior e Breve –  pergunta 1).

Se realmente cremos que Deus algum dia se comunicou com o homem por meio da Palavra Falada, e que também Deus tornou esta na Palavra Escrita, não há a menor razão para duvidar que temos até hoje a Palavra de Deus – a Bíblia. Isto não significa que podemos fazer uma doutrina fundamentada em um único substantivo, um único tempo verbal ou preposição. Aprouve a Deus nos dar a sua Palavra Escrita, não em um único verso ou parágrafo, não em somente um livro, mas em um riquíssimo acervo. Assim, não obstante as limitações da linguagem e da língua, mediante o diligente estudo das Escrituras podemos com grande segurança extrair delas a sã doutrina, indispensável ao nosso relacionamento com Deus.
A Palavra Escrita está pronta, acabada; como o propósito da Palavra Escrita é comunicar o conhecimento de Cristo, ela que começou antes da vinda do Cristo, termina com a vinda do Cristo, que é Jesus. As Escrituras são compostas de volumes principais: O Antigo Testamento e o Novo Testamento. O Antigo Testamento é, em suma, “o registro escrito da promessa da vinda de Cristo”; e o Novo Testamento é “o registro escrito do testemunho da vinda de Cristo”. A Palavra foi escrita para que a Palavra Falada nunca fosse perdida, até a vinda do Cristo e até a segunda vinda de Jesus Cristo.  A Palavra de Deus Escrita é a única fonte e autoridade da Palavra de Deus Falada. E, isto em dois sentidos: primeiro – nós hoje somente podemos saber o que Deus falou no passado, diretamente ou através de anjos e profetas, mediante o que Deus providenciou que fosse escrito nas Escrituras Sagradas; segundo – o que Deus fala hoje aos homens através da pregação ou ensino é fundamentado no que Deus providenciou que fosse escrito nas Escrituras Sagradas.

A Palavra Falada
Como já adiantamos no parágrafo anterior, a Palavra de Deus Falada tem dois significados: um é o sentido mais estrito, inerrante ou infalível, quando o Espírito Santo usou alguém para comunicar uma mensagem de Deus, messagem única, identificada em um tempo e lugar. Esta mensagem podia ter elementos de uma mensagem anterior e podia conter uma revelação jamais feita antes; mas é uma mensagem particular, única, extraordinária.

Foi o conteúdo geral destas mensagens infalíveis ou inerrantes transmitidas pelos profetas do Antigo Testamento e do Novo Testamento que veio a constituir a Palavra Escrita. A Palavra Falada no seu sentido estrito, inerrante e infalível também é uma forma passada de Deus se comunicar com o homem, uma vez que a Palavra Viva (Cristo) já veio, e a Palavra Escrita está completa.
Contudo, a Palavra Falada também tem um segundo sentido, mais amplo: a Palavra de Deus que é pregada ou ensinada. Esta forma da Palavra de Deus não é infalível ou inerrante como foi a falada e escrita no passado mediante a extraordinária ação do Espírito Santo que chamamos de “inspiração do Espírito Santo (2 Timóteo 3.16-17; 2 Pedro 1.20-21).

A Palavra de Deus no sentido de ensino e pregação continuará operante até à “consumação dos séculos”. Os pais têm o dever de ensinar a Palavra de Deus aos filhos no âmbito do lar, pastores-mestres autorizados devem ensinar na jurisdição da Igreja, evangelistas devem ser enviados a pregar ao mundo; todos com base e na autoridade da Palavra Escrita.
Esta forma da Palavra de Deus falada, operante até hoje e que não é infalível é o principal meio pelo qual o Evangelho é anunciado ao mundo e a Igreja de Deus é edificada; este não é um meio infalível, mas pela graça de Deus e poder do Espírito Santo é eficaz.

A Igreja contemporânea tem sido profundamente enfraquecida com a perda da noção de importância da pregação e ensino da Palavra. A fiel pregação e ensino da Palavra Escrita é Palavra de Deus, ela não é infalível (como foi a que pronunciaram os profetas), ela precisa ser supervisionada (quanto a fidelidade à Palavra Escrita, mas é o essencial e principal meio de edificação da igreja.
Se algum crente individualmente ou uma família se privam da pregação da Palavra no contexto da vida congregacional (se isolam de uma fiel igreja de Cristo) em que a administração do batismo e santa ceia são as respostas sacramentais à pregação, e o discipulado e disciplina constituem no exercício da Palavra pregada, estes (o crente e a família) sofrerão todas as consequências da desnutrição  e falta do exercício espiritual.

A Palavra Viva
Embora a Palavra Escrita seja verdadeira e esteja preservada, ela é limitada; ela tem começo (Gênesis) e fim (Apocalipse); ela é limitada pelo poder de comunicação da linguagem e das línguas, como já foi indicado. Como também já vimos, a Palavra Escrita absorveu e preservou para sempre a infalível Palavra de Falada de Deus (principalmente por meio dos profetas), e é a base e autoridade da Palavra de Deus pregada e ensinada hoje. Embora tão vital e importante para a Igreja de Deus, a Palavra Escrita não é um fim em si mesma; ela é o meio para o conhecimento de Jesus Cristo, a Palavra Viva de Deus.

O Evangelho de João começa apresentando Jesus Cristo como a Palavra de Deus (João 1.1-18). A Palavra Viva é a manifestação de Deus acessível à criatura, porém não limitada; pois Jesus Cristo é “o explendor da glória, e a expressão exata” (Hebreus 1.3) do Ser Divino, “nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade” (Colossenses 2.9).
Nós estimamos ou amamos a Palavra de Deus, a Escritura; e a temos como nosso maior tesouro neste mundo, mas não a adoramos. Buscamos com fome e sede a fiel pregação e ensino da Palavra de Deus; entretanto, é a Palavra Viva, Jesus Cristo, o alvo da nossa adoração

Alguém pode ouvir a fiel pregação e ensino das Sagradas Escrituras, ler e estudar sistematicamente as Escrituras e portanto obter conhecimento de Deus. Porém, é somente quando o ouvir ou estudar as Escrituras nos levam à fé em Jesus Cristo que entramos em comunhão com Deus. Alguém pode ler e estudar as Escrituras Sagradas e jamais ser salvo, exceto se, através das Escrituras ele conheça e creia em Jesus Cristo.
Não é o simples conhecimento da Palavra Escrita que nos salva e santifica, mas o crer, receber  e, consequentemente, ser unido a Jesus Cristo, a Palavra Viva. Para que alguém creia em Jesus Cristo, é necessário que leia ou ouça a pregação da Palavra Escrita (Romanos 10.17), e seja, ao mesmo tempo, “ensinado pelo Espírito Santo” (João 16.7-13). Havendo recebido, pela soberana graça de Deus e mediação de Jesus Cristo, o inicial derramamento do Espírito Santo que nos habilita a ouvir com fé a pregação da Palavra de Deus e crer em Jesus Cristo (Atos 16.14; Tito 3.4-7), efetivamente recebemos pela fé Jesus Cristo; então o derramamento inicial se completa com o pleno derramamento do Espírito Santo (Atos 2.38;), também chamado de o Espírito de Cristo (Romanos 8.9); por isso, quando cheios do Espírito Santo, somos cheios de Cristo Jesus. Jesus Cristo é chamado a Palavra Viva de Deus; porque conhecê-lo e crer nÊle é mais do que simplemente obter um conhecimento, é recebê-lo em nós, no Espirito Santo que em nós passa a fazer morada, e isto é comunhão, união com Deus, isto é também a vida eterna (João 17.3).

Havendo chegado ao conhecimento e fé em Jesus Cristo, alcançamos o alvo ou meta das Escrituras. Agora, entretanto, ao invés das Escrituras perderam o valor, podemos compreender muito melhor o inestimável valor das Escrituras para um crescente conhecimento da glória de Deus, da grandeza da salvação, e da prefeição da vontade de Deus.
Agora, o Espírito de Cristo habita em nós, “temos a mente de Cristo” (1 Coríntios 2); neste sentido, estamos preparados para receber a Palavra Escrita com entendimento, e a Palavra falada hoje (pregação e ensino) com juízo (critério). Enfim, pela habitação do Espirito de Cristo em nós, estamos preparados para ouvir, ler e estudar as Escrituras com entendimento (1 Coríntios 2), e todo o proveito para nossas vidas, e também para o auxílio de outros no entendimento das Escrituras Sagradas.

Então devemos desejar e buscar o mais completo e acurado conhecimento das Escrituras Sagradas. Havendo recebido o Espírito Santo ou Espírito de Cristo, quanto mais as Escrituras ocupam nossa mente e coração, mais cheios do Espírito nos somos (Efésios 4.18-21; Colossenses 3.16-17).
Quanto mais conhecemos as Escrituras, tanto mais conhecemos a Jesus Cristo; quanto mais apreciamos as Escrituras, mais amamos a Cristo, quanto mais alimentados das Escrituras, mais plena e poderosa  a presença Jesus se faz em nós.

O conhecimento das línguas originais é muito útil, mas não indispensável; pois qualquer fiel  (bem intencionada e bem feita) tradução é capaz de comunicar o conteúdo das Escrituras. A Biblia foi intentada para todos os povos, isto é, para ser traduzida para todas as línguas. Erudição geral e conhecimento dos mundos hebraico e grego-romano são úteis, mas não essenciais para o conhecimento das Escrituras, especialmente o salvador conhecimento de Cristo que é centro das Escrituras. Até uma criança pode, pelas Escrituras, ser conduzida ser “ao conhecimento para a salvação pela fé em Cristo Jesus (2 Timóteo 3.15). Portanto, não aceite a mentira de que a Bíblia somente pode ser entendida pelos “doutores” da Igreja (Lucas 10.21; 1 Coríntios 1.18-24). Alguns doutores jamais chegam ao conhecimento de uma criança; porém, algumas crianças, guiadas pelo Espírito Santo, através das Escrituras conhecem a Cristo Jesus, o Salvador.

A Palavra Falada que é infalível já não acontece em nossos dias; a Palavra Falada pregada e ensinada em nossos dias não é infalível. Contudo, temos a Palavra Escrita; ela é única fiel e completa preservação de tudo o Deus realmente já falou sobre a nossa salvação (João 5.39; 10.35), e o único critério pelo qual julgamos a pregação e ensino da Palavra de Deus (Atos 17.11).
Estejamos atentos a toda tentativa de subestima ou menosprezo à Palavra de Deus Escrita. Apesar das limitações da língua e das diferenças culturais que com estudo cuidadoso e perseverante são remediadas, as Sagradas Escrituras, além de nos guardar tudo o que Deus já falou e nos habilitarem a julgar tudo o que temsido pregado e ensinado, livrando-nos da subjetividade, elas são o único meio de conhecimento de Jesus Cristo (João 5.39; Apocalipse 19.10), a única porta (João 10.9), caminho, verdade e a vida (14.6), o conhecimento e a comunhão com Deus (João 14.7-9,16-20).